Recorde aqui as incidências da partida
Houve que esperar 15 minutos pela imagem e outros 15 pelo som, mas a ligação lá colaborou e o jogo começou a rolar como noutra tela qualquer, mas esta sombreada por uma nespereira, sob um céu mais amplo do que na grande cidade vizinha, ajudado pela falta de iluminação.
À margem, mas sempre com um olho na tela, joga-se à canequinha, aposta a dados, enquanto a carne é posta no assador e os tradicionais pastéis de milho saem com bebidas várias do café aberto a hora tardia.
Gente de todas as idades geme aos remates e às defesas de Vozinha, catapultado para 16 milhões de seguidores no Instagram após o primeiro jogo, contra Espanha.
“As pessoas podem entrar aqui à noite, comer, beber, curtir ao máximo e ver o jogo”, convida Reginaldo Spínola, dirigente da associação Moinho da Juventude, falando no “carinho forte” recebido dos “cabo-verdianos espalhados pelo mundo inteiro”, contra as expectativas de que “se calhar” a seleção não ia longe.
O derradeiro jogo da fase de grupos do Mundial, frente à Arábia Saudita, provaria o contrário: Cabo Verde está na fase a eliminar do Mundial de 2026.
Antes do jogo, Reginaldo Spínola destacava, em declarações aos poucos órgãos de informação presentes, “a grande união” dos cabo-verdianos em torno da seleção.
“Finalmente aparecemos no mapa, toda a gente já conhece Cabo Verde”, constata, assinalando: “Cabo Verde sempre esteve na moda, mas isto é muito especial para nós".
É na Cova da Moura que reside uma das maiores comunidades cabo-verdianas em Portugal, uma das muitas que compõem uma diáspora que quadruplica em população os habitantes do arquipélago da morabeza (palavra crioula para a forma hospitaleira de receber quem chega às ilhas cabo-verdianas).
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Disso mesmo é símbolo a própria seleção, na qual mais de metade dos jogadores já nasceu fora do arquipélago, mas com ele mantém uma ligação afetiva.
A música e a dança dominam o intervalo e os cortes na emissão suspendem por várias vezes o jogo, não gerando grande contestação, porque onde o não ter é mais habitual do que o ter isso é um detalhe. E no final, sobram sempre foguetes. E a música, que nunca pode faltar entre a comunidade cabo-verdiana.
Porque o importante é nunca desistir, indo ao encontro das palavras de Pedro Leitão Brito, o selecionador de Cabo Verde, mais conhecido como Bubista, nominho crioulo que lhe foi dado por ser oriundo da ilha Boavista, quando lembrou que “o futebol é de todos, (…) é dos pobres também”.
Envolta na bandeira nacional, Maria da Luz, oriunda de São Vicente e residente na Damaia, concelho da Amadora, esperava ver Cabo Verde ganhar o jogo, mas o empate bastou: "Já somos campeões".
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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