Em entrevista ao Flashscore, o brasileiro Matheus Costa, do Foolad FC, detalhou o estilo de jogo da equipa e de que forma é que o plantel lida com o clima de tensão sem abandonar o sonho do Mundial.
Segundo Matheus, embora estejam a surgir novos talentos, os trunfos do técnico Amir Ghalenoei continuam a ser veteranos como Taremi, de 33 anos, antigo avançado de FC Porto e Rio Ave.
Marcação e intensidade: Irão aposta no jogo corrido
O desempenho do Irão na qualificação e amigáveis internacionais revela uma equipa de ritmo intenso, a desafiar a alta média de idades do plantel. Além de imprimirem dinamismo em campo, os iranianos não hesitam em testar o guarda-redes adversário.
Essa transição veloz, aliada à precisão nas finalizações, é o trunfo para surpreender os rivais do Grupo G — Bélgica, Egito e Nova Zelândia. Para Matheus Costa, o potencial é nítido:
“Vi jogadores de muita qualidade técnica que fazem a diferença pela intensidade que aplicam. Eles têm tudo para dificultar a vida de qualquer rival no grupo".

Matheus Costa: do futebol brasileiro para o Irão
Matheus Costa, de 26 anos, ganhou projeção no futebol brasileiro ao serviço do Rio Branco-ES. Foi no Campeonato Capixaba que assombrou o mundo ao atingir 37 km/h em campo, marca que o colocou no top 10 de jogadores mais velozes do planeta, ao lado de jogadores como Gareth Bale e Ousmane Dembélé.
Essa explosão física foi o passaporte para o Irão, despertando o interesse do Mes Rafsanjan. Segundo o jogador, a intensidade e o ritmo acelerado são exigências constantes dos treinadores na liga local. Após 14 partidas pelo Rafsanjan, Matheus transferiu-se para o Foolad FC, atual 7.º classificado do campeonato nacional — que se encontra suspenso devido aos conflitos na região.

Povo iraniano entre o conflito e o Mundial
O clima que antecede o maior Mundial da história está longe da tranquilidade para os iranianos. Imersos num cenário de guerra, os adeptos dividem-se entre a esperança do Mundial e a dura realidade do conflito. Apesar da intenção inicial do Ministro do Desporto, Ahmad Donyamali, de retirar o país da competição, o presidente da FIFA ratificou a participação da seleção no torneio sediado nos Estados Unidos.
Com a confirmação, a apaixonada claque iraniana celebrará a sua sétima participação em Mundiais. Para muitos, o futebol surge como um refúgio necessário no meio de um período conturbado.
“O povo iraniano ama os estrangeiros, principalmente os brasileiros por causa da cultura. Eles são muito recetivos, educados e o que eles podem fazer para manter o estrangeiro bem, eles fazem”, conclui Matheus.
Rezaeian: experiência que pode surpreender
Presente nos últimos dois Mundiais, o lateral Ramin Rezaeian deve ser peça-chave no esquema de Amir Ghalenoei. No Mundial do Catar, atuou em duas partidas da fase de grupos e marcou um dos golos na vitória sobre o País de Gales. Aos 36 anos, o veterano vive uma grande fase no Foolad FC, onde atua ao lado de Matheus Costa: em apenas seis jogos, o lateral já soma cinco participações diretas em golos (quatro assistências e um golo).

Mehdi Taremi: a estrela do Irão
Com quatro participações diretas em golos nos últimos cinco compromissos da seleção, Mehdi Taremi confirma o excelente momento e assegura, com sobras, a sua vaga no Mundial. O avançado do Olympiacos já soma mais de 2.400 minutos esta temporada, divididos entre o clube grego e a seleção.
Com 19 golos e seis assistências em 40 partidas, Taremi vive um ano de alto rendimento. Pelo Irão, o avançado já balançou as redes 59 vezes em 104 jogos, consolidando-se como a grande esperança da nação, que mais uma vez deposita toda a confiança nas chuteiras do seu camisola 9.

Novo ciclo, velhos conhecidos
A Seleção do Irão ficou mais velha neste ciclo. Se no Mundial-2022 a média de idade era de 28,8 anos, as convocatórias recentes para os amigáveis contra Nigéria e Costa Rica elevaram esse número para 30,6 anos. Esse aumento reflete a manutenção da base que disputou o último Mundial: 12 continuam na lista.
Mesmo com a permanência dessa espinha dorsal experiente — especialmente no setor defensivo —, o técnico Amir Ghalenoei iniciou um processo de renovação. Dos convocados para os últimos testes, 10 eram nomes novos, promovendo uma necessária oxigenação no meio-campo e no ataque.

Uma nova era no comando técnico
Após o ciclo de Carlos Queiroz, o comando técnico foi entregue a Amir Ghalenoei, de 62 anos. Desde a sua chegada, em março de 2023, o treinador utilizou o tempo para integrar novos talentos e ajustar as carências do plantel. O registo é altamente positivo: em 31 partidas nesta segunda passagem, Ghalenoei acumula impressionantes 24 vitórias.
Esta é a segunda vez que Amir assume a seleção do Irão. A sua primeira experiência ocorreu entre 2006 e 2007, quando comandou a equipa em 10 jogos, conquistando seis vitórias.

Histórico do Irão em Mundiais
Fundada em 1920 e filiada à FIFA desde 1945, a seleção do Irão caminha para a sua sétima participação em Mundiais (1978, 1998, 2006, 2014, 2018 e 2022). Historicamente, o seu melhor desempenho ocorreu na Rússia, em 2018, quando somou quatro pontos na fase de grupos, atingindo um aproveitamento de 44%.
Um dado curioso joga a favor dos iranianos neste Mundial: a seleção nunca foi derrotada pelos seus adversários do Grupo G. Embora jamais tenha enfrentado a Bélgica, o Irão ostenta uma vitória e um empate contra a Nova Zelândia, além de um empate no único duelo disputado contra o Egito — todos em confrontos particulares.
Calendário do Irão no Mundial-2026:
16/6 (terça-feira)
02:00 - Irão - Nova Zelândia (Los Angeles)
21/6 (domingo)
20:00 - Bélgica - Irão (Los Angeles)
27/06 (sábado)
04:00 - Egito - Irão (Los Angeles)
