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Promessa de reforma de Gianni Infantino não convence federações de Países Baixos, Alemanha e Suécia

Gianni Infantino, presidente da FIFA
Gianni Infantino, presidente da FIFAREUTERS / Kacper Pempel

A proposta do presidente da FIFA, Gianni Infantino, para rever os processos de tomada de decisão do organismo não conseguiu dissipar as preocupações de várias federações, com dirigentes do futebol na Alemanha, Países Baixos, Suécia e País de Gales a afirmarem que as reformas não abordam questões mais profundas de liderança.

Na carta de segunda-feira, a que a Reuters teve acesso, Gianni Infantino escreveu às 211 federações-membro da FIFA propondo uma revisão independente dos processos de tomada de decisão da FIFA, bem como consultas sobre reformas de governação, após a contestação à sua tentativa falhada de vender 20% das operações comerciais da FIFA, incluindo direitos associados ao Mundial.

Num tom conciliador, Infantino afirmou ainda que iria propor consultas com confederações, federações-membro e outros intervenientes sobre o reforço da tomada de decisões na FIFA.

A proposta de venda de uma participação nos direitos comerciais da FIFA foi abandonada em julho, após forte oposição das confederações continentais, com a UEFA, a Confederação Asiática de Futebol e a CONCACAF a acusarem a FIFA de avançar com o plano sem a devida consulta.

Desde então, Infantino tem enfrentado uma forte contestação, com o organismo europeu a manifestar a sua perda de confiança no atual presidente.

Gianni Infantino afirmou também na carta que as posições das federações-membro sobre propostas ou questões de governação não afetariam o seu tratamento por parte da FIFA, cujos programas de desenvolvimento e solidariedade continuariam segundo as regras em vigor.

O suíço vai a votos em março do próximo ano, com os seus opositores a terem dificuldades em encontrar um candidato para o desafiar. Pessoas próximas das discussões disseram à Reuters este mês que Infantino ainda parece ter apoio suficiente para garantir mais um mandato, levando os críticos a concentrarem-se em limitar os poderes da presidência da FIFA.

A Federação Alemã de Futebol (DFB), presidida por Bernd Neuendorf, membro do Conselho da FIFA, desvalorizou a carta na terça-feira, considerando-a uma tentativa de garantir mais um mandato.

"Considero a carta de Gianni Infantino uma manobra transparente para garantir a sua reeleição no próximo ano", afirmou Neuendorf.

"A FIFA parece finalmente ter reconhecido que são necessárias mudanças. No entanto, Gianni Infantino não é, de todo, a pessoa certa para liderar um processo de reforma. Perdeu toda a credibilidade", acrescentou.

A Federação Neerlandesa de Futebol (KNVB) partilhou estas preocupações, afirmando que as propostas não restabeleceram a confiança, apesar de incluírem alguns elementos que já tinha defendido anteriormente.

A KNVB, uma das federações fundadoras da FIFA, propôs no mês passado a realização de uma cimeira internacional em Amesterdão com o objetivo de reformular a FIFA e defendeu que Infantino seja substituído até 2027.

"As ações propostas estão em parte alinhadas com o nosso apelo a reformas dentro da FIFA. A prática mostrará se isso se confirma", afirmou um porta-voz da federação neerlandesa, citado pela agência noticiosa ANP.

"Ao mesmo tempo, as propostas não podem ser vistas separadamente da pressão (pública), e não teriam surgido sem a atual dinâmica", acrescentou a mesma fonte.

O presidente da Federação Sueca de Futebol, Simon Astrom, acolheu positivamente partes da proposta, mas considerou que fica aquém das reformas mais amplas necessárias.

"O conteúdo da carta está em linha com o que temos vindo a defender há muito tempo", disse Simon Astrom.

"Estas iniciativas chegam tarde, e várias das medidas já deviam ter sido implementadas há muito", acrescentou.

Simon Astrom disse ainda que a carta não alterou a posição da Suécia de que a FIFA precisa de uma nova liderança.

O diretor executivo da Federação de Futebol do País de Gales, Noel Mooney, também questionou a caracterização da carta como um grande pacote de reformas.

"Na verdade, não fala de uma reforma da própria FIFA. Fala de reformas em torno de projetos e iniciativas estratégicas", afirmou Mooney à BBC Radio Wales.

Mooney reiterou a sua oposição ao plano de investimento privado entretanto abandonado, defendendo que a FIFA deve utilizar os seus recursos financeiros existentes para apoiar as federações-membro, em vez de procurar investidores externos.

"Não se procura alguém para vender partes do jogo. O Mundial não precisa de capital privado", afirmou.

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