Uma demografia que dita as regras do jogo
O condado de Miami-Dade é o lar de 3 milhões de residentes, dos quais mais de 70% são hispânicos ou latino-americanos. Nos bairros locais, encontra-se quase um milhão de cubanos, mais de meio milhão de colombianos e venezuelanos, além de grandes comunidades do Haiti, Nicarágua, Honduras, México, Argentina ou Peru. Não admira que o inglês aqui seja praticamente dispensável durante os jogos. Para além do omnipresente espanhol, fala-se aqui uma língua que todos compreendem: fútbol! Enquanto noutras partes dos EUA o futebol ainda é sobretudo um passatempo de fim de semana em crescimento, em Miami é um enorme motor económico, com os negócios locais a registarem um aumento incrível de 400% nas receitas durante os jogos do Mundial.
Tira isso, ordenou Beckham! E depois vestiu o amigo
A loucura do futebol manifesta-se até nas situações mais inesperadas. A nossa equipa encontrou o estabelecimento favorito de David Beckham. O proprietário local, Giancarlo, partilhou um episódio divertido. Quando conheceu Beckham pela primeira vez no restaurante, por coincidência estava vestido com o equipamento completo, em roxo, da equipa rival Orlando City, na altura a única da Florida. "Podes tirar uma foto comigo, mas primeiro tens de tirar isso", brincou Beckham. No dia seguinte, Beckham enviou-lhe a camisola oficial do Inter Miami. Diz-se que toda a família Beckham é fantástica e o próprio Beckham visita o restaurante várias vezes por semana para saborear os famosos sanduíches cubanos.
Invasão de camisolas amarelas
Os contrastes à porta dos estádios e das fanzones são impressionantes. Os adeptos escoceses, com os seus tradicionais kilts e cones de trânsito na cabeça, lutam contra o calor da Florida, mas elogiam os kilts pela "excelente ventilação". Do outro lado, está a avalanche brasileira, que tomou completamente conta dos arredores do Walmart local. A verdadeira loucura começa antes do jogo da Colômbia. As filas à entrada da fanzone estendem-se por dois quilómetros e há quem espere até 5 horas antes do jogo só para conseguir entrar.
Os habitantes locais das imediações do estádio aproveitaram a chegada dos adeptos e alugam os seus jardins para estacionamento por 100, 150 ou até 200 dólares. Para as gerações mais velhas de colombianos, que deixaram o seu país há muitos anos, a possibilidade de ver a sua seleção nacional em Miami é a realização de um sonho de vida e um enorme reencontro familiar. Miami não está apenas a viver um torneio comum, está a celebrar um autêntico carnaval no vibrante coração futebolístico da América.
O que significa ver a seleção nacional pela primeira vez na vida para as gerações mais velhas de imigrantes? E como celebram os colombianos o sucesso? Veja o quinto episódio completo de World Cup Questions no vídeo acima e sinta a atmosfera do verdadeiro Miami futebolístico!
