Reveja aqui as principais incidências da partida
Queiroz não escondeu a sua frustração após o empate 0-0 do Gana com a Inglaterra no Gillette Stadium, na noite de terça-feira, acusando o árbitro assistente de vídeo de estar de férias.
O treinador português chegou à conferência de imprensa após o jogo visivelmente irritado, lançando um olhar significativo a um responsável da FIFA sentado no fundo da sala antes de iniciar a crítica mais incisiva à arbitragem que o Gana fez neste Mundial até ao momento.
As Black Stars sentiram que lhes foram negados dois lances claros para cartão vermelho à Inglaterra e penálti.
Os dois lances que motivaram a polémica estavam bem presentes na memória de todos e o selecionador não estava disposto a deixá-los passar em silêncio.
“O VAR ainda está a funcionar no Mundial? Ainda temos VAR? Tenho dúvidas quanto a isso. O árbitro do VAR esteve de férias na segunda parte, aparentemente.”
O primeiro lance aconteceu ao minuto 66. O suplente Prince Kwabena Adu, que estava em campo há menos de um minuto, aproveitou um passe em profundidade nas costas da defesa inglesa e parecia prestes a contornar o guarda-redes inglês Jordan Pickford dentro ou perto da área. Em vez disso, Pickford saiu da baliza e chocou violentamente com o avançado do Viktoria Plzen.
O árbitro hondurenho Saíd Martínez assinalou de imediato livre a favor da Inglaterra, considerando que o ganês tinha cometido falta sobre o guarda-redes. Não houve revisão do VAR. Queiroz, que descreveu o contacto como um “choque claro”, insistiu que Pickford devia ter sido expulso.
Depois, ao minuto 79, o defesa inglês Ezri Konsa apareceu para travar Adu precisamente quando o suplente procurava entrar novamente na área. O jogador do Aston Villa entrou tarde e com o pé alto, derrubando o avançado ganês sem jogar a bola de forma limpa. O banco do Gana levantou-se de imediato. Martínez mandou seguir o jogo. O VAR não o chamou ao ecrã.
O antigo avançado inglês Wayne Rooney, agora comentador televisivo, concordou que a equipa da casa escapou a uma decisão, sublinhando que Konsa “assumiu um enorme risco” e acertou “no homem, não na bola”.
Quando a câmara voltou a mostrar Queiroz junto à linha lateral, ele já abanava a cabeça.
Estava ainda menos satisfeito quando chegou à conferência de imprensa.
“Mais uma vez, o VAR foi tomar café. Eu também gosto de tomar os meus cafés de vez em quando! É penálti claro e cartão vermelho para o Konsa. Têm dúvidas sobre isso, ou fui só eu que estive no jogo?”
Foi a segunda de três críticas retóricas ao sistema na mesma sessão com os jornalistas. Queiroz, consciente das regras rígidas da FIFA quanto a críticas à arbitragem, tentou encontrar o equilíbrio entre a honestidade e a disciplina e, em abono da verdade, fê-lo com humor e não com raiva.
“Peço desculpa pelo meu sarcasmo, mas se disser estas coisas a sério castigam-me, por isso espero que percebam que estou a brincar.”
Mesmo a caminhar na corda bamba disciplinar, o selecionador não fingiu que a sua equipa não foi prejudicada. Reconheceu que a melhor equipa em termos de posse de bola foi a Inglaterra, mas defendeu que o registo foi equilibrado.
“Tivemos as nossas oportunidades ao ponto de eles terem sorte. Eles tiveram muita sorte. Jogam mais tempo com a bola, nós lutamos mais, lutamos melhor, criamos as nossas oportunidades, eles têm oportunidades no fim. Acho que eles estão felizes e eu também estou satisfeito com o empate. Festejámos porque conseguimos um empate contra uma equipa que é uma das favoritas a vencer o Mundial. É preciso pagar um preço alto para conquistar pontos. Provavelmente porque estamos nos Estados Unidos, onde tudo é caro”, acrescentou.
Apesar de toda a polémica em torno da arbitragem, o empate mantém o Gana com o controlo do seu destino na qualificação.
Os Black Stars estão empatados com a Inglaterra, ambos com quatro pontos, no topo do Grupo L, com a Croácia com três e o Panamá já eliminado. Um empate frente à Croácia, em Filadélfia, no sábado, será suficiente para os Black Stars garantirem a passagem à fase a eliminar pela primeira vez desde 2010.

