Recorde as incidências da partida
Será que Ronaldo ou Modric iriam influenciar o percurso das suas seleções?
Os antigos colegas do Real Madrid, Cristiano Ronaldo e Luka Modric, estavam em lados opostos, e era provável que um deles estivesse a disputar o seu último jogo de sempre num Mundial, tendo em conta as respetivas idades (41 e 40 anos).
A 26.ª presença de Ronaldo em jogos defases finais do Mundial significava que apenas Lionel Messi (29) tem mais, com Modric logo atrás da lenda portuguesa, com 23.
Será que algum deles ainda conseguiria influenciar o desenrolar do jogo e provar o seu valor no calor da batalha, ou a sua inclusão acabaria por ser uma decisão de que algum dos treinadores se arrependeria?
Ronaldo teve, sem dúvida, um papel fundamental para levar Portugal até este ponto, tendo marcado dois golos na fase de grupos e liderado a tabela de marcadores da sua equipa.
Pressão inicial incessante de Portugal
Além disso, Roberto Martinez tinha conduzido a sua equipa a quatro vitórias e dois empates nos seis jogos anteriores, concedendo apenas três golos e marcando 12. Em contraste, a Croácia tinha vencido três e perdido três dos últimos seis, com oito golos marcados e 11 concedidos.
O jogo começou como era de esperar, com uma pressão incessante de Portugal, que registou 72% de posse de bola nos minutos iniciais.

Antes de estarem decorridos 10 minutos, já tinham somado quatro remates à baliza croata, obrigando jogadores como Marin Pongracic, Josip Sutalo e Josip Stanisic a ganharem 100% dos seus duelos para manterem os adversários afastados.
Quando os croatas conseguiram finalmente avançar, o remate disparatado de Ante Budimir aos 10 minutos – a sua primeira incursão ofensiva – resumiu bem as dificuldades da equipa.
Intervalo sem golos
Com Vitinha e João Neves a apresentarem percentagens de passes completos superiores a 90%, os médios estavam a dar uma excelente base para Rafael Leão e Nuno Mendes atacarem por um dos flancos, e João Cancelo pelo outro.
Bruno Fernandes também estava a causar muitos problemas pelo centro, e a única surpresa era o jogo continuar sem golos.

Ao intervalo, Portugal já somava nove remates à baliza, enquanto a Croácia não tinha feito qualquer remate enquadrado.
O facto de ainda estarem na discussão do resultado devia-se, em grande parte, ao trabalho de Mateo Kovacic, que viria a ganhar três dos cinco duelos individuais disputados, e de Stanisic, que venceu quatro em cinco, além de recuperar a posse em cinco ocasiões distintas.
Perisic desfaz o nulo
Tendo em conta que Budimir só tinha tocado na bola sete vezes em toda a primeira parte, Zlatko Dalic precisava de inverter a tendência, e uma clara aposta num 4-2-4 ofensivo rapidamente deu frutos.
Apenas três minutos após o reatamento, Kovacic conseguiu finalmente o primeiro remate enquadrado da Croácia, e seis minutos depois, Ivan Perisic colocou a equipa em vantagem com o seu único remate do jogo. Esse golo permitiu-lhe ultrapassar Davor Suker como o jogador com mais golos pela seleção croata (sete) na história dos Mundiais.
Portugal não tinha conseguido vencer nenhum dos últimos 11 jogos em que concedeu o primeiro golo na competição (desde a vitória sobre a Coreia do Norte a 23 de julho de 1966), por isso, quando Petar Sucic quase aumentou a vantagem, Martinez reagiu e ordenou uma quadrupla substituição à hora de jogo.
Logo no minuto seguinte, Nikola Vlasic cometeu uma das duas faltas que faria no encontro e, após análise do VAR, foi considerado que derrubou Renato Veiga na área, oferecendo a Ronaldo a oportunidade de empatar de grande penalidade.
Ronaldo marca o seu primeiro golo em fases a eliminar do Mundial
Foi o que fez, com o seu único remate enquadrado no jogo, garantindo o seu primeiro golo de sempre em fases a eliminar do Mundial, o que deu origem à já famosa celebração siiiiiuuuu.
Longe de abalar a Croácia, a equipa continuou a jogar ao ataque, com Kovacic, Modric e Sucic a colocarem 37 bolas na zona ofensiva só na segunda parte.
Infelizmente, a precisão nem sempre foi a melhor e, no caso de Sucic, apenas 58,3% desses passes chegaram ao destino pretendido.
Com Vlasic a tentar sete desarmes – mais do que qualquer outro em campo – e 13 duelos no solo, além de Modric recuperar a posse oito vezes (também o melhor registo de qualquer jogador), a Croácia mantinha-se por cima à medida que o jogo se aproximava do fim.
Gonçalo Ramos decide, mas a polémica instala-se
O remate enquadrado de Kovacic a 15 minutos do fim obrigou Diogo Costa à quinta defesa, e com o suplente Igor Mantanovic a causar muitos problemas na segunda parte graças aos seus três remates (nenhum croata fez mais) e sete toques na área, parecia que só havia um vencedor possível.
No entanto, a defesa croata desligou-se por um instante durante os 10 minutos de compensação e, nesse momento, Gonçalo Ramos conseguiu desviar de cabeça para o fundo das redes um cruzamento perfeito de Rafa Leão.
O único jogador português a vencer 100% dos duelos aéreos, dificilmente poderia ter escolhido melhor momento para colocar a equipa em vantagem.
Josko Gvardiol, que só entrou para a Croácia aos 90+2 minutos e cujo contributo se resumiu a sete toques na bola, ainda empurrou para o fundo das redes aos 114 minutos, mas quando os adeptos já se preparavam para o prolongamento, uma decisão polémica do VAR anulou o golo.
Foi duro para a Croácia, que perdeu depois de marcar o primeiro golo num jogo do Mundial pela primeira vez desde 12 de junho de 2014, frente ao Brasil.
Portugal tem agora de reagrupar-se e usar a intensidade demonstrada na primeira parte deste jogo frente à Espanha naquele que promete ser um duelo épico dos oitavos de final.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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