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"Temos de acreditar que podemos ser campeões do mundo", disse o treinador de Marrocos, Mohamed Ouahbi à sua equipa faminta. O campeão africano procura, na noite de quinta-feira (21:00), vingar-se da derrota sofrida na meia-final do Mundial frente aos franceses, em 2022, e quer provar que o feito inédito não foi obra do acaso.
Marrocos, advertiu o selecionador francês Didier Deschamps recentemente, de forma veemente, é "uma das melhores seleções do mundo".
Parece incrível, mas a ascensão marroquina no Mundial-2026 tem, curiosamente, o selo "Made in France". Nada menos do que seis jogadores dos "Leões do Atlas" nasceram no país bicampeão do mundo. Entre eles, destaca-se o jovem talento de apenas 18 anos, Ayyoub Bouaddi, nascido perto de Paris e formado em França.
Marrocos chegou ao topo?
Ainda em março, a jovem estrela do Lille era capitão da seleção sub-21 dos Bleus – na quinta-feira, espera-se que este talento ajude ativamente a travar a ofensiva de luxo francesa composta por Mbappé, Michael Olise e Ousmane Dembele.
"O tesouro perdido", titulou o L'Equipe na terça-feira sobre Bouaddi, que simboliza a nova geração de internacionais marroquinos.
Gernot Rohr é alguém que acompanha de perto a evolução dos norte-africanos. Há 16 anos que o germano-francês trabalha como selecionador de várias nações do continente e considera o sexto classificado do ranking mundial "já ao mais alto nível internacional".
A dupla nacionalidade de muitos jogadores é, segundo ele, uma das razões para o sucesso recente dos marroquinos, cuja formação venceu também o Mundial sub-20 no ano passado.
Muitos nasceram no estrangeiro
Na atual seleção principal, além dos seis "franceses", há seis internacionais nascidos em Espanha, três nos Países Baixos, três na Bélgica e um no Canadá. No triunfo seguro nos oitavos de final frente a uns canadianos sem argumentos (3-0), nada menos do que dez (!) jogadores titulares nasceram fora do país. Curiosamente, o treinador Ouahbi cresceu na Bélgica.
O segundo jogo oficial entre ambas as nações na história traz ainda mais emoção. Em 1912, Marrocos perdeu a sua independência devido ao tratado de protetorado assinado pelo sultão com França, que só recuperaria, após longos e penosos 44 anos. O francês tornou-se a língua oficial em todas as estruturas administrativas e instâncias políticas, e a população desenvolveu uma forte aversão à potência colonial.
Distúrbios em França?
A polícia francesa deverá, mais uma vez, preparar-se para uma noite agitada. Em 2022, cerca de 10.000 agentes estiveram no terreno para evitar confrontos entre adeptos. Com até dois milhões de pessoas de origem marroquina a viver em França, não se pode excluir a possibilidade de novos incidentes.
Em termos desportivos, Rohr espera um "jogo equilibrado. Acredito que será um resultado muito renhido. Já há quatro anos foi difícil para a França", recorda, referindo-se ao encontro que a Équipe Tricolore venceu no Catar por 2-0, "e agora será ainda mais complicado".
Ainda assim, Rohr aposta numa vitória apertada dos europeus. "A França consegue vencer no prolongamento", afirma.
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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