Embora tenha goleado por 0-4 a Índia no sábado, encerrando a digressão de jogos amigáveis, a equipa de Carlo Ancelotti voltou a ter dificuldades para assumir o controlo do meio-campo, enquanto procura rejuvenescer posições-chave.
Antes, os pentacampeões mundiais disputaram dois jogos em casa da Austrália: um empate 1-1 e uma vitória por 2-4.
Ancelotti admitiu que os seus jogadores "podem fazer melhor", embora tenha elogiado talentos emergentes como o médio Gabriel Bontempo (Santos) e os centrais Jair Cunha (Nottingham Forest) e Arthur Dias (Athletico Paranaense).
Eis o balanço do regresso da Canarinha, depois da frustrante eliminação nos oitavos de final do Mundial-2026, às mãos da Noruega.

Meio-campo em reconstrução
Depois do dececionante empate no início da digressão, Bontempo foi titular nos dois jogos seguintes.
A Canarinha melhorou com três médios de raiz, mas continua a sentir falta de maior fluidez no seu futebol. É uma lacuna por resolver e não há solução à vista após a retirada de Neymar.
"O primeiro jogo dele foi melhor do que o segundo", afirmou Ancelotti sobre a promessa de 21 anos do Santos.
Quem saiu mais valorizado foi Danilo Santos, um dos nove sobreviventes da convocatória para o Mundial-2026.
Sem Casemiro, que já não entra nos planos, Ancelotti parece apostar nele para assumir o papel de pilar do meio-campo, ao lado de Bruno Guimarães.
Titular nos três encontros, o médio do Botafogo foi o jogador com mais minutos pela Seleção nos amigáveis e o único a ultrapassar os 200 minutos em campo.
"Começar este novo ciclo com continuidade e a confiança do treinador deixa-me feliz. Quero aproveitar cada oportunidade", afirmou Danilo à AFP.
"Espero continuar a evoluir", comentou o futebolista de 25 anos através da sua equipa de comunicação.

Ai, Vini!
Vinícius Júnior destacou-se no Mundial-2026, apesar do naufrágio do Brasil, com quatro golos no torneio. Desta vez, porém, o seu mau momento no Real Madrid refletiu-se na Canarinha.
Teve alguns rasgos de qualidade no segundo jogo, com uma intervenção crucial num golo e um penálti que sofreu e converteu... e pouco mais.
No sábado, esbarrou vezes sem conta na defesa adversária. Samuel Lino entrou para o seu lugar e bisou.
O treinador, no entanto, manifestou publicamente o seu apoio ao avançado do Real Madrid.
Alerta
Ancelotti queria ver João Pedro, que vive um excelente momento no Chelsea, no ataque, mas uma lesão alterou os planos.
Uma das novidades surgiu no segundo jogo, com Raphinha a actuar como falso 9, posição em que tem tido um início de época excecional no Barcelona. Não atingiu os níveis do Barça e problemas musculares afastaram-no do último encontro.
Um sinal de alerta: nota-se a falta de minutos nos clubes de jovens promessas como Estêvão (Chelsea) e Endrick (Real Madrid).
"Há jogadores que têm mais dificuldades em apresentar um futebol competitivo porque não têm minutos no clube, como Estêvão e Endrick", afirmou o treinador, sem rodeios.
Rotação na baliza
Hugo Souza e os estreantes Otávio e Pedro Morisco alternaram na baliza, com um jogo para cada um.
Souza e Otávio sofreram golos e foram alvo de críticas. Morisco teve um dia tranquilo diante de uma adversária, a Índia, que não o incomodou.
Uma das prioridades de Ancelotti é encontrar o sucessor de Alisson, dono da baliza nos últimos anos.
Alternativas na defesa
Na defesa, Ancelotti concentrou a atenção nos laterais, uma posição em que reconhece haver escassez de opções.
Mauro Júnior estreou-se aos 27 anos pela seleção brasileira. O jogador do PSV Eindhoven não deslumbrou, mas apresentou credenciais para lutar com Douglas Santos pelo lugar de lateral-esquerdo, graças à sua capacidade para subir no terreno.
Do lado direito, posição para a qual Carletto tinha convocado Wesley, entretanto afastado por lesão, Matheuzinho deu um passo em frente.
No entanto, os jogos com a Austrália expuseram fragilidades nas costas dos laterais.
No centro da defesa, Vitor Reis, Jair Cunha e Arthur Dias foram alternando como parceiros de Marquinhos e Gabriel Magalhães, com mudanças em cada partida.
"O Jair jogou muito bem" e "o Arthur Dias também", afirmou o técnico.
O Brasil jogará contra o Japão e Singapura em novembro.
"Não vamos mudar muito (a lista), mas quero ver outros jovens", antecipou Ancelotti.
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