O duelo fatídico
As meias-finais da fase final em Espanha colocaram frente a frente a Alemanha Ocidental e a França, liderada pelo lendário Michel Platini. Não havia um favorito claro neste encontro, o que aumentava ainda mais as expectativas dos adeptos. No entanto, após o apito final, falou-se mais da falta violenta do que da equipa apurada...
O momento decisivo surgiu na segunda parte, quando o defesa suplente Patrick Battiston, que estava em campo há apenas dez minutos, correu para uma longa assistência de Platini. No instante em que tentou finalizar, chocou violentamente com o guarda-redes alemão Harald Schumacher, que o atingiu com o corpo sem qualquer intenção de jogar a bola. Battiston perdeu imediatamente os sentidos com o impacto e ficou imóvel no relvado.
Platini admitiu depois que pensou que o seu colega tinha morrido. Battiston ficou sem dois dentes, sofreu três costelas partidas e lesões nas vértebras. O mais chocante foi o facto de o guarda-redes alemão não ter sido expulso após esta entrada perigosa e o árbitro neerlandês Charles Corver nem sequer ter assinalado falta.
O jogo, por si só, foi extremamente dramático. Após o empate 1-1 no tempo regulamentar, a França adiantou-se para 3-1 no prolongamento, mas a Alemanha Ocidental conseguiu igualar para 3-3. O vencedor foi decidido nas grandes penalidades, onde os alemães foram mais eficazes.
Consequências
O incidente com Battiston tornou-se um símbolo da falta de proteção dos jogadores no futebol daquela época. A entrada de Schumacher é ainda hoje considerada um dos momentos mais brutais da história do desporto e teve um impacto profundo na sua reputação. Por outro lado, este episódio contribuiu para mudanças graduais na avaliação de entradas perigosas e para uma maior preocupação com a saúde dos jogadores no futebol moderno.
O próprio guarda-redes alemão não melhorou a sua imagem após o jogo, ao afirmar de forma irónica que pagaria o dentista a Battiston. Mais tarde, defendeu-se dizendo que não viu a situação como falta e que estava concentrado no jogo, mas uma parte do público nunca mais o olhou da mesma forma.
"Lembro-me de correr atrás da bola e querer fazer um chapéu. Depois disso, nada. Só recuperei os sentidos no hospital. Quando acordei, não me recordava de nada. Disseram-me que tinha perdido dentes e sofrido uma concussão. Nunca quis transformar o Harald Schumacher num inimigo para a vida toda. No futebol, estas coisas acontecem, embora esta tenha sido muito dura", disse Battiston. O alemão pediu-lhe desculpa pessoalmente mais tarde e o francês aceitou.
Regresso vitorioso
Battiston conseguiu regressar aos relvados passados alguns meses e, de forma notável, continuou a jogar ao mais alto nível. Com a camisola da França, celebrou o triunfo no Euro-1984 e representou o seu país também no Mundial-1986, onde terminou em 3.º lugar. No total, disputou 56 jogos pelos Bleus e marcou três golos.

