Prenda de Martim e mãos de Ortega travam o Dragão: FC Porto e Nottingham empatam

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William Gomes tentou, mas esbarrou no muro inglês
William Gomes tentou, mas esbarrou no muro inglêsOpta by Stats Perform, FC Porto

O FC Porto empatou, esta quinta-feira, frente ao Nottingham Forest (1-1), na primeira mão dos quartos de final da Liga Europa, num duelo marcado pelo regresso de Vítor Pereira ao Estádio do Dragão. Apesar de uma entrada fulgurante, coroada com um golo do talismã William Gomes aos 11 minutos, os dragões acabaram traídos por um autogolo caricato de Martim Fernandes (13'), que saiu lesionado pouco depois. Num segundo tempo de sentido único, a avalanche ofensiva da equipa de Farioli esbarrou na inspiração do guarda-redes Ortega e na falta de pontaria, ditando um resultado que deixa tudo em aberto para a segunda mão, em Inglaterra.

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Farioli mexeu em sete peças desde o empate com o Famalicão (2-2), promovendo a titularidade de Martim Fernandes, Thiago Silva, Seko Fofana, Gabri Veiga, Pablo Rosario, William Gomes e Borja Sainz. Por seu lado, Vítor Pereira marcou o regresso ao Dragão com uma grande surpresa: o avançado Chris Wood foi atirado aos lobos, entrando em campo pela primeira vez desde a grave lesão no joelho sofrida em outubro.

Pontuações dos jogadores
Pontuações dos jogadoresFlashscore

Noite de reencontros

Em noite de reencontros, Vítor Pereira não escondeu o sorriso por voltar à casa onde brilhou, primeiro como adjunto de André Villas-Boas, e depois como técnico principal na sucessão do atual presidente azul e branco, que culminou com o bicampeonato e apenas uma derrota em duas épocas. Nas bancadas, o ambiente era de celebração redobrada: o FC Porto atingiu esta noite a marca de um milhão de espetadores em jogos oficiais no Estádio do Dragão esta época. Um apoio que empurrou a equipa de Farioli, que cerrou os dentes para vingar o desaire diante dos tricky trees na fase de liga (2-0), no único duelo da história entre duas equipas com títulos europeus no seu palmarés. 

A tranquilidade com que o treinador luso abordou a partida - sublinhando que a prioridade é a manutenção na Premier League em detrimento do troféu europeu - fez antecipar espaços que os dragões raramente encontram nas provas domésticas. A prova chegou logo ao primeiro minuto: Borja Sainz lançou Fofana em transição, o médio estendeu a passadeira a Moffi e isolou o avançado, mas o remate de primeira encontrou resposta na luva esquerda de Ortega. Na recarga, Sainz voltou a acertar no guardião

Talismã e um balde de gelo

Pouco depois, uma excelente triangulação entre Pablo Rosario, Gabri Veiga e Borja Sainz terminou com novo remate fraco do avançado espanhol para encaixe tranquilo do guarda-redes. Finalmente, à terceira, foi de vez. Pablo Rosario, com um toque de calcanhar sublime, lançou Gabri Veiga na área, o espanhol cruzou rasteiro e William Gomes só teve de encostar ao segundo poste. Foi o quarto golo do brasileiro nesta edição da Liga Europa, confirmando o estatuto de talismã da prova. 

Contudo, a festa durou pouco e o empate surgiu de forma inesperada. Num momento de total desentendimento, Martim Fernandes tentou atrasar para Diogo Costa de primeira e sem olhar, o guardião estava fora da área e não conseguiu evitar que a bola seguisse para a baliza deserta. Um autogolo caricato que deu a igualdade aos ingleses sem que estes tivessem feito um único remate. Para piorar o cenário, aos 16 minutos, o azar voltou o lateral português, que teve de ser substituído por Alberto Costa, após um toque acidental de um adversário.

Gestão inglesa e desperdício final

A partir daí, o ritmo baixou e os ingleses pegaram nas rédeas, chegando a assumir 75% da posse de bola entre os 15 e os 30 minutos. O FC Porto ainda encontrava espaços - com Seko Fofana a aparecer constantemente com liberdade para transportar jogo -, mas faltava discernimento no último terço para ferir o adversário. O Nottingham Forest fez uso da sua dimensão física para rondar a área portista, mas sem nunca testar verdadeiramente Diogo Costa.

Posição média das equipas na primeira parte
Posição média das equipas na primeira parteOpta

Já em tempo de descontos, o grito de golo voltou a ficar preso na garganta dos adeptos. Fofana criou espaço na linha de fundo e cruzou para a pequena área, onde Moffi apareceu bem a cabecear, mas o remate saiu demasiado denunciado para as luvas de um atento Ortega.

Estatísticas da primeira parte
Estatísticas da primeira parteOpta by StatsPerform

Entre as ameaças de William e o susto de Diogo

No reatamento, Vítor Pereira deixou Chris Wood e Murillo no banco para lançar os habituais titulares Igor Jesus e Milenkovic. Aos 50 minutos, William Gomes voltou a fazer das suas, fletindo desde a linha lateral até à entrada da área, onde atirou perto do poste. Logo a seguir, Sainz desviou de cabeça ao primeiro poste, mas Milenkovic estava no sítio certo para evitar males maiores. Já Moffi continuava a acumular frustrações na bancada e acabou por ser uma das três mexidas de Farioli, que lançou Pepê, Froholdt e Deniz Gul.

Pelo meio, Diogo Costa travou a meia distância de James McAtee. Pouco depois, o Nottingham Forest ainda festejou um golo com o guardião portista no chão, que foi atingido por Igor Jesus na cabeça antes de este aproveitar a baliza deserta. Recuperados do susto, William Gomes voltou a assumir o protagonismo aos 69', com mais uma jogada individual a fletir para o meio, obrigando Ortega a uma excelente estirada. Logo a seguir, Deniz Gul combinou com o brasileiro e, já depois de uma atrapalhação de Froholdt, atirou perto da trave.

Estatísticas no final da partida
Estatísticas no final da partidaOpta by StatsPerform

Insucesso no assalto final

Aos 74 minutos, Farioli lançou Alan Varela para o lugar de um exausto Seko Fofana, procurando maior equilíbrio e segurança na transição para evitar surpresas no contra-ataque inglês. Com o Nottingham Forest a usar todas as armas para queimar tempo e baixar o ritmo, o FC Porto respondeu com alma. Aos 80 minutos, o golo esteve nos pés de Froholdt: Pepê recuperou uma bola em esforço e, com um passe de calcanhar artístico, serviu o médio nórdico na área, o remate à meia-volta foi fulgurante e tirou tinta ao poste, com Ortega já batido.

FC Porto esteve por cima grande parte da partida
FC Porto esteve por cima grande parte da partidaOpta by StatsPerform

Já perto do fim, aos 85 minutos, uma nova combinação à entrada da área permitiu o remate frontal de Alan Varela, mas a bola saiu à figura de Ortega, selando um empate amargo face ao domínio azul e branco. A segunda mão está marcada para a próxima quinta-feira, em Inglaterra, com a clara sensação de que as meias-finais estão ao alcance dos dragões.

Melhor em campo: William Gomes (FC Porto).

William Gomes tentou de tudo, mas não quebrou o impasse
William Gomes tentou de tudo, mas não quebrou o impasseReuters/Opta by StatsPerform