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Os senegaleses e o seu capitão Aliou Cissé surpreenderam na Coreia do Sul e no Japão, ao vencerem por 1-0 a equipa da França, então campeã do mundo, no jogo inaugural da competição, antes de serem eliminados nos quartos de final pela Turquia (1-0).
Por ironia do destino, os companheiros de Sadio Mané, que desde o jogo de preparação perdido frente aos Estados Unidos por 3-2, no domingo, tornou-se o quarto melhor marcador africano do século XXI graças a um bis, vão reencontrar os Bleus, um dos favoritos ao título no Mundial americano, na sua estreia na competição, a 16 de junho, no Metlife Stadium, nos arredores de Nova Iorque.
"Tudo isso faz parte do passado", acredita o antigo capitão senegalês Mamadou Niang, muito próximo do grupo atual.
"É uma nova geração e alguns nem sequer tinham nascido em 2002. É um futebol diferente, duas nações com estilos distintos que se vão defrontar, mas espero que tenhamos a oportunidade de fazer frente à França como conseguimos em 2002", acrescentou.
Os Leões da Teranga versão 2026 têm argumentos sólidos para apresentar. No passado dia 18 de janeiro, conquistaram em Rabat, frente a Marrocos, país anfitrião, a Taça das Nações Africanas 2025, no final de uma final caótica.
"Favorito africano"
Foram, no entanto, destituídos do título, em março, pelo júri de recurso da Confederação Africana de Futebol (CAF) por terem abandonado temporariamente o relvado e aguardam agora uma decisão do Tribunal Arbitral do Desporto (TAS), a quem recorreram, para saber quem, se os marroquinos ou eles próprios, será finalmente coroado.
Apesar de ser necessário ultrapassar este episódio insólito, o Senegal continua a ser a seleção africana mais consistente da última década.
"Do continente africano, o Senegal é quem está melhor posicionado para ir o mais longe possível neste Mundial", confirma à AFP Benjamin Moukandjo, antigo capitão dos Camarões, campeão africano em 2017 e atualmente comentador na beIn Sports.
Os Leões da Teranga chegaram a três finais nas últimas cinco edições da CAN graças a uma geração de ouro que ainda sustenta a "toca".
"Temos pilares como (o guarda-redes) Edouard Mendy, (o defesa) Kalidou Koulibaly, (o médio) Idrissa Gueye e Sadio Mané, uma espinha dorsal da equipa que os mais jovens, muito talentosos, ouvem e respeitam. É a combinação perfeita", considera ainda Mamadou Niang.
"Sair pela porta grande"
A estes trintões ainda em boa forma, Pape Thiaw, o selecionador dos Leões, juntou jovens promessas que se superam ao serviço da seleção, a começar pelo avançado do Paris SG, Ibrahim Mbaye, de 18 anos, pouco utilizado por Luis Enrique esta época no clube, mas que brilhou com o Senegal em Marrocos.
O defesa do Lyon, Moussa Niakhaté, o médio do Villarreal, Pape Gueye, autor de um golo na final da CAN, ou o avançado do Everton, Iliman Ndiaye, mais experientes, são os elos de ligação de uma equipa sempre liderada por Sadio Mané, de 34 anos, que afirmou após a CAN que o Mundial americano será a sua última grande competição com os Leões da Teranga.
"Ele quer sair pela porta grande", prevê Benjamin Moukandjo.
"Liderar a sua equipa, levá-la até ao fim e, quem sabe, escrever uma das mais belas páginas da história do Senegal", acrescentou.
Dois pontos negativos, contudo, a poucos dias do início do Mundial: os senegaleses vivem uma preparação atribulada devido à incerteza em torno do futuro do seu selecionador, Pape Thiaw, que ainda não renovou um contrato que terminou em fevereiro. E o capitão Kalidou Koulibaly regressou recentemente de uma lesão numa coxa: pode estar em défice de ritmo.
