Flashback: Quando a França de Deschamps foi eliminada logo na fase de grupos na Suécia

França foi eliminada do Euro-1992 pela Suécia
França foi eliminada do Euro-1992 pela SuéciaBildbyran / Sipa USA / Profimedia

34 anos após o trauma do Euro-1992, Didier Deschamps volta a encontrar a Suécia no seu caminho durante o Mundial-2026. Na altura, o jovem médio viveu em campo o fiasco de uma geração tricolor que era favorita e estava invicta. Agora no banco, o selecionador dos Bleus pretende usar os fantasmas do passado como o melhor antídoto contra o excesso de confiança.

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10 de junho de 1992. No Råsunda Stadion de Solna, a poucos quilómetros de Estocolmo, uma equipa da França chegava ao relvado para o jogo de abertura do Euro, depois de um percurso de qualificação histórico. Em campo, um médio de 23 anos, titular, que ainda não imaginava que este torneio se iria transformar num fiasco. Chamava-se Didier Deschamps. 34 anos depois, volta a cruzar-se com a Suécia, mas desta vez a partir do banco de suplentes.

Sob o comando de Michel Platini, os Bleus fizeram uma qualificação perfeita: 8 jogos, 8 vitórias, incluindo triunfos em Espanha e na Checoslováquia, e apresentavam-se, com uma série de 19 jogos sem perder, entre os grandes favoritos à conquista do troféu. O contexto era favorável: Jean-Pierre Papin era o detentor da Bola de Ouro, o primeiro (e até hoje único) francês a recebê-la enquanto jogava num clube francês, e Éric Cantona acabava de ser campeão de Inglaterra pelo Leeds United. Com Deschamps, Blanc e Petit no plantel, este torneio marcava a transição entre a geração campeã da Europa em 1984 e a dos futuros campeões do mundo em 1998.

A França apresentava-se assim na Suécia como favorita natural. E foi precisamente aí que começaram os problemas.

Um jogo de abertura para esquecer

No meio-campo, Deschamps e Sauzée garantiam a recuperação, mas cabia-lhes também a tarefa de levar a bola para a frente e tiveram dificuldades em acertar no último passe. Os Tricolores sofreram o primeiro golo logo aos 24 minutos: Jan Eriksson cabeceou para o fundo da baliza após um canto de Anders Limpar. O empate surgiu graças a uma inspiração de Platini: lançou o pequeno médio Christian Perez, que descobriu Papin em profundidade. O Bola de Ouro não deu hipótese a Thomas Ravelli, 1-1. Klas Ingesson ainda acertou no poste e as duas equipas acabaram por se contentar com o empate.

Este empate inaugural frente à Suécia ainda não era fatal. Mas instalava uma dúvida que os Bleus nunca conseguiram dissipar. Depois de um 0-0 estéril contra a Inglaterra, a França via-se obrigada a vencer a Dinamarca. E foi aí que surgiu a imagem mais reveladora da confiança cega que reinava no campo francês: no final do jogo com a Inglaterra, Jean-Pierre Papin levantou os braços em sinal de vitória, apesar do empate a zero. Este gesto desajeitado revelava a certeza que animava os Bleus, convencidos de que iriam vencer a Dinamarca no terceiro jogo. Uns dinamarqueses que, recorde-se, tinham sido chamados dez dias antes do início do torneio para substituir a Jugoslávia, excluída devido à guerra civil.

A eliminação que não podia acontecer

Os dinamarqueses marcaram logo aos 8 minutos por Henrik Larsen. Papin empatou após um toque de calcanhar de Jean-Philippe Durand. Os Bleus estavam virtualmente apurados... até ao minuto 78, quando Lars Elstrup bateu Bruno Martini. A França despediu-se do torneio sem qualquer vitória, eliminada por uma equipa que há duas semanas estava a preparar as férias.

Platini reconheceu com lucidez a sua quota-parte de responsabilidade: "Devia ter mudado tudo, mas na prática era impossível." A sua tática do bloco defensivo, eficaz na qualificação, revelou-se limitada no pior momento. Alguns jogadores até consideravam que ele já tinha desistido antes do início do torneio. Anunciou a sua demissão de imediato, no dia em que a França foi escolhida para organizar o Mundial-1998.

Uma situação bem diferente em 2026

A equipa de França de 2026 pouco tem a ver com aquela que chegou ao Euro-92 inchada de confiança. Três vitórias, dez golos marcados, dois sofridos, nove pontos: os Bleus afirmaram-se como favoritos sólidos nesta fase de grupos do Mundial. O estatuto de favorito, desta vez, é merecido.

Mas é precisamente aqui que a história pessoal de Deschamps ganha todo o sentido. Em 1992, estava no relvado quando uma França no auge da confiança foi eliminada por uma equipa teoricamente inferior. Sabe, melhor do que ninguém, que a Suécia num grande torneio nunca é um adversário fácil, mesmo quando os Blågult chegam pela porta pequena. Terceiros do grupo F com quatro pontos, os suecos perderam por 5-1 com os Países Baixos, mas também golearam a Tunísia (5-1) e empataram com o Japão (1-1). São equipas que sabem reagir. Deschamps não esqueceu. A memória do jogador de 23 anos que foi no Råsunda, em 1992, pode ser o melhor antídoto contra a displicência tricolor.