A caminhada dos Leões de Teranga terminou após perderem por 3-2 frente à Bélgica nos 16 avos de final. O percurso do Senegal até esta fase não foi fácil, já que a equipa sentiu muitas dificuldades nos jogos da fase de grupos.
O Senegal iniciou a sua campanha no Grupo I com uma derrota por 3-1 frente à França, sofreu novo desaire por 3-2 diante da Noruega, mas recuperou e goleou o Iraque por 5-0, garantindo o apuramento como melhor terceiro classificado.
No entanto, após o Mundial-2026, o Senegal separou-se do selecionador nacional Pape Thiaw, tendo explicado a decisão à imprensa na passada segunda-feira.
Fall defendeu a decisão de despedir o treinador Thiaw, afirmando que o atrito entre a federação e o técnico começou a afetar o desempenho da equipa.
A seleção senegalesa tem de estar sempre em primeiro lugar
“Houve atritos na nossa relação e isso teve impacto no rendimento da seleção nacional. A certa altura, deixámos de receber feedback sobre o seu trabalho", explicou Fall.
“Deixei de ter qualquer informação sobre as escolhas da equipa. Só soube do onze inicial para os dois primeiros jogos já no relvado. Pessoalmente, considero isso extremamente grave. Não devemos ser privados de informação. Quando percebi que a situação estava complicada, fui ao seu quarto. Foi a primeira vez que o fiz. Nunca o tinha feito antes, nem com um jogador, nem com um treinador. Falei-lhe de forma franca e disse-lhe que não éramos seus inimigos. Avisei-o de que as coisas podiam correr mal para o Senegal se continuasse por esse caminho", acrescentou.
“É difícil vencer quando não há boa coordenação. Antes, recebíamos feedback sobre os prováveis onzes titulares na véspera do jogo ou até antes do apito inicial. Isso permitia-nos discutir as opções. A certa altura, houve uma quebra total de confiança. Ele deixou de confiar em nós. Temos de aceitar isso. Penso que isso afetou o funcionamento da equipa. Não era desejável", explicou o presidente da federação senegalesa.
"No próprio dia do jogo com a Noruega, o secretário-geral da FSF (Abdoulaye Sow) veio ter comigo para me informar que o Pape Thiaw ameaçava não se sentar no banco se não assinasse o contrato. Assim, para evitar que a situação se agravasse, resolvemos o assunto o mais rapidamente possível. Mas a seleção nacional do Senegal tem de estar sempre em primeiro lugar. Tínhamos de ser um pouco mais patriotas. Houve situações que tiveram impacto negativo nos resultados. E penso que, a certa altura, a autoridade não foi respeitada. Isso é inaceitável", acrescentou.
"Thiaw é como um irmão mais novo para mim"
Fall, no entanto, admitiu que ficou descontente com a forma como terminou a relação com Thiaw.
“Não estamos satisfeitos com a forma como terminou a nossa colaboração com o Pape Thiaw. Ele é como um irmão mais novo para mim; digo-o com sinceridade. A nossa relação já vem de longe; não começou na seleção nacional. Ele sabe disso. Tínhamos uma relação genuína, que nos permitiu vencer (a CAN). Mas penso que, depois disso, as coisas mudaram. Nunca houve qualquer problema contratual entre mim e o Pape. As conversas começaram ainda antes do final do ano. Fiz-lhe uma proposta em fevereiro. Nessa altura, ele estava na Arábia Saudita. Respondeu-me a 8 de março", contou.
“Mas, ao analisar as suas exigências, percebi que algumas eram difíceis de satisfazer. Por isso, liguei-lhe para podermos conversar.” Depois disse-lhe que, se mantivéssemos certas cláusulas, haveria instabilidade em torno do contrato", concluiu.
O Senegal vai agora concentrar-se na qualificação para a Taça das Nações Africanas (CAN) de 2027. O Senegal ficou integrado no Grupo J, juntamente com Moçambique, Sudão e Etiópia.
