A cidade que tornou Rocky Balboa famoso, o carismático pugilista interpretado no grande ecrã por Sylvester Stallone, orgulha-se de oferecer transportes, alojamentos e refeições considerados acessíveis.
Os seus preços parecem ser um verdadeiro alívio, sobretudo após a polémica decisão da empresa de transportes de Nova Jérsia de multiplicar por oito o custo do comboio, até aos 105 dólares, para os adeptos que se desloquem ao MetLife Stadium, nos arredores de Nova Iorque.
Por outro lado, quem for ao Lincoln Financial Field, em Filadélfia, só terá de pagar 2,90 dólares (cerca de 2,50 euros) por uma viagem de metro. O regresso será até gratuito, graças a um acordo com a Airbnb.
"Queremos garantir que continua a ser acessível e económico para os adeptos (...) Se cobrarmos um preço exorbitante pelo transporte, então excluímos todo um setor da população", explica à AFP a vice-presidente da câmara, Vanessa Garrett Harley.
Onze cidades norte-americanas vão acolher jogos da maior competição de futebol, coorganizada pelos Estados Unidos, Canadá e México.
O torneio arranca a 11 de junho e termina a 19 de julho.
Hotel a 400 dólares
O receio de custos demasiado elevados levou a FIFA a anunciar um fundo adicional de 100 milhões de dólares para ajudar as 48 seleções participantes a cobrir as suas despesas, depois de as federações terem manifestado preocupação com eventuais perdas financeiras.
O preço elevado dos bilhetes, muito acima do praticado no Mundial-2022, revolta adeptos que já enfrentam custos significativos, sobretudo nas megacidades de Nova Iorque e Los Angeles.
Para os adeptos sem bilhete, Filadélfia vai oferecer um "festival de adeptos" gratuito durante todo o Mundial. Todos os dias, 15.000 pessoas poderão assistir ali aos jogos, com bancas de comida e atividades de animação.
A cidade, com 1,6 milhões de habitantes, enfrentou durante muito tempo taxas elevadas de criminalidade, mas as autoridades garantem que os homicídios diminuíram consideravelmente nos últimos anos.
Na reta final para o início do Mundial, Filadélfia entrou numa autêntica corrida contra o tempo, com obras rodoviárias em vários pontos e ainda andaimes na grande estação de 30th Street, que se prepara para receber uma afluência significativa de visitantes.
No entanto, confia plenamente em tirar partido da situação, numa altura em que os preços dispararam noutras zonas dos Estados Unidos.
"Ainda é possível encontrar um hotel de gama média em Filadélfia por volta de 4 de julho por cerca de 400 dólares por noite, e 200 dólares por um quarto básico", refere Anne Ryan, vice-secretária do gabinete de turismo do estado da Pensilvânia.
Apesar de elevados, os preços continuam abaixo dos registados noutras cidades-sede.
Uma investigação do The Athletic revelou que as tarifas dos quartos de hotel em Houston aumentaram 457% para o seu primeiro jogo do Mundial e 364% em Kansas City. Em Filadélfia, o aumento mantém-se significativo, mas mais moderado, de 198%.
Impacto económico milionário
Anne Ryan garante que "não haverá preços abusivos nos hotéis" e considera que Filadélfia oferece a melhor relação qualidade-preço dos Estados Unidos.
"Simplesmente não há termo de comparação", afirma.
"Filadélfia é uma cidade trabalhadora, uma cidade dura, uma cidade operária, e temos muito orgulho nisso", sublinha por sua vez Meg Kane, responsável pela organização da competição na primeira capital dos Estados Unidos.
A cidade dispõe de uma oferta gastronómica capaz de "se adaptar a todos os níveis de preços", destaca, o que permite "que pessoas de contextos socioeconómicos muito diferentes possam aqui viver uma experiência de Mundial".
A viagem desde a cidade, situada entre Nova Iorque e Washington, até ao estádio de Nova Jérsia, que vai receber oito jogos, incluindo a final, também é "muitas vezes muito mais fácil de fazer" do que a partir de Manhattan, assegura.
Filadélfia vai acolher seis jogos no seu renovado estádio de futebol americano, incluindo um encontro dos oitavos de final a 4 de julho, dia em que os Estados Unidos celebram o Dia da Independência.
No total, os organizadores estimam que o torneio deverá atrair cerca de 500.000 visitantes à área metropolitana, repartidos de forma equitativa entre norte-americanos e estrangeiros.
De acordo com a Econsult, esta grande montra do futebol deverá gerar um impacto económico de 700 milhões de dólares para a região.
