Mundial-2026: Entre falhas técnicas e esforço à esquerda, Désiré Doué procura afirmação

Désiré Doué com a equipa de França frente à Noruega
Désiré Doué com a equipa de França frente à NoruegaREUTERS/Mike Segar

Marcador de um golo tardio frente à Noruega, há alguns dias, Désiré Doué desbloqueou finalmente o seu registo no Mundial-2026. Agora bem lançado na competição, enfrenta, no entanto, a forte concorrência de Bradley Barcola.

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O ataque francês pode ser um dos melhores do mundo, mas depara-se com um problema: o seu limite. Mesmo com Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise praticamente intocáveis, o lado esquerdo mantém-se uma incógnita. Bradley Barcola e Désiré Doué disputam, de facto, o lugar. E se se podia pensar que o ex-jogador do Rennes estava destinado a ser titular, parece que Didier Deschamps prefere o seu colega de equipa para o jogo contra a Suécia. Será então o Golden Boy 2025 bem-sucedido nesta competição ou, pelo contrário, está aquém das expectativas?

Um início de Mundial com altos e baixos

Era esperado com grande expectativa logo desde o arranque da competição. Depois de conquistar a segunda estrela pelo clube e de uma boa época no lado direito do Paris Saint-Germain, Doué tinha de se destacar de imediato no onze do seu selecionador. No entanto, defrontar o Senegal logo na 1.ª jornada de um Mundial não é tarefa fácil, e isso refletiu-se na exibição do jogador de 21 anos.

Aliás, recebeu a sua pior nota no Flashscore desde o início do torneio (6,3). Apesar da boa vontade, teve dificuldades em criar perigo, em desequilibrar e em oferecer oportunidades à sua equipa. É verdade que tentou dois remates. Mas, comparando a sua exibição com a de Mbappé, Olise ou Dembélé, é evidente que não conseguiu convencer. Aliás, acabou por ser ofuscado por Barcola, que entrou já perto do final. O jogador do PSG marcou aos 82 minutos, mostrando uma excelente atitude em campo e capacidade para agitar o jogo quando Doué não o fazia. Consequência: o n.º 20 não foi titular frente ao Iraque.

Entrando aos 68 minutos, o francês também não foi particularmente convincente. Não tentou qualquer remate e tocou apenas 15 vezes na bola. Para um extremo em quem recaíam tantas atenções, ficou aquém do esperado.

E embora esteja integrado no grupo – é um dos jogadores que mais aparece nos vídeos publicados pelas contas oficiais da equipa de França – ainda não teve oportunidade de se relançar verdadeiramente.

Esforço e evolução encorajadora

O seu jogo frente à Noruega foi mais conseguido. Bem presente à esquerda, não hesitou em recuar para ajudar a defesa ou em acelerar sempre que necessário para apoiar o ataque. Assim, conseguiu tentar quatro remates, vencer 13 duelos, tocar três vezes na bola dentro da área adversária e acertar 82% dos passes. Ainda assim, o momento mais marcante foi o golo de cabeça – o primeiro da carreira profissional – apontado aos 90+4 minutos.

Ao desbloquear o seu registo, demonstrou uma evolução encorajadora. A partir daqui, só pode continuar a crescer. No entanto, parece que Deschamps não partilha totalmente dessa opinião. Segundo os meios de comunicação com jornalistas presentes em Boston, o avançado não deverá ser titular frente à Suécia. Barcola, por sua vez, ocupará o lado esquerdo.

Um revés para o parisiense em plena ascensão. 

As suas falhas técnicas e a incapacidade de ser eficaz no último passe têm-no prejudicado até agora. Vai precisar de mais regularidade para poder encarar a competição com maior tranquilidade. 

Mas quem sabe, talvez consiga marcar esta terça-feira frente à Suécia. Seja como suplente de luxo ou não.