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A política migratória muito restritiva de Donald Trump está a criar problemas de entrada nos Estados Unidos para alguns países e chega mesmo a afetar os intervenientes do jogo, tendo o árbitro somali Omar Artan sido impedido de entrar no sábado, apesar de ter um visto válido.
"Os adeptos desistiram da viagem porque o Estado norte-americano não quer ver adeptos de certos países, incluindo a Costa do Marfim, no seu território. Os Estados Unidos foram claros connosco ao dizerem que não queriam ver os nossos adeptos", queixa-se Julien Kouadio Adonis, presidente do Comité Nacional dos Adeptos dos Elefantes (CNSE).
"Esta situação magoa-nos muito porque impede-nos de cumprir o nosso dever fundamental, ou seja, apoiar a nossa equipa. Poderíamos ter mostrado a nossa cultura, o nosso saber-fazer enquanto adeptos nas bancadas", acrescenta o responsável deste organismo, tutelado pelo Ministério do Desporto.
Apenas um pequeno grupo de oficiais do CNSE foi autorizado a deslocar-se aos Estados Unidos. Nas suas três participações no Mundial (2006, 2010, 2014) ou nas Taças das Nações Africanas, o organismo enviava normalmente várias dezenas de adeptos. Em março, Kouadio tinha dito à AFP esperar enviar 500 adeptos para o outro lado do Atlântico.
O papel da pequena dezena de oficiais do CNSE autorizados a viajar será "enquadrar os adeptos marfinenses residentes nos Estados Unidos", explica Kouadio, que acrescenta que mesmo para esta delegação "não foi nada fácil obter os vistos. Foi preciso conversar, negociar para sermos ouvidos".
"O seu bilhete não é um visto", avisou mais cedo este ano o chefe da diplomacia norte-americana, Marco Rubio. Estas restrições juntam-se ao custo exorbitante dos bilhetes para os jogos e alimentam as críticas em torno de um Mundial cada vez mais afastado da base popular dos adeptos do futebol.
A Costa do Marfim vai disputar dois dos seus três jogos da fase de grupos nos Estados Unidos, a 15 e 25 de junho, em Filadélfia, contra o Equador e Curaçau. O seu segundo jogo, a 20 de junho, será disputado em Toronto, no Canadá, frente à Alemanha.
