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Opinião: Os mais e os menos de um Mundial inovador e especial

Espanha voltou a celebrar o título Mundial
Espanha voltou a celebrar o título MundialREUTERS/Hannah Mckay/Flashscore

Um mês e uma semana depois, chegou ao fim o Mundial-2026 com a Espanha a erguer o troféu pela segunda vez na sua história. Um triunfo merecido, segundo a opinião do antigo internacional português Ricardo Costa, agora treinador do Tondela. Ao Flashscore, o antigo jogador que passou boa parte da carreira no país vizinho traçou um olhar sobre os pontos positivos e negativos do torneio.

Luís de la Fuente, o herói improvável do merecido título espanhol

A imagem mais impactante da Espanha, a nova seleção campeã do mundo, ficou demonstrada pela tranquilidade e liderança do seu selecionador, Luís de La Fuente, e restante equipa técnica. Soube confiar no processo e num grupo de trabalho que colocou na palavra trabalho o principal ingrediente para chegar ao título mundial. Esta Espanha merece os parabéns por ter mostrado ser uma grande seleção com um líder digno no banco.

Na final, o equilíbrio e capacidade de ter bola permitiu à Espanha ter o controlo. Já a Argentina, com Messi longe do jogo e sem bola, mostrou-se uma seleção menos imprevisível. A expulsão de Enzo Fernández deu mais certezas ao conjunto espanhol de que iria chegar ao triunfo e conquistar o título de campeão do mundo.

Os principais destaques e estatísticas da partida
Os principais destaques e estatísticas da partidaOpta by StatsPerform

Seleções +:

Espanha e Argentina tiveram a capacidade, cada uma com as suas virtudes, de chegar com merecimento ao jogo decisivo. 

A Espanha com um futebol bem trabalhado, assente na segurança e no labor coletivo, lembrar que sofreu apenas um golo em oito jogos, mostrou uma qualidade acima da média. 

Já a Argentina, embalada pela qualidade técnica de um omnipresente Lionel Messi, aliada à fúria organizativa de Scaloni e à capacidade de luta dos outros jogadores, alcançou o sucesso no objetivo de chegar ao encontro decisivo.

Seleções -:

Alemanha:

A derrota nos 16 avos de final perante o Paraguai resultou da perda de identidade tática, a falta de jogadores de classe mundial e as dificuldades em ultrapassar as defesas mais fechadas.

Brasil:

Pagou caro o abandono do seu estilo de jogo mais criativo e a opção por uma tentativa de imitar modelos europeus. A falta de planeamento e a turbulência administrativa na CBF refletiram-se diretamente na preparação e na estabilidade do grupo.

Países Baixos:

Apesar de terem conseguido dominar grande parte dos encontros e de terem jogadores que desequilibram, mostraram alguma vulnerabilidade emocional em momentos cruciais, como o desempate nos penáltis frente a Marrocos.

Uruguai:

A eliminação precoce resultou de uma combinação de problemas internos com a guerra entre jogadores e o selecionador Marcelo Bielsa, escolhas táticas controversas e falta de eficácia. A seleção uruguaia apenas conquistou dois pontos na competição.

Seleções sensação:

Noruega:

Haaland e Odegaard foram os maestros de uma seleção que se mostrou muito bem organizada em campo, impulsionada pelo apoio vibrante dos seus adeptos. Esteve muito perto do apuramento para as meias-finais.

Marrocos:

O perfume do futebol marroquino encantou os amantes do futebol-espetáculo. Confirmaram a campanha de 2022, desta vez com vários jogadores jovens que prometem atingir o ponto mais alto do futebol mundial.

Cabo Verde:

Foi mais que coração e vibração: seleção muito bem orientada por Bubista, um líder tranquilo que teve Vozinha como o seu porta-voz em campo. Foi a única seleção que não perdeu com a campeã mundial Espanha.

Paraguai:

O retorno às origens pela mão do argentino Gustavo Alfaro surpreendeu o mundo do futebol. Os paraguaios deixaram a posse de bola e apostaram numa estrutura tática sólida, com uma defesa muito fechada e agressiva. A defender também se pode merecer elogios.

Jogadores +:

Messi:

A tão desejada dobradinha na despedida não foi atingida, mas aos 39 anos o argentino mostrou que continua na lista dos candidatos efetivos ao título de melhor jogador do mundo, como provam os oito golos apontados. Merecia, a seu lado, mais qualidade no relvado.

Os últimos jogos de Messi
Os últimos jogos de MessiFlashscore

Rodri:

Não foi o melhor jogador do Mundial, mas foi o melhor da seleção que mais mereceu a conquista do campeonato. Voltou ao nível que lhe valeu uma Bola de Ouro.

Bellingham:

Depois da temporada cinzenta no Real Madrid, o jogador inglês puxou dos galões e empurrou a sua seleção até ao terceiro lugar do pódio. Mostrou classe dentro do relvado.

Mbappé:

Manteve a tendência para o egocentrismo dentro do campo, que nem a braçadeira de capitão consegue apagar, mas os 10 golos apontados colocam-no na liderança dos goleadores das fases finais de campeonatos mundiais. Já tem 22 e vai fazer pelo menos mais uma edição.

Haaland:

O melhor número 9 do mundo. Se alguém tinha dúvidas ficaram desfeitas. A forma como aparece para marcar entre os defesas é algo futebolisticamente fantástico.

Jogadores jovens:

Júlio Enciso:

A magia e o atrevimento em campo, assim como a capacidade para desequilibrar jogos com remates imprevisíveis, colocam-no, com todo o merecimento, neste espaço.

Bilal El Khannouss:

O marroquino destacou-se pela capacidade para pautar os ritmos do jogo no meio-campo. Com boa precisão de passe e um excelente controlo de bola, mostrou o que nem todos têm: classe.

Adam Aznou:

Mais uma joia marroquina. Um defesa ágil, versátil, com qualidade de passe e visão de jogo. Tudo isto com apenas 20 anos…

António Nusa:

Veloz, com capacidade para a finta curta e um estilo de jogo em que arrisca. Muito forte no um para um. Promete uma carreira ao mais alto nível.

A opinião de Ricardo Costa
A opinião de Ricardo CostaFlashscore