Mundial-2026: Os jogadores com mais minutos antes do arranque da competição

Gustavo Gómez (Palmeiras) é o recordista de utilização
Gustavo Gómez (Palmeiras) é o recordista de utilizaçãoREUTERS/Jean Carniel

O Campeonato do Mundo na América do Norte aproxima-se a passos largos, todas as seleções já anunciaram as suas convocatórias e a maioria encontra-se em estágio de preparação para os primeiros jogos da fase de grupos. No entanto, grande parte dos jogadores chega ao torneio após uma época exigente nos clubes. A carga de jogos e o eventual cansaço podem, por isso, desempenhar um papel fundamental, sobretudo nas fases a eliminar. Além disso, vários participantes acumulam um elevado número de minutos há várias temporadas consecutivas. Quais são os jogadores que, desde o último Mundial no Catar, somaram mais minutos e que seleções têm mais representantes nos lugares cimeiros desta tabela?

A estatística dos minutos jogados inclui jogos oficiais de clubes e todos os encontros da seleção principal entre 1 de janeiro de 2023 e 29 de maio deste ano. Foram contabilizados os futebolistas que estiveram convocados em pelo menos uma pausa internacional antes do anúncio das listas para o Mundial, ou seja, em outubro, novembro ou março. Especialmente a metade superior da classificação reserva surpresas consideráveis.

Cinco principais ligas não dominam

Embora possa parecer surpreendente, apenas quatro dos dez jogadores com mais minutos desde o Mundial do Catar atuam nas cinco principais ligas europeias. As diferenças no número de minutos jogados entre as cinco melhores ligas da Europa são frequentemente tema de discussão, sobretudo quando se confrontam equipas de diferentes países na Liga dos Campeões.

Não foi diferente antes da final entre o PSG e o Arsenal (1-1, 4-3 após penáltis), em que, segundo esta estatística, os parisienses entraram com clara vantagem. Destaca-se sobretudo a intensidade e exigência física da Premier League, mas raramente se mencionam, neste contexto, as competições fora do top cinco.

Desde o Mundial-2022, segundo os dados, quem mais jogou foi um defesa paraguaio, ao serviço do Palmeiras: Gustavo Gómez. O defesa de 33 anos esteve em campo durante 19.032 minutos, tendo somado 2870 só esta época. Enquanto capitão do clube e da seleção, participou em 219 jogos e raramente ficou de fora do onze de Abel Ferreira. Além disso, devido a lesões, falhou o mínimo de partidas nos últimos quatro anos.

No top dez surge também o seu colega colombiano Jhon Arias, que acumulou 18.033 minutos e participou em 232 jogos. Da Série A brasileira, merece destaque ainda o defesa Fabricio Bruno, que joga no Cruzeiro. Conta com 18.102 minutos jogados, tendo representado o Brasil em apenas seis jogos pela selecção.

As estatísticas mostram claramente que os jogadores sul-americanos, que podem não estar tão expostos ao público europeu, acabam por jogar mais minutos ao longo do tempo do que as estrelas dos grandes clubes europeus.

As ligas europeias estatisticamente menos competitivas também têm os seus representantes, com destaque para a Jupiler Pro League belga. O capitão de 33 anos do Club Brugge, Hans Vanaken, soma 17.926 minutos jogados, sendo também um dos pilares da selecção belga e presença garantida no torneio. Desde o último Mundial, disputou pelo menos 38 jogos por época só na principal liga belga, totalizando 207 partidas.

O argentino Nicolas Otamendi superou mesmo Virgil van Dijk e William Pacho em minutos, ao registar 210 jogos e um total de 18.081 minutos. O papel da seleção é fundamental neste caso, já que só em jogos de qualificação disputou 17 partidas e há dois anos representou a Argentina nos Jogos Olímpicos. Após o Mundial, também o central vai jogar na América do Sul, pois, terminado o contrato com o Benfica, foi contratado pelo River Plate.

Valverde lidera entre as estrelas

Os jogadores dos grandes clubes mundiais também acumulam muitos minutos nas pernas. Não surpreende que sejam, sobretudo, capitães e pilares das suas equipas. Com 18.965 minutos, lidera o médio do Real Madrid, Federico Valverde. Há muito que é um dos jogadores mais utilizados dos merengues e é também peça fundamental da selecção uruguaia.

Logo atrás surge o português Bruno Fernandes, que, apesar de ter jogado menos partidas, soma ainda assim 18.311 minutos. Desde que chegou ao Manchester United, é presença constante no onze inicial, nos últimos anos como capitão e elemento indispensável da seleção portuguesa.

Os médios são, de facto, quem mais minutos acumula, e por isso não falta no top dos mais utilizados o pilar do Arsenal, Declan Rice. O seu percurso é semelhante: estrela do clube e elemento importante da seleção.

A posição em campo e a utilização a nível de clube e seleção são determinantes nestes números, mas a saúde também é fundamental. Os jogadores com mais minutos desde o Mundial do Catar conseguiram, salvo raras exceções, evitar lesões e não estiveram afastados durante longos períodos.

Para se ter uma ideia, a estrela Kylian Mbappé já ultrapassou os 16 mil minutos jogados, enquanto o seu potencial rival pelo título de melhor marcador do Mundial, Erling Haaland, registou 16.600. Mesmo os avançados, que se poderia pensar serem mais propensos a problemas físicos ou substituições frequentes, apresentam números elevados.

Por exemplo, Harry Kane jogou 16.658 minutos entre os dois Mundiais, enquanto Vinícius Júnior está perto dos 17 mil minutos. Se a carga de jogos dos jogadores será decisiva no Mundial, é ainda uma incógnita. O impacto do elevado número de minutos na saúde dos atletas é evidente, mas pode só manifestar-se nos momentos de maior exigência.

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