Todos os caminhos vão dar ao frango: as curiosidades do Super Bowl LX

Quanto abacate se consome durante a Super Bowl? Curiosidades da Super Bowl LX
Quanto abacate se consome durante a Super Bowl? Curiosidades da Super Bowl LXIMAGN IMAGES via Reuters Connect

O Super Bowl LX vai parar os Estados Unidos, e grande parte do mundo, durante várias horas no domingo (23:30 hora de Lisboa). O New England Patriots - Seattle Seahawks vai atrair muitos olhares e, além disso, terá impacto em inúmeros setores menos ligados ao futebol americano. A partir do Flashscore trazemos-lhe algumas das curiosidades mais extravagantes resultantes deste duelo de titãs.

O Super Bowl que deu início a tudo

Foi em 1967 que surgiu este confronto para opor as duas ligas de futebol americano então existentes nos Estados Unidos (American Football League e National Football League) e decidir qual das duas era a mais forte em cada ano. Com a fusão de ambas em 1970, formando a atual NFL, foram criadas as duas conferências (NFC e AFC), que vão lutar pelo título em Santa Clara (Califórnia) durante o Super Bowl LX.

Memórias do Coliseu

Poderia parecer uma excentricidade típica da grandiosidade que os norte-americanos costumam exibir, mas o hábito de numerar a Super Bowl com algarismos romanos faz bastante sentido. Ou pelo menos foi essa a nossa conclusão ao investigarmos o tema...

Na verdade, as quatro primeiras edições (1967-1970) usaram a numeração habitual, mas a partir da fusão na NFL começaram a utilizar-se os números romanos. O principal motivo foi distinguir este jogo, muito mais importante, do resto da temporada. Por outro lado, a fase regular disputa-se no final de um ano – com a extensão do calendário para 17 jogos prolonga-se para o seguinte – e os play-offs realizam-se no início do outro, pelo que poderia ser confuso chamar a esta Super Bowl de 2025 ou 2026. Por fim, também se quis dar um certo ar de gladiadores ao confronto. Desde que este formato foi implementado, só a edição 50 voltou a exibir números naturais.

Líder de audiências

Espera-se que pouco menos de 190 milhões de pessoas assistam ao Super Bowl LX nos seus televisores. Destes, entre 45 e 60 milhões serão de fora dos Estados Unidos. No próprio país, a audiência ultrapassou os 100 milhões em 13 dos últimos 16 anos. Em 2025, foram 130 milhões só em solo norte-americano, o maior registo de sempre. Será que o New England Patriots - Seattle Seahawks conseguirá superar esses números?

Sabor latino

Apesar da polémica aquando do anúncio, a NFL manteve-se firme e Bad Bunny será o responsável por animar o intervalo da 60.ª edição do Super Bowl. A estrela porto-riquenha está em alta depois de ter conquistado três prémios na recente cerimónia dos Grammys. Além disso, foi o primeiro artista a receber o galardão de melhor álbum por um trabalho inteiramente em espanhol.

Os quatro mal-amados

Numa liga onde há normalmente uma rotação constante de dominadores, surpreende que ainda quatro equipas atualmente na NFL nunca tenham sequer disputado o Super Bowl. É o caso dos Detroit Lions, Cleveland Browns, Jacksonville Jaguars e Houston Texans. Depois há os azarados Minnesota Vikings e Buffalo Bills, que marcaram presença quatro vezes no jogo decisivo e nunca venceram. Os nova-iorquinos perderam inclusive quatro finais consecutivas entre 1991 e 1994.

Montra publicitária mundial

O último contrato televisivo assinado pela NFL para ceder os seus direitos às cadeias que transmitem a liga de futebol americano foi de 113 mil milhões de dólares por 11 anos (2023-2033). O dobro do anterior e muito acima de qualquer outro desporto. Por isso, os responsáveis pela produção televisiva do Super Bowl a cada ano – que vão rodando e mudam em cada edição – aproveitam ao máximo as marcas que querem publicitar-se durante o jogo.

Um espaço de 30 segundos na transmissão mais vista de 2026 nos EUA custará entre seis e sete milhões de dólares. Um verdadeiro pesadelo para Donald Trump, que há uns anos previu que a liga perderia muitos adeptos devido à atitude de vários jogadores que se ajoelham durante o hino nacional em protesto.

Uma coroa em forma de ovo

Longe do hábito que temos no Velho Continente de entregar uma réplica do troféu às equipas vencedoras de uma competição, o Troféu Vince Lombardi, que distingue o campeão da NFL, é fabricado de novo todos os anos pela prestigiada Tiffany & Co. e o seu valor atinge os 50 mil dólares. Mede 56 centímetros de altura, é feito inteiramente em prata de lei e pesa cerca de 3,2 quilos.

Assim brilha o Troféu Vince Lombardi em São Francisco
Assim brilha o Troféu Vince Lombardi em São FranciscoIMAGN IMAGES via Reuters Connect

Verde que te quero verde

É já um clássico as famílias norte-americanas reunirem-se em casa para consumir quantidades astronómicas de comida enquanto assistem ao Super Bowl. Segundo o diretor-geral da Associação de Produtores e Empacotadores de Abacate de Jalisco, José Guadalupe Olivares Peralta, espera-se que para o evento de 9 de fevereiro no Levi's Stadium cheguem do México 127 mil toneladas de abacates (mais do que as 110 mil de 2025). A maioria será usada para preparar o guacamole que acompanha quantidades industriais de nachos.

Luxo em São Francisco

Como já referimos num artigo detalhado no Flashscore, os bilhetes para assistir ao vivo ao Super Bowl LX podem atingir a exorbitante quantia de 55.082,50 euros. Bem longe dos 12 dólares pedidos pelo bilhete mais caro da primeira edição, disputada no Los Angeles Memorial Coliseum.

Mas as celebridades não se contentam com um lugar qualquer e vão pagar muito mais. Um lugar em qualquer uma das melhores suítes do Levi's Stadium pode chegar à impressionante soma de 308.223,30 euros. Trocos para algumas das maiores estrelas da América do Norte.

Chuva de estrelas

O Grande Jogo vai reunir um interessante leque de celebridades e estrelas de vários quadrantes do entretenimento norte-americano, mas há dois nomes que se destacam. Segundo especialistas, o ator Chris Pratt vai apresentar a entrada dos Seattle Seahawks, enquanto o cantor Jon Bon Jovi fará o mesmo com os New England Patriots.

O pesadelo de Itália

A fast food é rainha do Super Bowl ano após ano. Entre todas as opções, a pizza impõe-se sempre às restantes. Mais de 48 milhões de norte-americanos encomendam este tipo de comida ao domicílio durante o jogo. 60% dos pedidos correspondem ao círculo da felicidade, cerca de 12,5 milhões de unidades. Sem dúvida, deve ser o evento favorito das Tartarugas Ninja, embora para os italianos seja um sacrilégio ver tal consumo de algo que para eles não é pizza.

Rios de cerveja

A comida tem de ser acompanhada por algo. Pois bem, os norte-americanos vão fazê-lo com mais de 1.230 milhões de litros de cerveja. Isto representa um gasto próximo dos 11 mil milhões de dólares (cerca de 9.330 milhões de euros) nesta bebida. 

Ficar de branco nem sempre é mau

Jogar de branco costuma dar sorte no Super Bowl. Nas últimas 20 edições, só os Green Bay Packers (verde em 2011), Philadelphia Eagles (verde em 2017 e 2025) e Kansas City Chiefs (vermelho em 2020 e 2024) levaram o Troféu Vince Lombardi para casa jogando com uma cor diferente do branco. Em Santa Clara, os Patriots vão vestir de branco para tentar repetir o desfecho de 2015 frente a uns Seahawks que jogaram e vão jogar de azul-marinho.

O branco costuma resultar para vencer o Super Bowl
O branco costuma resultar para vencer o Super BowlTIMOTHY A. CLARY / AFP

Ver o sol já não é o habitual

É cada vez mais raro o Super Bowl ser disputada ao ar livre. Ajuda o facto de a NFL procurar recintos modernos e de os estádios de nova geração incluírem quase todos coberturas para combater as adversidades meteorológicas. A escolha do Levi's Stadium põe fim ao recente domínio dos chamados "domes", ou estádios cobertos, que monopolizaram a final nas últimas quatro edições, com jogos no SoFi Stadium (Califórnia, 2022), State Farm Stadium (Arizona, 2023), Allegiant Stadium (Las Vegas, 2024) e Caesars Superdome (Nova Orleães, 2025).

Como frango sem cabeça

Fica o aviso para todos os frangos: se querem sobreviver, corram até depois do Super Bowl LX. Segundo um relatório do Conselho Nacional do Frango dos Estados Unidos, prevê-se um consumo muito próximo de 1.480 milhões de asas de frango durante o jogo, mais 10 milhões do que no ano passado e abaixo dos 1.500 de 2023. Para tal, serão necessários quase 750 milhões de frangos a ceder as suas preciosas asas ao apetite dos adeptos da NFL.

A procura desenfreada deste produto vai aumentar o seu valor em 50% durante alguns dias, de acordo com dados do Departamento de Agricultura dos EUA. Estima-se que cada norte-americano possa comer em média quatro asas durante o encontro. Para perceber a importância deste dia para a indústria avícola, basta referir que nos Estados Unidos consomem-se cerca de 2.700 milhões de asas anualmente.

Para ter uma ideia, 1.480 milhões de asas dariam para fazer 27 vezes o percurso entre o Gillette Stadium em Foxborough (Massachusetts) e o Lumen Field em Seattle (Washington). E mais: se quisesse comer uma asa a cada 30 segundos e terminar no dia do jogo, teria de ter começado logo após a queda do Império Romano.

"Acho que o Bradley Cooper está enganado: o futebol americano é para comer. Especialmente quando se trata do Super Bowl, onde as asas de frango são as rainhas. Para os adeptos que querem adicionar proteína aos seus petiscos a um preço acessível, as asas de frango são as estrelas dos menus do Super Bowl", afirmou o vice-presidente sénior de comunicação do conselho nacional do frango, Tom Super.

O melhor é não abrir negócio na segunda-feira

As empresas entram em pânico com a ressaca do Super Bowl. Todos os anos, na segunda-feira seguinte ao evento, cerca de 6% dos trabalhadores norte-americanos faltam ao trabalho por doença. A isto junta-se o facto de cerca de 4,4 milhões de pessoas chegarem atrasadas ao emprego.

Um recorde do tamanho do Big Ben

Drake Maye será o segundo quarterback mais jovem da história a disputar o Super Bowl. Vai fazê-lo com 23 anos e 162 dias, um pouco mais velho do que os 23 anos e 127 dias do lendário Dan Marino quando perdeu ao serviço dos Dolphins na 19.ª edição. No entanto, se vencer, o quarterback dos New England Patriots ultrapassará Ben Roethlisberger (23 anos e 11 meses) como o QB mais jovem a levantar o Troféu Vince Lombardi.

Amantes de hambúrgueres

Não podemos esquecer que nos Estados Unidos os hambúrgueres são um dos pratos de eleição. São deliciosos. Por isso, não é de admirar que se consumam perto de 15 milhões durante o fim de semana em que se disputa o Super Bowl LX. São os reis da mesa, a par da pizza, das asas de frango e do irresistível guacamole.

Caminhar sozinho até ao altar

Quando dizemos que os Estados Unidos param para o Super Bowl, é mesmo verdade. O fim de semana do Grande Jogo é aquele em que se registam menos casamentos no país durante todo o ano. Suponhamos que ninguém quer recordar o dia do seu casamento como aquele em que teve a festa com menos convidados. E ninguém gosta de ter um ecrã no banquete nupcial a desviar as atenções.

A sorte não é tudo

Um dos momentos mais aguardados pelos apostadores em cada Super Bowl é o lançamento da moeda antes do jogo. Uma sondagem da Associação Americana de Jogos antes do evento de 2024 revelou que iriam movimentar-se mais de 20 mil milhões de euros em apostas durante o encontro e que o resultado do Coin Toss concentraria muito dinheiro.

Dizem os supersticiosos que ganhar o lançamento da moeda é um presente envenenado que traz uma maldição. O certo é que os Chiefs perderam no ano passado depois de vencerem neste sorteio, e outra das suas derrotas na final (2021 frente aos Buccaneers) também aconteceu após ganharem esta tradição. Por sua vez, os Eagles ergueram os seus dois Troféus Lombardi (2018 contra os Patriots e 2025 frente aos Chiefs) depois de perderem a moeda. No Patriots-Seahawks de 2015, Seattle venceu o lançamento, mas já sabem quem ganhou o jogo...

Até ao momento, depois de 59 edições do Grande Jogo, a moeda saiu cruz 31 vezes e cara 28.