A FIFA já iniciou conversações com as autoridades norte-americanas relativamente aos planos para 2029, avançou o jornal inglês The Guardian esta quinta-feira.
No entanto, os coorganizadores do Mundial ainda não formalizaram oficialmente uma candidatura, uma vez que os detalhes e critérios do processo de seleção das cidades anfitriãs ainda não foram confirmados pelo organismo que tutela o futebol.
O entusiasmo dos Estados Unidos assenta em bases financeiras sólidas: a FIFA praticamente duplicou o seu recorde histórico de bilheteira ao vender 6,5 milhões de bilhetes neste Mundial, e espera-se que a organização ultrapasse o objetivo de receitas de 11 mil milhões de dólares.
Graças aos rendimentos gerados pelo Mundial, a federação vê com muito bons olhos a possibilidade de os Estados Unidos receberem um novo torneio, acrescentou o Guardian. Importa recordar que uma candidatura conjunta e sem oposição entre os Estados Unidos, México, Costa Rica e Jamaica para acolher o Mundial Feminino 2031 deverá ser ratificada pela FIFA até ao final do ano.
Fator Trump
A grande proximidade entre a FIFA e o governo norte-americano ficou evidente esta semana no episódio envolvendo o avançado Folarin Balogun. Donald Trump revelou publicamente ter pedido ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, para rever a expulsão do jogador durante a vitória dos Estados Unidos frente à Bósnia-Herzegovina.
Trump deixará o cargo em janeiro de 2029, alguns meses antes do início do Mundial de Clubes, mas ainda será presidente no momento em que for tomada a decisão sobre o país anfitrião. A FIFA ainda não fez qualquer anúncio oficial sobre o calendário de seleção, mas a decisão é esperada para o próximo ano, muito provavelmente após as eleições presidenciais da organização em abril.
Mudanças para o Mundial e concorrência do Brasil
Os Estados Unidos receberam a primeira edição da Super Mundial de Clubes em 2025 sem necessidade de votação, na sequência de uma decisão unânime do Conselho da FIFA em junho de 2023.
O mercado esperava inicialmente que o torneio de 2029 fosse atribuído a dois dos países anfitriões do Mundial 2030 - mais provavelmente à Espanha e ao Marrocos -, mas a concorrência internacional é forte. O Brasil já manifestou interesse em acolher a competição, e o Qatar também está atento à situação.
Fatores que jogam a favor dos norte-americanos:
Expansão do torneio: a vontade da FIFA de alargar o Mundial de Clubes para 48 equipas em 2029 — uma ideia apoiada pelos grandes clubes europeus — cria uma complexidade logística que favorece a infraestrutura norte-americana.
Retorno financeiro: organizar um torneio na América do Norte é a opção mais rentável para a FIFA. A organização sentiu-se confortada na sua estratégia agressiva de preços dos bilhetes durante o atual Mundial, que registou lotação esgotada na maioria dos jogos.
Além disso, a FIFA testou com sucesso o modelo de preços dinâmicos no Mundial de Clubes do ano passado, gerando 411 milhões de dólares em receitas de bilheteira e hospitalidade, provando que o mercado norte-americano é extremamente lucrativo.
