Albert Luque de olho no Mundial-2026: "Portugal é uma seleção que me encanta"

Albert Luque nos seus dias de diretor desportivo na RFEF
Albert Luque nos seus dias de diretor desportivo na RFEFÓscar Barroso / Spain DPPI / DPPI via AFP

Albert Luque viveu o último Mundial de futebol, o do Catar, como diretor desportivo da seleção espanhola. Depois disso, e antes da sua saída abrupta da RFEF, considerou que o ciclo de Luis Enrique estava terminado e confiou em Luis de la Fuente como selecionador. Agora, como adepto incondicional de La Roja, espera que essa aposta dê a segunda estrela a Espanha.

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- O Mundial está mesmo aí à porta. Como vê a seleção espanhola?

A seleção espanhola é campeã da Europa, venceu uma Liga das Nações, foi vice-campeã na última, eu acho que é favorita, com uma equipa jovem, com um contraste de veteranos já mais do que comprovados a nível internacional. Por isso, é uma das seleções a bater e, como se viu nas últimas competições, vai mostrar, com a ambição de sempre, que quer ser campeã.

- Acha que essa pressão de ser uma candidata clara, e apesar de já ter ganho muito, é benéfica tendo em conta a juventude de muitos dos jogadores? 

Bem, se me dissesses outros jogadores..., mas estes jogadores eu acho que é sob pressão que mostram o seu melhor nível, nos momentos decisivos. Já o demonstraram tanto na seleção como nas suas equipas, por isso não tenho dúvidas de que, quando chegarem os momentos decisivos, vão mostrar a sua melhor versão. Os veteranos já o provaram milhares de vezes e os jovens, como sabem, os nomes, Nico (Williams), Lamine (Yamal), etc., etc. Pedri, mesmo com a juventude que tem, Gavi... Posso continuar a nomear quem quiseres, a estes não lhes treme o pulso.

- E algum dos que não se fala tanto, que agora estão em segundo plano na seleção, pensa que pode haver algum que acabe por se destacar mais do que as próprias estrelas?

Acho que aqueles de quem se espera que puxem pela equipa vão fazê-lo e, quanto a surpresas, num Mundial há sempre. Falar de surpresas em Espanha... já não há surpresas e quem se destaca já é um jogador comprovado. Jogar na seleção espanhola é caríssimo, por isso quem se destaca não é surpresa para ninguém.

- Esta seleção tem algo a ver com a de 2010? 

A de 2010 era uma seleção mais experiente. Diria que, por posições, por nível, acho que a seleção de 2010 é ligeiramente superior, mas esta equipa penso que daria luta à de 2010, à Argentina do último Mundial. Compete com qualquer adversário que tenha pela frente.

Calendário da Espanha
Calendário da EspanhaFlashscore

A escolha De la Fuente

- A Espanha de 2010 era a do tiki-taka, esta parece mais evoluída, sem abdicar do toque e da posse, mas mais vertical e mais profunda pelas alas, pode ser?  

Tudo começou há vários anos, com a aposta de Luis Rubiales e minha em Luis de la Fuente. Sabíamos que era um selecionador que, nas camadas jovens, tinha ganho muitos títulos com todos estes jogadores e sabíamos que era o seu momento, que na principal também podia mostrar o seu melhor. No início foi bastante contestado, mas depois ganhou tudo e mostrou que sabe tirar o melhor rendimento, sabe dar protagonismo aos jogadores, ele mantém-se em segundo plano. É um balneário muito fácil de gerir, por isso criou-se uma combinação perfeita para vencer.

Luque e De la Fuente durante a apresentação deste como selecionador
Luque e De la Fuente durante a apresentação deste como selecionadorÓscar Barroso / Spain DPPI / DPPI via AFP

- Como diretor desportivo da seleção espanhola, foi complicada essa sua aposta de terminar a etapa de Luis Enrique e apostar em De la Fuente? Confiava que podia chegar a este nível no banco?

Sabíamos que era um grande treinador, que podia ser um grande selecionador. Era uma aposta arriscada porque tínhamos total confiança nele, caso contrário não teríamos apostado em Luis de la Fuente e ele provou-o. Não foi nada fácil porque vínhamos de uma era com Luis Enrique. Hoje em dia, veem que treinador é, mas acreditávamos que era o momento de mudar e, como sabem, foi para melhor, tanto para Luis Enrique como para a seleção.

- Para além de Espanha, Albert, há alguma seleção que lhe chame a atenção para além das típicas França, Argentina, Brasil?  

Eu diria também Portugal, Portugal é uma seleção que me encanta, também diria Inglaterra, é uma seleção que também é difícil de vencer, que compete muito bem. Vai ser um Mundial de altíssimo nível e eu colocaria estas duas seleções, Portugal e Inglaterra.

- Para terminar, Albert, coloco-o numa situação difícil: Joan García, David Raya ou Unai Simón?  

Eu, se tiver de escolher, David Raya. Depois está o selecionador e escolherá quem considerar, mas os três são do melhor que há. Unai Simón, todos sabemos o nível que deu à seleção, acho que esteve quase perfeito. Joan García é a sensação mundial como guarda-redes, mostrou um nível sensacional no Barça. Mas vi o David Raya treinar muito tempo na seleção, já o vimos naquela final da Liga dos Campeões e acho que, para mim, é top três mundial atualmente na baliza.