Na sua estreia em Mundiais, os Tubarões Azuis destacaram-se como uma das equipas surpresa do torneio, depois de conseguirem empates frente a duas potências do futebol.
No jogo de abertura frente aos antigos campeões do mundo Espanha, a equipa de Bubista segurou um empate sem golos em Atlanta. O experiente guarda-redes Vozinha foi a grande figura do encontro, ao realizar sete defesas decisivas que mantiveram os espanhóis em branco e lhe valeram o prémio de Homem do Jogo.
Cabo Verde deu seguimento a esse resultado com um impressionante empate 2-2 frente ao Uruguai no Hard Rock Stadium, em Miami Gardens, com golos de Kevin Pina e Helio Varela.
Para Tavares, uma das lendas do futebol cabo-verdiano, o significado das conquistas da equipa vai muito além dos resultados dentro das quatro linhas.
"Todos estão encantados com a forma como a nossa seleção tem jogado até agora neste Mundial e, sem querer parecer presunçoso, posso dizer-lhe que o futebol em Cabo Verde renasceu”, afirmou Tavares ao Flashscore.
“Só disputámos dois jogos, mas o que os nossos jogadores alcançaram é muito maior do que o futebol. Mostraram ao mundo que conseguimos competir ao mais alto nível".
“Antes do nosso jogo com a Espanha, muitos duvidavam do que poderíamos fazer, mas agora podem ver o resultado. Claro que ninguém esperava que chegassem tão longe, mas acreditaram em si próprios desde o início".
Cabo Verde pode seguir o exemplo do Senegal
Os Tubarões Azuis somaram dois pontos nos dois primeiros jogos do Grupo H e ocupam atualmente o terceiro lugar da classificação. Um resultado positivo no último jogo do grupo pode garantir a passagem à fase a eliminar.
Tavares afirmou que a equipa está motivada para replicar a notável campanha do Senegal no Mundial-2002, na Coreia do Sul e no Japão.
Os Leões de Teranga surpreenderam os campeões em título França no jogo inaugural, antes de avançarem até aos quartos de final, onde a Turquia terminou a sua caminhada após prolongamento.
“Esta equipa faz-me lembrar muito o Senegal de 2002. Ninguém esperava que conseguissem o que conseguiram, mas acreditaram em si próprios desde o primeiro dia. Cabo Verde chegou a este Mundial com a mesma mentalidade”, continuou.

"Quando se vem de uma nação de futebol mais pequena, existe uma certa liberdade que advém das baixas expectativas. A pressão está sempre do lado das equipas maiores. Os nossos jogadores entraram em campo sem nada a perder e tudo a ganhar".
"O que mais me impressionou não foram apenas os resultados, mas a crença. Respeitamos os nossos adversários e nunca nos deixamos intimidar por eles", acrescentou.
Vozinha e companhia vão inspirar a próxima geração
Tavares acredita também que jogadores como o guarda-redes Vozinha, Pina e Varela tornaram-se exemplos para os jovens futebolistas em todo o Cabo Verde.
"Estes jogadores conquistaram respeito pelas suas exibições e mostraram que Cabo Verde pertence a este palco", acrescentou.
"O que Vozinha e os seus colegas alcançaram não é apenas motivo de orgulho nacional, mas também uma base para as gerações futuras. O seu legado será medido não só por terem jogado no Mundial, mas pelo número de jovens cabo-verdianos que inspirarem a seguir-lhes as pisadas".
"Os jovens de todas as ilhas vão agora acreditar que podem sonhar mais alto. As suas conquistas vão incentivar mais crianças e adolescentes a dedicarem-se ao futebol e a perseguirem os seus sonhos com confiança", assegurou.
Cabo Verde vai defrontar a Arábia Saudita em Houston na sexta-feira, sabendo que uma vitória garante a passagem à fase a eliminar.
Tavares quer que os Tubarões Azuis encarem o jogo com a mesma liberdade e confiança que têm marcado a sua campanha até agora.
"Não temos nada a perder. Quero incentivar os jogadores a desfrutarem e a aproveitarem o momento. Já deixaram a nação orgulhosa, mas a nossa caminhada ainda não terminou. Devem entrar em campo a acreditar em si próprios, tal como fizeram ao longo de todo o torneio", afirmou.
