Recorde as incidências da partida
Nestory Irankunda colocou os donos da casa em vantagem aos 68 minutos, num livre batido de forma perfeita. O extremo do Sporting acertou no ângulo da baliza do guarda-redes Hugo Souza e deixou a Austrália muito perto de conquistar uma vitória histórica sobre a seleção brasileira. No último lance, Rayan marcou de cabeça e evitou a derrota.
O golo de Irankunda, portanto, também foi resultado de um trabalho que começou muitos anos antes, quando o extremo ainda era uma promessa desconhecida no futebol australiano.
Brasileiro identificou talento ainda na adolescência
Nascido em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, Airton Andrioli chegou à Austrália na década de 1990, depois de atuar profissionalmente no Brasil e na Europa. Antes disso, ainda jovem, chegou a assinar contrato profissional com o Grêmio, clube pelo qual passou pela formação. Na Austrália, atuou por equipas como o West Adelaide, antes de iniciar a carreira como treinador.
Andrioli assumiu em 2009 o cargo de diretor técnico da Football South Australia, função que exerceu até 2020. Foi justamente durante esse período que ajudou a estruturar programas de desenvolvimento de jovens jogadores no estado. E encontrou Nestory Irankunda.
Segundo relato do próprio Airton Andrioli, o brasileiro estava a trabalhar na formação da federação australiana quando viu Irankunda a jogar pelo Adelaide Croatia Raiders. Irankunda jogava numa categoria acima da sua idade e chamou a atenção do brasileiro pela capacidade técnica. Andrioli passou a acompanhá-lo e convidou o extremo do Sporting para integrar o programa de desenvolvimento da federação.
O projeto ajudou a estabelecer uma das principais vias de formação de jovens talentos do futebol de South Australia. Além de Irankunda, nomes como Luka Jovanovic, Jonny Yull, Bernardo Oliveira, Alex Popovic, Madanha, Ethan Alagich e os irmãos Mohamed e Al-Hassan Touré passaram pelo sistema desenvolvido durante a passagem de Andrioli pela federação.

Da infância num campo de refugiados ao golo contra o Brasil
A história de Irankunda também é marcada por uma trajetória familiar incomum. O extremo nasceu em 2006, em Kigoma, na Tanzânia, depois dos seus pais, originários do Burundi, deixarem o país a meio da guerra civil e procurarem refúgio no país vizinho. Irankunda chegou à Austrália ainda bebé e posteriormente a família estabeleceu-se em Adelaide.
Foi na Austrália que o futebol transformou a trajetória do extremo do Sporting.
Irankunda começou a chamar a atenção ainda na formação e rapidamente chegou ao Adelaide United. O próprio clube destaca Andrioli como um dos responsáveis por levá-lo para o programa de formação da equipa. Em 2023, quando o extremo ainda tinha 17 anos, o brasileiro já era apontado como uma das figuras fundamentais no processo que revelou o jovem.
A ascensão levou Irankunda ao futebol europeu. Depois de se destacar pelo Adelaide United, o extremo foi contratado pelo Bayern de Munique e chegou este verão ao Sporting, depois de ter sido contratado ao Watford. Aos 20 anos, tornou-se um dos nomes da nova geração da seleção australiana.

Do Grêmio a destaque na formação australiana
A trajetória de Airton Andrioli também é curiosa. Nascido em Novo Hamburgo, cidade localizada na região metropolitana de Porto Alegre, cresceu no meio da rivalidade entre Grêmio e Internacional e chegou à formação do Grêmio ainda jovem. Depois de passar pelo futebol brasileiro, teve experiências no exterior antes de se estabelecer na Austrália.
Além do trabalho na formação de jogadores em South Australia, Andrioli também comandou as seleções das Ilhas Salomão. Em 2005, participou na campanha da equipa nas eliminatórias para o Mundial e enfrentou justamente a Austrália, dirigida por Guus Hiddink, na repescagem da Oceania.
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