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Certo é que um dos dois deverá ocupar a vaga deixada por Wesley no onze inicial, uma vez que o técnico italiano optou por reforçar o meio-campo com a chamada de Éderson, da Atalanta, para o Mundial, afastando a hipótese de chamar um lateral-direito de raiz, como Vitinho ou Paulo Henrique, que integravam a pré-lista de 55 jogadores.
A versatilidade de Ibañez surge como uma mais-valia para Ancelotti. Capaz de atuar tanto à direita como à esquerda do eixo da defesa, e até como lateral em caso de necessidade, o internacional brasileiro oferece várias soluções táticas. Depois da partida frente ao Egito, ficou a sensação de que aproveitou da melhor forma a oportunidade de se estrear como titular.
"É sempre bom jogar. Tenho essa versatilidade para atuar à direita, à esquerda ou no centro da defesa. Acho que hoje mostrei aquilo que já tinha dito: estarei pronto para ajudar no que o mister Ancelotti precisar. Creio que todos os jogadores do grupo têm algo para mostrar e algo para dar dentro de campo, e é isso que conta para nós", afirmou o defesa da seleção do Brasil na zona mista do Huntington Bank Field.
A experiência de Danilo na balança
No entanto, a experiência e a liderança de Danilo podem pesar numa eventual disputa direta pela titularidade, apesar de o jogador já não atuar regularmente como lateral-direito há vários anos, desde os tempos da Juventus. O regresso à posição aconteceu precisamente durante o encontro com o Egito e o internacional brasileiro respondeu com naturalidade ao desafio.
"Sentia-me bem, tranquilo. Na maioria das vezes, o futebol não tem grande segredo", afirmou Danilo após o jogo de preparação.
A transição definitiva de Danilo da lateral-direita para o centro da defesa consolidou-se na temporada 2022/23, ao serviço da Juventus. Sob o comando de Massimiliano Allegri, passou a ser utilizado de forma regular como defesa-central numa linha de três defesas.

Quando regressou ao futebol brasileiro para representar o Flamengo, o veterano também foi contratado para atuar como defesa-central, função que tem desempenhado de forma regular, tanto sob o comando de Filipe Luís como sob o de Leonardo Jardim. As suas raras aparições como lateral-direito aconteceram quase exclusivamente ao serviço da seleção do Brasil.

O declínio dos laterais no futebol brasileiro
A escassez de opções de referência para a posição transformou a lateral-direita da seleção do Brasil num reflexo de uma crise silenciosa, evidenciada pelo facto de a equipa recorrer a um defesa-central adaptado e a um antigo lateral convertido em central em pleno Campeonato do Mundo.
Este declínio torna-se evidente quando comparado com o passado recente. Desde a conquista do pentacampeonato, em 2002, quando o Brasil contava com a genialidade de Cafú, que também capitaneou a equipa no Mundial de 2006, e com uma alternativa de luxo como Belletti, a posição sofreu uma acentuada perda de qualidade e profundidade.

Nos Mundiais de 2010 e 2014, a posição foi ocupada pela potência de Maicon e pela qualidade de Daniel Alves, que ainda regressaria como o veterano da posição em 2022, depois de o torneio de 2018 ter contado com Fagner e o próprio Danilo como opções para o lado direito da defesa.
A atual necessidade de recorrer a adaptações em pleno Campeonato do Mundo expõe o enorme contraste entre a era em que o Brasil tinha alguns dos melhores laterais-direitos do planeta e a realidade atual, marcada pela falta de soluções consolidadas para a posição.

