O técnico Julian Nagelsmann, que assumiu a equipa ainda antes do Euro-2024, promoveu uma mudança tática e de mentalidade. A sua equipa procura solidez defensiva e um jogo mais objetivo, afastando-se um pouco da posse de bola improdutiva de ciclos anteriores.
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Nas qualificações europeias para o Mundial-2026, a Alemanha confirmou o seu favoritismo, garantindo a vaga direta no Grupo A com cinco vitórias em seis jogos. Foram 16 golos marcados e apenas três sofridos.
Apesar dos bons números recentes, a confiança ainda é cautelosa. Quem detalha esse momento é o ex-avançado Cacau, um dos três brasileiros na história a jogarem pela seleção alemã.
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"A Alemanha ainda está a encontrar-se, por N motivos, alguns jogadores lesionados, alguns jogadores fora de forma. Vejo a Alemanha na segunda linha de favoritos. Acredito que tem jogadores talentosos, que pode dar trabalho caso encaixe e encontre uma formação ideal para que os jogadores possam entrar com as suas qualidades", avaliou Cacau em entrevista exclusiva ao Flashscore.
A Mannschaft vai disputar o seu 21.º Mundial e tentar ganhar o seu primeiro título desde a conquista no Brasil em 2014.

Estilo de jogo
A equipa de Nagelsmann chega ao Mundial baseada num esquema 4-2-3-1, que pode variar para um 3-4-3 com bola e um 4-4-2 sem ela.
Diferente das equipas de Hansi Flick ou Joachim Löw, a atual seleção joga com um pouco menos de risco na posse de bola, dando prioridade a transições rápidas e verticais, e à pressão na saída de bola do adversário.

O sistema é construído em torno de peças versáteis. O avançado Havertz pode jogar a 9 ou aberto pela direita. Lennart Karl pode jogar pelo meio ou pelos flancos. O capitão Kimmich, que também é médio, tem sido utilizado na lateral direita, enquanto o meio-campo dá liberdade para o talento de Wirtz e Musiala.
A defesa, formada por Tah e Schlotterbeck ou Rüdiger no centro, conta com Pavlovic na posição de médio mais recuado – oferecendo uma solidez que liberta o lateral-esquerdo Raum para ser profundo no ataque.
Quem é a estrela da equipa?
Segundo Cacau, o grande nome da Alemanha para o Mundial é Florian Wirtz, médio ofensivo do Liverpool.
"Devido ao tempo de lesão que o Musiala teve, eu acredito que o Wirtz é a estrela da equipa — um jogador que tem uma qualidade ofensiva absurda, um jogador que também sabe defender, que volta para recuperar a bola e faz a equipa jogar. Eu acredito que o jogo da Alemanha vai passar, consequentemente, pelos seus pés", explicou a lenda brasileira do Estugarda.
Nas seis partidas da qualificação, Wirtz marcou um golo e fez duas assistências, atingindo nota média de 8,0 no Flashscore.
O ex-jogador do Leverkusen tem ao todo 10 golos em 39 partidas pela seleção, mas a sua primeira temporada no Liverpool não foi entusiasmante (sete golos em 46 jogos).

Candidato a surpresa
Um dos novos candidatos a craque da Alemanha no Mundial vem da formação do Bayern de Munique: Lennart Karl. O médio ofensivo canhoto, de apenas 18 anos, que recentemente se tornou o jogador mais jovem do Bayern a marcar na Liga dos Campeões, ganhou espaço na lista final de Nagelsmann.
"Eu acredito que a grande surpresa, que já não é assim tão surpresa, é o Lennart. Um jovem talento que, tanto no Bayern quanto na seleção, entra no jogo com personalidade, com qualidade no pé esquerdo, vai no um contra um. Tem aquilo que é preciso hoje no futebol mundial e a Alemanha também precisa", destacou Cacau, que disputou o Mundial-2010.

Como é o ambiente de Mundial na Alemanha?
A Alemanha respira futebol. As suas ligas nacionais têm uma das maiores médias de público do mundo, mas o clima de Mundial no país é bastante sui generis.
Devido ao passado nazi, os símbolos nacionais são usados com muita cautela. É raro ver ruas pintadas com as cores do país, ou bandeiras na janela. No entanto, conforme as gerações de adeptos se sucedem, o Amarelo-Preto-Vermelho ganha mais adeptos.

Outra característica do país é que se trata de uma nação com muitos imigrantes – característica que tem vindo à tona durante o Mundial. Em alguns bairros de Berlim, por exemplo, as celebrações de vitórias da Turquia são muito mais barulhentas do que as da Alemanha.
“Não é como no Brasil, realmente, mas ainda assim é muito mais demonstrado do que foi antes do Mundial-2006", contou Cacau, lembrando que a vitória dramática sobre a Polónia no Mundial jogado em casa mudou um pouco a relação dos alemães com os seus símbolos nacionais.
“Eu tenho a impressão que, conforme as gerações vão mudando, essa rejeição, essa insegurança, como citou, vai também ficando um pouco para trás. Muitos jovens acabam por se querer também identificar. Hoje a Alemanha é muito globalizada, muitos países dentro do país, então é um croata, é um turco com a bandeira e o alemão não quer ficar atrás", completou o ex-atacante brasileiro.
"A Alemanha é um pouco mais moderada na hora de torcer (do que o Brasil). Claro, os amantes de futebol discutem ali quem vai jogar, quem não vai, mas a febre na população para o Mundial começa com o primeiro jogo da Alemanha. Então, é importante uma boa estreia para o alemão entrar no ritmo de Mundial", finalizou Cacau.

Registo contra os rivais de 2026
A Mannschaft tem Curaçao, Costa do Marfim e Equador no seu grupo do Mundial-2026.
Do trio, apenas a seleção sul-americana já cruzou com os alemães num Mundial: foi na fase de grupos de 2006 e a Alemanha venceu por 3-0. Os dois conjuntos jogaram também um particular em 2013, com vitória europeia por 4-2.
Contra a Costa do Marfim, o único encontro foi um amigável em 2009 que terminou 2-2.
Já Curaçao será um rival inédito.

Calendário da Alemanha no Mundial-2026
14/6 (domingo)
• 18:00 - Alemanha - Curaçao (Houston)
20/6 (sábado)
• 21:00 - Alemanha - Costa do Marfim (Toronto)
25/6 (quinta-feira)
• 21:00 - Equador - Alemanha (Nova Jersey)
