A qualificação foi alcançada com enorme tranquilidade. Marrocos fechou o seu grupo das eliminatórias em primeiro lugar, com 100% de aproveitamento em oito jogos, nove pontos de vantagem sobre o segundo classificado, 22 golos marcados e apenas dois sofridos.
No início deste ano, Marrocos conquistou a Taça Africana de Nações no meio da polémica. A Confederação Africana de Futebol (CAF) acatou um recurso da Federação Marroquina e retirou o título ao Senegal — que havia vencido por 1-0 no prolongamento —, declarando a seleção marroquina campeã na secretaria (3-0).

A decisão baseou-se em artigos do regulamento que punem equipas que abandonam o campo sem autorização, após os jogadores senegaleses deixarem temporariamente o relvado em protesto contra um penálti polémico marcado a favor de Marrocos nos descontos.
Para conhecer melhor a seleção marroquina, o Flashscore falou com Arthur Wenderroscky, médio do Wydad Casablanca, que vive no país desde setembro de 2024.

Como joga a seleção marroquina?
A seleção marroquina trocou de treinador no início deste ano e passou a ser comandada por Mohamed Ouahbi, que assumiu o lugar de Walid Regragui. Antes, Ouahbi dirigia seleções de formação e foi campeão mundial sub-20 com Marrocos em 2025. Segundo Arthur Wenderroscky, trata-se de uma equipa com estilo de jogo mais reativo, o que pode ser um problema para a seleção brasileira, que está no Grupo C:
“É uma seleção muito forte fisicamente, bastante aguda. Tem um contra-ataque muito forte, mas enfrenta dificuldades quando precisa de assumir o jogo. Contra equipas com bloco baixo ou médio, quando precisa de criar, sofre bastante, porque é treinada para atuar no contra-ataque. O jogo contra o Brasil tende a ser bem difícil, porque as características deles encaixam", afirmou.

A seleção brasileira será o adversário na estreia, no dia 13 de junho. E Marrocos já enfrentou o Brasil neste ciclo de Mundial, em 2023, logo após o Mundial do Catar. Segundo Arthur Wenderroscky, isso traz confiança para jogadores e adeptos.
“Eles estão confiantes porque venceram o Brasil por 2-1. Mas também sabem da dificuldade (...), há respeito pelo Brasil, porque sabem que é uma seleção gigante e com tudo para ser campeã neste Mundial. Ao mesmo tempo, carregam a confiança por terem vencido aquele jogo", explicou.
Quem é a principal estrela?
São muitos os jogadores marroquinos que brilham atualmente no futebol europeu, mas, para Arthur Wenderroscky, há um que se destaca. “Vou citar o Hakimi, do PSG. Um lateral muito forte, sempre presente no ataque e na defesa", disse.
Hakimi, que ao longo da temporada ficou quase dois meses afastado devido a uma rutura muscular nos isquiotibiais da coxa direita, vive um ano menos prolífico em comparação ao anterior, mas ainda de grande protagonismo no PSG. Em 2025, marcou na final da Liga dos Campeões contra o Inter de Milão, o seu nono gol naquela temporada. Além disso, somou 13 assistências em 2024/25. Na atual, já leva nove.
Arthur Wenderroscky ainda citou outros dois jogadores que podem assumir o protagonismo: o guarda-redes Bono, do Al-Hilal, e o avançado Brahim Díaz, do Real Madrid.

Quem pode surpreender?
Como possível surpresa, Arthur Wenderroscky destacou um jovem médio do Estugarda: “Eu citaria o Khannouss, que joga na Alemanha. Atua como médio e também aberto pelas alas. É um jogador técnico, veloz. Não é tão badalado, mas pode dar trabalho.”

Bilal El Khannouss tem apenas 21 anos. Com dupla cidadania belga, chegou esta temporada à equipa alemã, emprestado pelo Leicester City, de Inglaterra.
El Khannouss soma nove golos e nove assistências em 39 jogos esta temporada. Pela seleção marroquina, já marcou três vezes em 34 partidas.
Como é vivido o futebol em Marrocos?
Marrocos, que será uma das sedes do Mundial-2030, juntamente com Espanha e Portugal, é um país que vive o futebol de forma intensa. Se houve algo que chamou tanto a atenção quanto a campanha da seleção marroquina no Catar, foram os adeptos.

“Aqui é um país que só tem futebol. O tempo todo é futebol. Eles são realmente muito fanáticos. Vais na rua e vês criança a jogar à bola como no Brasil, tudo de chinelos. (...) Pode ter a certeza de que eles vão acompanhar o Mundial, independentemente do resultado, porque são fanáticos”, contou Arthur, ao compartilhar a sua experiência de um ano e meio vivendo no país.
A prova desse fanatismo surgiu com o título mundial sub-20 em 2025. Arthur ficou impressionado com a festa.
“Quando eles foram campeões no sub-20, fizeram aquele trio elétrico em Rabat. Para ver como são fanáticos. Uma seleção sub-20 foi campeã e eles fizeram uma festa absurda aqui", lembrou.

Agenda do Marrocos no Mundial-2026:
13/6 (sábado)
23:00 - Brasil x Marrocos (MetLife Stadium - New Jersey)
19/6 (sexta-feira)
23:00 - Escócia x Marrocos (Gillette Stadium - Foxborough)
24/6 (quarta-feira)
23:00 - Marrocos x Haiti (Mercedes-Benz Stadium - Atlanta)
