Os Socceroos habituaram-se a garantir a qualificação para o maior palco do futebol mundial, tendo marcado presença nas últimas seis edições do torneio e alcançado os oitavos de final pela segunda vez no Catar, há quatro anos.
Apesar da escassez de jogadores de classe mundial, conseguiram alcançar novos patamares no Catar sob o comando do antigo treinador Graham Arnold, vencendo vários jogos pela primeira vez depois de terem passado pela qualificação através de um play-off intercontinental.
Com o benefício de um torneio alargado a 48 equipas, a qualificação para a América do Norte foi relativamente tranquila sob o comando do treinador Tony Popovic, o que permitiu à equipa técnica ter bastante tempo para preparar tudo.
Os adeptos em casa estão cheios de expectativas, mas a Austrália encontra-se num grupo complicado com os coanfitriões Estados Unidos, uma Turquia em recuperação e os quartos-finalistas de 2010, Paraguai.
A equipa de Popovic não conta com mais jogadores de elite do que a de Graham Arnold, mas apresenta a mesma confiança.
"Não estamos à espera, acreditamos mesmo que podemos ir mais longe do que qualquer equipa dos Socceroos até hoje", afirmou o experiente médio Jackson Irvine à Reuters.
Desde que substituiu Arnold a meio do ciclo do Mundial, Popovic tem procurado talento em todas as frentes.
Apesar de continuar a confiar em jogadores experientes como o guarda-redes Mat Ryan, o plantel está repleto de estreantes em Mundiais e jovens promessas, como o lateral Jordan Bos e o extremo Nestory Irankunda.
Uma das últimas novidades no grupo foi o antigo internacional sub-20 de Itália, Cristian Volpato, que joga no Sassuolo, da Serie A e, sendo cidadão de ambos os países, optou por representar a Austrália na semana passada.
Os Socceroos mantêm a mesma fisicalidade e combatividade que tinham com Arnold, mas agora estão ainda mais ligados à estrutura e organização defensiva sob o comando de Popovic.
Isso pode ser uma vantagem na fase de grupos, mas poderá revelar-se menos eficaz nas fases a eliminar, quando os golos costumam ser mais difíceis de conseguir.
A Austrália tem conseguido adaptar-se sem um verdadeiro ponta de lança de referência desde os tempos áureos de Tim Cahill e não dispõe de médios de topo para servir os seus avançados.
Há grande entusiasmo em torno de Irankunda, de 20 anos, e do avançado Mohamed Toure, de 22, que têm dado nas vistas nos seus clubes, no segundo escalão inglês.
Esperar que sejam eles a levar a Austrália aos oitavos de final com uma chuva de golos pode ser pedir demasiado, mas o antigo avançado dos Socceroos, Archie Thompson, acredita que a dupla, nascida em África, pode dar nas vistas.
"Estes jovens jogadores são um fator X", afirmou Thompson, que marcou 28 golos em 54 jogos internacionais, à Reuters.
"Podem chegar ao palco mundial e dominar. Ou talvez só o consigam fazer noutro Mundial, quando estiverem mais maduros", acrescentou.
