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André Silva e o regresso ao FC Porto: "Voltar foi um momento inexplicável" e o sonho da seleção

André Silva
André SilvaFC Porto

Leia abaixo as declarações do avançado André Silva na primeira entrevista desde o regresso ao FC Porto, emitida esta sexta-feira pela Sport TV.

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"Regressar a casa foi a decisão correta"

Regresso ao FC Porto: "Foi a decisão correta, foi um momento inexplicável. Parecia que ainda estava a sonhar, dava a sensação que ia voltar para o estrangeiro. Mas agora estou mais assente e estou feliz".

Sair como promessa e voltar consagrado: "Em relação ao clube nada muda, em relação a mim muita coisa mudou. Foram nove anos fora, de desafios, conhecimentos, para voltar a casa com mais experiência, a mesma vontade e sonhos por concretizar"

Diferenças enquanto homem e jogador: "Sou diferente em tudo, tive desafios completamente diferentes nos clubes, tive que me adaptar a jogadores, treinadores diferentes, a nível pessoal estive constantemente a mudar de casa, a conhecer pessoas novas... Acabou por fazer com que hoje seja um André de 30 anos e não de 21".

As últimas temporadas de André Silva
As últimas temporadas de André SilvaFlashscore

A passagem pela Europa

Passagem pelas big 5: "Fui-me conhecendo ao estar em posições confortáveis e desconfortáveis, percebi que tipo de jogador era, adaptei-me a coisas que nunca achei que pudessem acontecer. É complicado dizer o que mudou de país para país, porque estive sempre em contextos diferentes, mesmo nos clubes. Lembro-me da fase inicial (no AC Milan) passei pelo desconforto de não estar em casa, num futebol com menos técnica e mais estático, tive que me adaptar. No resto das ligas dependia do contexto que o clube e a liga ofereciam".

Pico de forma na Alemanha: "Foi o momento em que estive dois anos seguidos num clube (Eintracht Frankfurt), nem no FC Porto estive de forma seguida dois anos. Isso permitiu-me estabilidade e que o melhor de mim saísse nessa altura".

Passagem por Espanha: "Foi tendo espaço e oportunidades na Liga espanhola, o momento mais estável foi no Elche, mas passei por algumas situações instáveis no meu percurso. É uma Liga em que as minhas capacidades se assemelham".

Sofrer ao ver o FC Porto à distância: "Sim, foi algo de que me afastei emocionalmente no início porque não me conseguia controlar estar longe e perto ao mesmo tempo. Isso permitiu-me ter uma estabilidade maior, mas sempre fui acompanhando".

Muitas mudanças no clube: "Só mudaram as pessoas, porque o que faz o clube são as tradições e os valores e isso está bem vincado. Todos os trabalhadores, alguns conhecidos da minha altura, mantêm os valores do clube".

A videochamada com Villas-Boas e Farioli:

Decisão rápida no regresso: "Ao longo da minha carreira não tinha expectativa para voltar pela situação do clube e da minha. Não surgiu essa oportunidade. Se passasse um minuto a pensar nisso, abalava-me um pouco. Nestes últimos anos tentei aproximar-me, os meus agentes sabiam qual era a minha primeira vontade, foi uma questão de surgir esse interesse da parte do clube. Soube 15 minutos antes da primeira vídeochamada que tivemos, foi uma surpresa enorme, fiquei a sonhar um pouco. Foi com o presidente André Villas-Boas e com o mister Farioli. Não esperava que acontecesse. Aconteceu no momento certo.

A conversa foi o mister a explicar-me a forma de jogar, o presidente mostrou a razão pela qual estavam a fazer a chamada, creio que já sabiam a minha vontade. Depois foi uma questão de contrato e números que foram rápidos de resolver". 

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Francesco Farioli: "É um treinador à FC Porto. Representa bastante bem os valores do clube e traz uma parte única, que é a sua personalidade. É bastante exigente, atento aos pormenores, e rigoroso no que pede. Procura bastante a união do clube, no trabalho, que sejamos um dentro e fora campo".

Surpreendeu o FC Porto do ano passado?: "O ponto mais forte que me salta à vista foi a estabilidade ao longo da época. Nunca baixaram de intensidade, estiveram sempre pontos para lutar pelos objetivos".

Ideia de jogo de Farioli: "Trabalha a equipa como um todo, é um bloco que defende e ataca junto, sem deixar o adversário respirar e nós também, precisamos da parte física e mental. Intensidade, união e trabalho".

Farioli avisou que FC Porto é um alvo a abater: "O que aconteceu, já aconteceu, já desfrutamos e aprendemos. Agora é trabalhar o dobro, somos o alvo a abater, temos a honra do clube para defender e trabalhamos pelo nosso orgulho, por nós, e contra todos os que nos quiserem tirar do nosso sítio."

Primeiro golo pela equipa principal: "Ainda me lembro, foi no Dragão. Passe do Brahimi, finto o guarda-redes e finalizo de pé esquerdo. Voltar foi sentir que estive cá ontem. Senti estes nove anos em cima, um peso bom de ter superado dificuldades e ter aprendido".

Pedidos dos adeptos e se tem sentido peso pela expectativa?: "Têm pedido para marcar golos, alguns deles até bastantes golos. Não sinto peso pela expectativa, é normal haver exigência no mundo do desporto, vivi com isso a carreira toda. Fez com que crescesse, que é exatamente o que procuro, faz parte e não sei se cresci assim ou aprendi a desfrutar, mas a verdade é que desfruto.

"Mora tem um talento enorme" e a blindagem a Diogo Costa

Sintonia com Rodrigo Mora: "Ao longo do tempo que o vi a crescer no FC Porto fez-me também lembrar o meu percurso e isso faz-nos sentir um pouco mais próximos. Temo-nos sentido bem, mas o mister varia bastante e aproveita estes tempos para ver como nos adaptamos aos diferentes processos. Dimensão do talento? Do que vi, tem um potencial enorme, com a idade que tem já faz coisas de grande qualidade. A forma como lida com a bola, independentemente da pressão, é muito fácil para ele".

Diogo Costa no Mundial: "Deixou uma imagem espetacular no Mundial, defendeu bem o clube onde está pela forma como é. Mostrou a qualidade que tem, é um guarda-redes de classe mundial, um dos melhores e estou orgulhoso pelo trabalho que fez. Aqui no FC Porto bastou ter ido cumprimentar toda a gente e essa presença em tempo de férias mostrou rigor e liderança como capitão. Se eu puder, ajudo a fechar os aeroportos e as estradas para não sair. Teve um Mundial acima da média".

"Seleção? Senti estranheza por não ser chamado"

Ausência da seleção com Roberto Martínez: "No início causou-me estranheza, nas últimas épocas não estive ao meu nível ou o contexto não ajudou. No início senti estranheza, mas respeito, os treinadores são os nossos líderes e, neste caso, cada um tem as suas ideias para trazer o melhor. O mister Martínez houve uma conversa no início, na sua chegada, a partir daí não houve mais conversa. Sofria com convocatórias? Havia sempre uma expectativa, tentava dar o meu melhor para que resultasse, mas eu sabia que não controlava, só esperava pelo momento". 

Percebia porque não era chamado?: "Não, o tempo e energia que demoramos a perceber certas situações... No início não percebi muito bem, mas depois a minha carreira não estava a produzir para isso. Mesmo nas situações que não percebia não depositei muito tempo e energia para perceber isso porque essas coisas tiram-nos do rumo que queremos".

Esperança com JJ no regresso ao FC Porto?: "Sim, porque não? Continua a ser um sonho representar a seleção, sinto que foi ontem que deixei de ir à equipa, tenho a sensação que faço parte do mesmo espaço. Sempre foi uma ambição minha".

Momentos de sinergia e elogios de Ronaldo na seleção: "Esses momentos marcam, já está no passado. Se pudesse acontecer agora, estaria orgulhoso. Naquele momento vinha numa trajetória em que passei de ser um miúdo para jogar com o Cristiano Ronaldo, que era o meu ídolo. Isso dava-me emoção e energia acima da média, corria para a equipa e ajudava-o, com isso criava oportunidades para que ele marcasse".

Campanha de Portugal no Mundial: "Tinha muita confiança pela qualidade que temos, mas é muito mais fácil falar depois de ver o resultado. A qualidade é inegável, visto de fora creio que poderíamos criar um pouco mais. Comparando a nossa qualidade com os quatro finalistas, creio que estamos no mesmo nível".

Partilhou balneário com campeões Mundiais pela Espanha: "Sim, Dani Olmo, Zubimendi, Mikel Merino e Oyarzabal. São jogadores de enorme qualidade, o que salientou foi a energia positiva no treino e o carácter para ganhar, é isso que nos faz chegar a grandes palcos e competir como se estivéssemos a competir no jardim. Isso ajuda a criar confiança nos companheiros e união de grupo".  

Jorge Jesus: "Ainda não tive a oportunidade de trabalhar com o mister, mas por onde passou sempre ganhou títulos, é um treinador com carisma e capacidade de trazer isso ao de cima". 

O aviso para a Supertaça e o número 19

Um dos capitães da próxima época: "Ainda não tinha pensado nisso, creio que ainda não foram mencionados. Ser capitão é algo que tem de ser merecido, o meu papel neste momento foi adaptar-me rápido e foi o clube mais fácil para isso acontecer. Continuar a dar o meu melhor para influenciar todos à minha volta e fazer coisas bonitas pelo clube".

Ambição na Supertaça: "Sabemos plenamente que uma final é uma final e queremos encarar todos os jogos da mesma forma. Sabemos como o Torreense chegou a esta Supertaça, o favoritismo é ganho dentro de campo. Temos que dar o nosso melhor e honrar o FC Porto".

A escolha pelo número 19 no regresso. André Silva usava o número 19, que depois passou para o Diogo Jota. Há uma carga simbólica?: "Sim, é isso tudo. Os números com que costumo jogar não estavam disponíveis e o 19 acaba por vir com o simbolismo de tudo isso. O meu primeiro golo foi com este número. Se assinava 19 golos no final da época? Não, eu tento chegar ao máximo e não quero falar em nenhum número".

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