"A comissão de ética do COI constatou que, em conformidade com a Carta Olímpica, cada federação internacional mantém a sua independência e autonomia na sua governação", explicou o porta-voz, acrescentando que, consequentemente, "a queixa está fora da jurisdição" abrangida por esta comissão.
A ONG FairSquare anunciou no início de julho que recorreria a esta comissão do COI devido às "violações repetidas da neutralidade política" de Infantino, que demonstrou frequentemente a sua proximidade com o presidente norte-americano Donald Trump, chegando mesmo a elogiar a política interna do chefe de Estado.
O juramento proferido pela centena de membros do COI, do qual Infantino faz parte, obriga-os a agir com "independência de interesses comerciais e políticos", uma obrigação inscrita na Carta Olímpica.
Em fevereiro, o COI sacudiu a água do capote perante uma primeira polémica sobre a presença de Infantino no Conselho de Paz convocado por Trump, ao qual compareceu com um boné vermelho onde se lia "USA" e "45-47", números que designam os dois mandatos de Trump na Casa Branca.
"Compreendemos que a FIFA apoie, através do futebol, um vasto programa de investimento para relançar o desporto em Gaza, na Palestina, fornecendo infraestruturas desportivas, ações educativas e projetos de desenvolvimento de alto nível", declarou então um porta-voz do COI, considerando que a FIFA estava "no seu papel".
Infantino, no centro da polémica
No passado mês de dezembro, Infantino entregou pessoalmente um "Prémio da Paz" da FIFA ao presidente norte-americano, durante o sorteio do Mundial-2026.
Durante o Mundial na América do Norte, Trump vangloriou-se de ter telefonado a Infantino antes de a FIFA levantar a suspensão aplicada ao avançado norte-americano Folarin Balogun após um cartão vermelho.
Infantino garantiu ter respondido ao chefe de Estado norte-americano que os órgãos da FIFA eram "independentes".
Na quinta-feira, a presidente da Federação Norueguesa de Futebol, Lise Klaveness, indicou que iria apresentar uma queixa à comissão de ética da FIFA sobre a intervenção de Trump.
Esta reclamação poderá juntar-se a uma anterior, apresentada em junho pela mesma federação e pela FairSquare, relacionada com a "entrega pela FIFA do seu autodenominado Prémio da Paz", acrescentou Klaveness.
