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Farioli mexeu em sete peças desde o empate com o Famalicão (2-2), promovendo a titularidade de Martim Fernandes, Thiago Silva, Seko Fofana, Gabri Veiga, Pablo Rosario, William Gomes e Borja Sainz. Por seu lado, Vítor Pereira marcou o regresso ao Dragão com uma grande surpresa: o avançado Chris Wood foi atirado aos lobos, entrando em campo pela primeira vez desde a grave lesão no joelho sofrida em outubro.

Noite de reencontros
Em noite de reencontros, Vítor Pereira não escondeu o sorriso por voltar à casa onde brilhou, primeiro como adjunto de André Villas-Boas, e depois como técnico principal na sucessão do atual presidente azul e branco, que culminou com o bicampeonato e apenas uma derrota em duas épocas. Nas bancadas, o ambiente era de celebração redobrada: o FC Porto atingiu esta noite a marca de um milhão de espetadores em jogos oficiais no Estádio do Dragão esta época. Um apoio que empurrou a equipa de Farioli, que cerrou os dentes para vingar o desaire diante dos tricky trees na fase de liga (2-0), no único duelo da história entre duas equipas com títulos europeus no seu palmarés.
A tranquilidade com que o treinador luso abordou a partida - sublinhando que a prioridade é a manutenção na Premier League em detrimento do troféu europeu - fez antecipar espaços que os dragões raramente encontram nas provas domésticas. A prova chegou logo ao primeiro minuto: Borja Sainz lançou Fofana em transição, o médio estendeu a passadeira a Moffi e isolou o avançado, mas o remate de primeira encontrou resposta na luva esquerda de Ortega. Na recarga, Sainz voltou a acertar no guardião.
Talismã e um balde de gelo
Pouco depois, uma excelente triangulação entre Pablo Rosario, Gabri Veiga e Borja Sainz terminou com novo remate fraco do avançado espanhol para encaixe tranquilo do guarda-redes. Finalmente, à terceira, foi de vez. Pablo Rosario, com um toque de calcanhar sublime, lançou Gabri Veiga na área, o espanhol cruzou rasteiro e William Gomes só teve de encostar ao segundo poste. Foi o quarto golo do brasileiro nesta edição da Liga Europa, confirmando o estatuto de talismã da prova.
Contudo, a festa durou pouco e o empate surgiu de forma inesperada. Num momento de total desentendimento, Martim Fernandes tentou atrasar para Diogo Costa de primeira e sem olhar, o guardião estava fora da área e não conseguiu evitar que a bola seguisse para a baliza deserta. Um autogolo caricato que deu a igualdade aos ingleses sem que estes tivessem feito um único remate. Para piorar o cenário, aos 16 minutos, o azar voltou o lateral português, que teve de ser substituído por Alberto Costa, após um toque acidental de um adversário.
Gestão inglesa e desperdício final
A partir daí, o ritmo baixou e os ingleses pegaram nas rédeas, chegando a assumir 75% da posse de bola entre os 15 e os 30 minutos. O FC Porto ainda encontrava espaços - com Seko Fofana a aparecer constantemente com liberdade para transportar jogo -, mas faltava discernimento no último terço para ferir o adversário. O Nottingham Forest fez uso da sua dimensão física para rondar a área portista, mas sem nunca testar verdadeiramente Diogo Costa.

Já em tempo de descontos, o grito de golo voltou a ficar preso na garganta dos adeptos. Fofana criou espaço na linha de fundo e cruzou para a pequena área, onde Moffi apareceu bem a cabecear, mas o remate saiu demasiado denunciado para as luvas de um atento Ortega.

Entre as ameaças de William e o susto de Diogo
No reatamento, Vítor Pereira deixou Chris Wood e Murillo no banco para lançar os habituais titulares Igor Jesus e Milenkovic. Aos 50 minutos, William Gomes voltou a fazer das suas, fletindo desde a linha lateral até à entrada da área, onde atirou perto do poste. Logo a seguir, Sainz desviou de cabeça ao primeiro poste, mas Milenkovic estava no sítio certo para evitar males maiores. Já Moffi continuava a acumular frustrações na bancada e acabou por ser uma das três mexidas de Farioli, que lançou Pepê, Froholdt e Deniz Gul.
Pelo meio, Diogo Costa travou a meia distância de James McAtee. Pouco depois, o Nottingham Forest ainda festejou um golo com o guardião portista no chão, que foi atingido por Igor Jesus na cabeça antes de este aproveitar a baliza deserta. Recuperados do susto, William Gomes voltou a assumir o protagonismo aos 69', com mais uma jogada individual a fletir para o meio, obrigando Ortega a uma excelente estirada. Logo a seguir, Deniz Gul combinou com o brasileiro e, já depois de uma atrapalhação de Froholdt, atirou perto da trave.

Insucesso no assalto final
Aos 74 minutos, Farioli lançou Alan Varela para o lugar de um exausto Seko Fofana, procurando maior equilíbrio e segurança na transição para evitar surpresas no contra-ataque inglês. Com o Nottingham Forest a usar todas as armas para queimar tempo e baixar o ritmo, o FC Porto respondeu com alma. Aos 80 minutos, o golo esteve nos pés de Froholdt: Pepê recuperou uma bola em esforço e, com um passe de calcanhar artístico, serviu o médio nórdico na área, o remate à meia-volta foi fulgurante e tirou tinta ao poste, com Ortega já batido.

Já perto do fim, aos 85 minutos, uma nova combinação à entrada da área permitiu o remate frontal de Alan Varela, mas a bola saiu à figura de Ortega, selando um empate amargo face ao domínio azul e branco. A segunda mão está marcada para a próxima quinta-feira, em Inglaterra, com a clara sensação de que as meias-finais estão ao alcance dos dragões.
Melhor em campo: William Gomes (FC Porto).

