Após chocar o planeta na última edição do Mundial, ao vencer a Argentina na estreia, os Falcões Verdes chegam a 2026 inseridos num contexto de transformação profunda, impulsionada pelo crescimento astronómico da sua liga local e pelo intercâmbio com grandes estrelas do futebol internacional.
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Esta será a sétima participação da Arábia Saudita em Mundiais, e a terceira consecutiva. Para entender a fundo o ecossistema e a mentalidade do futebol saudita, o Flashscore conversou com o treinador português José Peseiro, que comandou a seleção daquele país entre 2009 e 2011.
José Peseiro está de regresso ao futebol saudita desde o início deste ano, liderando o Al-Ula, e conhece como poucos as engrenagens do futebol no Médio Oriente.
O caminho dramático nas Eliminatórias
O trajeto até ao Mundial-2026 testou os nervos dos adeptos sauditas e provou que a equipa sabe sofrer. Ao contrário das campanhas mais tranquilas em ciclos anteriores, a Arábia Saudita precisou de lutar até à quarta fase das Eliminatórias Asiáticas para garantir a sua vaga.
Após avançar na fase inicial e enfrentar uma dura terceira fase num grupo difícil, com potências como Japão e Austrália, a seleção saudita foi obrigada a disputar o tudo ou nada na etapa seguinte.
A sonhada qualificação só foi alcançada de forma suada, após uma campanha de resiliência num triangular de repescagem, contra Iraque e Indonésia.
Um empate sem golos contra a seleção iraquiana, diante de um estádio lotado em Jeddah, selou o passaporte dos Falcões Verdes no limite, graças ao critério dos golos marcados. Foi um percurso de altos e baixos, mas que serviu para forjar a força e a maturidade de um plantel que agora chega com mais experiência ao Mundial-2026.
Um modelo de jogo técnico e de posse
A identidade dos jogadores sauditas sempre esteve muito ligada à qualidade técnica refinada, à agilidade e ao gosto pelo jogo apoiado. Sob o comando de José Peseiro, a equipa já demonstrava essa vocação nativa.
Contudo, o ex-treinador da seleção árabe aponta que o grande salto qualitativo recente da seleção não foi na técnica, mas sim na compreensão tática e na maturidade competitiva, frutos do forte investimento na Saudi Pro League.

"Os jogadores sauditas são muito técnicos, são rápidos, gostam de ter a bola. Não são jogadores de força, são jogadores de agilidade, de capacidade técnica", explica José Peseiro.
Sob a organização de Georgios Donis, a perspetiva é que a equipa evolua para um modelo mais equilibrado. Se no passado a seleção saudita sofria com a falta de rigor físico contra potências europeias ou sul-americanas, hoje espera-se que consiga estruturar um bloco defensivo compacto e muito agressivo, utilizando a velocidade vertical dos seus extremos para ferir os adversários em transições rápidas.

A estrela incontestável e a revelação do "motor"
Quando o assunto é a grande referência técnica e o homem dos momentos decisivos, o nome de Salem Al-Dawsari surge de forma unânime. O jogador do Al Hilal, herói da vitória contra a Argentina em 2022, continua a ser o termómetro e a grande esperança de criatividade da equipa.
José Peseiro destaca que a principal virtude de Al-Dawsari é a personalidade para assumir o protagonismo quando o cenário é adverso.
"A grande estrela continua a ser o Salem Al-Dawsari. É o jogador que faz a diferença, que tem golo, que tem o desequilíbrio individual. É um jogador experiente e que assume a responsabilidade nos momentos difíceis", aponta o treinador português.
Já no papel de potencial revelação ou jogador de maior consistência tática para o mundo observar, José Peseiro destaca o lateral-direito Saud Abdulhamid, que joga no Lens, de França. Dono de uma força física invejável e muita disciplina na recomposição, representa perfeitamente o perfil de defesa moderno que o futebol atual exige.

O fanatismo de um país que pára pelo futebol
Se em campo a equipa promete dar trabalho e competir ao mais alto nível, fora dele o apoio massivo está garantido. Os adeptos sauditas vivem o futebol com uma paixão e um fervor que muitas vezes passam despercebidos no Ocidente, mas que costumam transformar os estádios em caldeirões.
Segundo José Peseiro, a atmosfera em torno da seleção saudita é de um patriotismo desportivo absoluto.
"O povo saudita vive o futebol com uma paixão imensa. O futebol é o desporto rei, não há outro. Quando a seleção joga, o país pára. Eles apoiam do primeiro ao último minuto, viajam em massa para apoiar a equipa e são extremamente fanáticos", conclui o ex-treinador da seleção saudita.
Agenda da Arábia Saudita no Mundial-2026
15/06 (segunda-feira)
23:00 - Arábia Saudita x Uruguai (Hard Rock Stadium, Miami, EUA)
21/06 (domingo)
17:00 - Espanha x Arábia Saudita (Mercedes Benz Arena, Atlanta, EUA)
27/06 (sábado)
01:00 - Cabo Verde x Arábia Saudita (NRG Stadium, Houston, EUA)
