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Durante a sua passagem pelo Barcelona deixou alguns lampejos da sua qualidade e, sobretudo, aumentou o seu palmarés (3 Ligas e 2 Taças do Rei), mas não deixou uma memória inesquecível entre os adeptos blaugrana.
Não há dúvida de que o número 7 dos Bleus tem sede de vingança e sonha, em surdina, ser o carrasco da Roja neste Mundial, o que seria um sinal do destino para alguém que viveu momentos tão complicados do outro lado dos Pirenéus.
Esse sonho também não é impossível, porque Dembélé ganhou uma nova dimensão desde que deixou o Barça e assinou pelo PSG e pelo papel de protagonista que agora assume na sua seleção, depois de durante muito tempo ter estado em segundo plano.
Fica já muito distante aquele avançado quase alheio às exigências da elite, ridicularizado pela sua falta de profissionalismo e incapacidade de apresentar exibições à altura do seu imenso talento.
Chegado com apenas 20 anos à Catalunha em agosto de 2017, proveniente do Borussia Dortmund por uma soma astronómica (145 milhões de euros) com a delicada missão de fazer esquecer a transferência de Neymar para o PSG, Dembélé falhou no total 144 jogos pelo Barça devido a vários problemas físicos, para um saldo algo modesto (40 golos em 185 partidas, incluindo todas as competições).
Pelos Bleus, o avançado formado no Rennes também demorou a conquistar o seu espaço. Foi campeão do mundo em 2018 como suplente e nos anos seguintes raramente convenceu, enquanto Kylian Mbappé, dois anos mais novo, deslumbrava o mundo.
"Tenho confiança nele"
O ponto de viragem na sua carreira dá-se com a transferência para o PSG no verão de 2023: Luis Enrique entrega-lhe as chaves da equipa, com total liberdade, numa função híbrida entre extremo direito, médio ofensivo e falso nove.
O sucesso é absoluto e as duas campanhas vitoriosas na Liga dos Campeões (2025, 2026), assim como a conquista da Bola de Ouro em 2025, vão fazer com que "Dembouz" entre definitivamente na elite.
Para completar esta metamorfose, faltava ainda tornar-se também num elemento-chave da seleção francesa e conseguiu-o neste Mundial.
Aos 29 anos, Dembélé (65 internacionalizações, 12 golos) faz finalmente parte dos líderes dos Bleus, formando com Kylian Mbappé e Michael Olise um trio temível no ataque.
Chegou à América do Norte sem ter marcado um único golo nas quatro fases finais das diferentes competições que disputou pelos Bleus, mas neste Mundial já soma cinco golos e fez calar todas as críticas.
Didier Deschamps nunca o abandonou, defendendo com unhas e dentes o ex-jogador do Rennes, muito à vontade nos Estados Unidos dentro do esquema tático ofensivo 4-2-3-1 desenhado pelo selecionador gaulês.
"Não há qualquer problema com o Ousmane. Tem de voltar a adaptar-se a um sistema em que não joga durante toda a época. Confio nele. Não há dúvidas. É um jogador decisivo. O 'Ous' tem essa capacidade. É muito bom para ele e, sobretudo, para a seleção francesa", explicou Deschamps após o primeiro golo do parisiense frente ao Iraque na fase de grupos (3-0), a 22 de junho em Filadélfia.
Apurado pela terceira vez consecutiva para as meias-finais depois de 2018 e 2022, Dembélé está no auge da sua carreira, pronto para estragar o verão aos adeptos espanhóis.
"É excecional. Sinto-me muito bem nesta posição que conheço perfeitamente. Tenho vindo a crescer nesta competição. Estou satisfeito com as minhas exibições, embora possa fazer melhor. Mas a equipa está acima de tudo. Estamos focados no objetivo e vamos tentar chegar até ao fim", declarou na quinta-feira após a vitória frente a Marrocos nos quartos de final (2-0).
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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