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A França faz parte do lote de favoritos à conquista do título máximo e o ataque concentra a maior parte das atenções, tal é a sua aparente superioridade. No entanto, persistem dúvidas quanto ao equilíbrio global da equipa e os médios defensivos estarão especialmente expostos. Um estatuto de gigante, uma armada ofensiva apresentada como imparável, um jogo de abertura frente ao Senegal: tudo isto faz lembrar um regresso ao passado, com a diferença de que os Leões da Teranga venceram a CAN e raramente chegaram ao Mundial com tanta confiança e certezas quanto à sua capacidade de ir longe na competição. Ainda assim, parecem completamente afastados das contas, o que, é certo, rejuvenesce em 24 anos, mas também traz à memória recordações dolorosas para os adeptos franceses.
Inferioridade numérica no meio assumida
Ao que tudo indica, Aurélien Tchouaméni e Adrien Rabiot vão ser titulares frente ao Senegal. Na final da última CAN, Pape Thiaw apostou num 4-3-3 com Gana Gueye à frente da defesa, enquanto Lamine Camara e Pape Gueye jogaram mais adiantados, realizando um enorme trabalho de recuperação e compensação. Se G. Gueye regressou tarde aos treinos e a sua presença de início não está garantida, existem alternativas, já testadas nos últimos jogos particulares em março e antes do arranque da competição. Uma delas é o 3-4-3, como o utilizado frente à Gâmbia (3-1), e outra é o 4-2-3-1, que surgiu diante da Arábia Saudita (0-0), último teste antes de defrontar os Bleus.
Para Didier Deschamps, a dificuldade está em evitar que a equipa se veja sistematicamente em inferioridade numérica no meio-campo. Extremamente sólida na CAN, com apenas dois golos sofridos antes de fechar a porta a partir dos quartos de final, o Senegal conhece bem os seus pontos fortes e conseguiu aplicá-los em competição oficial.
Assim, o trabalho de recuo defensivo dos franceses será um fator essencial. Já foi dito várias vezes: há um Ousmane Dembélé no PSG e um Ousmane Dembélé na seleção francesa. Com a seleção, o seu papel depende menos do coletivo e mais do de Kylian Mbappé, que tem a missão de iniciar a pressão logo na saída de bola. Ora, Dembélé cumpre melhor essa função quando atua como avançado. E pressionar a quatro não é o mesmo que pressionar a três com três médios atrás para ajustar. Com um passe vertical, Tchouaméni e Rabiot podem ficar isolados, obrigados ou a antecipar-se, correndo assim um risco acrescido de abrir espaços, ou a chegar atrasados, o que pode originar bolas paradas e cartões amarelos.
Novos estatutos... em prejuízo do coletivo?
Nos últimos dois anos, muita coisa mudou: Dembélé tornou-se bicampeão europeu e Bola de Ouro, Désiré Doué marcou na final da Liga dos Campeões e foi eleito Golden Boy, Michael Olise tornou-se uma referência na Bundesliga e Mbappé passou a ser ponta de lança. Novos estatutos foram conquistados e o 4-3-3 transformou-se em 4-1-4-1, como frente à Costa do Marfim (1-2), ou em 4-2-3-1, como diante da Irlanda do Norte (3-1). À partida, será o 4-2-3-1 a ser privilegiado. Contra o Brasil (2-1), com Hugo Ekitiké antes da lesão, o sistema resultou, mas Dayot Upamecano foi expulso, precisamente devido aos espaços no meio-campo. Frente à Colômbia (3-1), os Bleus dominaram com uma equipa renovada e um duplo pivô N'Golo Kanté-Warren Zaïre-Emery.
No entanto, nos seus últimos 5 jogos, os Bleus sofreram sempre pelo menos um golo, incluindo frente ao Azerbaijão em novembro (1-3) e, ao longo da época, só conseguiram duas balizas invioladas em 9 partidas, contra o Azerbaijão (3-0 em outubro) e frente à Ucrânia (4-0 em novembro). Com uma competição que permite algum atraso no arranque e ainda oferece um jogo a eliminar extra, nada parece estar definido taticamente, sobretudo porque Deschamps não é propriamente Telê Santana. Mas, caso o selecionador opte por reforçar o meio-campo, será à custa de um avançado, o que levantará questões de ego nada desprezáveis dentro do balneário.
