Jogadores do Borussia Dortmund criticam assobios a Schlotterbeck: "Um absurdo"

Nico Schlotterbeck foi recebido com reações mistas em Dortmund
Nico Schlotterbeck foi recebido com reações mistas em DortmundDEAN MOUHTAROPOULOS / GETTY IMAGES VIA AFP

Com um saco de papel pardo na mão e o telemóvel ao ouvido, Nico Schlotterbeck saiu discretamente pela porta dos fundos em direção ao parque dos jogadores. Deixou para trás algumas crianças que aguardavam um autógrafo. Se os assobios de alguns adeptos do Borussia Dortmund o afetaram, se ficou tocado ou surpreendido com a rejeição aberta – esse segredo levou-o para casa.

Carsten Cramer assumiu de imediato a defesa de Schlotterbeck como uma questão prioritária.

"Não é aceitável que um jogador do Borussia Dortmund, e neste caso foi o Nico, seja recebido com assobios", criticou o diretor executivo após o 0-1 frente ao Bayer Leverkusen.

A liberdade de expressão é "válida" – mas: "Os jogadores que vestem a camisola do Borussia Dortmund merecem apoio assim que entram no relvado! Somos uma família."

Recorde o Borussia Dortmund - Bayer Leverkusen

Com isto, Cramer desviou habilmente o foco mediático para a reação, afastando-o da origem dos assobios. Schlotterbeck assinou um contrato de cinco anos, que não pode ser visto como uma declaração romântica de fidelidade ao futebol. Já dentro de algumas semanas, no verão do Mundial-2026, pode sair graças a uma cláusula de rescisão, independentemente dos cinco anos de vínculo.

Pode ser vantajoso para ambas as partes: para Schlotterbeck, como trampolim desportivo para o clube dos seus sonhos; para o Borussia Dortmund, como garantia financeira. Mas soa a: "Adoro-vos a todos, mas talvez em breve seja campeão do mundo."

No sábado, o jogador de 26 anos não foi de todo varrido do estádio por uma onda de assobios. Mas existe um grupo de adeptos que ainda quer acreditar no lema "Amor verdadeiro" e que não lhe perdoou as hesitações e indecisões dos últimos meses. Isso foi notório quando foi anunciada a constituição da equipa e voltou a ouvir-se sempre que Schlotterbeck tinha a bola.

Kovac quer um Dortmund unido

Quem foi mais direto na reação foi o seu colega do setor defensivo.

"É um absurdo, não consigo compreender", afirmou Waldemar Anton.

"Precisamos de um ambiente positivo, não negativo. Isso prejudica-nos enquanto equipa, todos na bancada têm de perceber isso. Somos totalmente contra", acrescentou.

Niko Kovac tentou inicialmente responder com humor. Disse, numa entrevista televisiva, que não sabia nada sobre cláusulas de rescisão, nem sequer conhecia o seu próprio contrato – para isso tinha o seu agente. E depois, mais sério: "Obviamente, isso não pode acontecer, somos todos Borussen."

Como é possível mostrar verdadeira união, demonstraram-no os 81.365 adeptos de ambos os clubes durante a segunda parte. Silenciaram os cânticos quando uma pessoa colapsou na bancada sul, tendo, segundo o Borussia Dortmund, sido reanimada. O público esteve "absolutamente exemplar", elogiou Cramer, mas: "A medalha tem duas faces." Na manhã deste domingo, ainda não havia informações públicas sobre o estado da pessoa.

O silêncio invulgar no estádio teve grande impacto num jogo já de si fraco, em que o Borussia Dortmund viveu algo novo: voltou a jogar mal – mas desta vez perdeu, o que não tem sido habitual. Robert Andrich (42') marcou para o Bayer Leverkusen, que continua a sonhar com a qualificação para a Liga dos Campeões. O Borussia Dortmund, por sua vez, já pode estar tranquilo quanto a isso.

Futebol