Courtois sentiu que poderia continuar mesmo com um incómodo na perna, mas Garcia insistiu para que saísse, já que não estava fisicamente a 100%. Senne Lammens entrou para o seu lugar, mas acabou por defender para a frente um remate rasteiro de Pau Cubarsí, permitindo que o suplente da Espanha, Mikel Merino, aproveitasse o ressalto e garantisse a vitória por 2-1 muito perto dos 90 minutos.
A insistência de Garcia em tirar Courtois gerou a indignação de analistas belgas, como o comentador Peter Vandenbempt.
"Substituis o melhor guarda-redes do mundo durante os quartos de final do Mundial porque ele não consegue mais dar chutão... impressionante! Simplesmente não consigo entender. A única explicação é que Garcia é apegado a princípios rígidos. Não está a 100%? Então está fora. Mas será que alguém como Courtois não sabe do que é ou não é capaz?", disse, na rádio belga.

Garcia, porém, explicou claramente a sua filosofia.
“Desde o início do Mundial, eu disse que só jogaria quem estivesse 100% fisicamente. Isso vale para o Thibaut também. Precisávamos dos lançamentos longos dele - primeiro para o Charles (De Ketelaere), depois para o Romelu (Lukaku). Não queríamos que a lesão do Thibaut piorasse. Por isso, não me arrependo da decisão de substituí-lo", indicou.
A decisão de Garcia estará certamente entre os temas discutidos quando o seu contrato for avaliado antes do fim do mês. O francês de 62 anos, campeão da Ligue 1 com o Lille em 2011, foi contratado no início de 2025 com a missão de dar novo ânimo após a passagem de Domenico Tedesco, considerada tóxica e sem alma.
Garcia cumpriu os objetivos
Permanecer na elite da Liga das Nações foi a primeira missão de Garcia, cumprida com sucesso, assim como a qualificação para o Mundial. O objetivo de chegar aos quartos de final também foi alcançado pelo treinador. Em 20 jogos pela seleção, somou 12 vitórias seis empates e duas derrotas.
Os dirigentes da federação belga ainda terão que decidir se Garcia é o nome certo para continuar no comando, já com a mente no Europeu-2028.
Muitas dúvidas pairam sobre as táticas, substituições e estilo de gestão, e a deceção pela derrota renhida frente a Espanha não ajudou em nada.
A Bélgica fez um Mundial irregular, tendo que se superar mais de uma vez para chegar aos quartos de final, empatando com o Egito e o Irão antes de vencer a Nova Zelândia e liderar o grupo. Escapou por pouco diante do Senegal nos oitavos, quando Garcia retirou as estrelas de campo quando perdia por 2-0, mas ainda se debate o que foi mais determinante na reviravolta: se foram as substituições ou as falhas defensivas do Senegal.
Por outro lado, também pode destacar momentos positivos, como a goleada por 4-1 sobre os anfitriões EUA e a aposta em jogadores como Nathan Ngoy e Nicolas Raskin, que fizeram um bom torneio.
