Quem é quem no Mundial: conheça a seleção do Paraguai

Gustavo Gómez é um dos líderes do Paraguai
Gustavo Gómez é um dos líderes do ParaguaiČTK / imago sportfotodienst / Eurasia Sport Images

O Paraguai está de volta a um Mundial, após 16 anos de ausência. Os adeptos da Albirroja esperaram este momento com ansiedade e, por muitas vezes, temeu que ele não chegasse. Mas Gustavo Alfaro trouxe o que faltava: devolveu o brio, a entrega e o sentimento de pertença. O resultado não poderia ser outro: o resgate do orgulho de toda uma nação.

O Paraguai era um com Daniel Garnero. E transformou-se em outro sob o comando de Gustavo Alfaro. A Albirroja iniciou as Eliminatórias com apenas cinco pontos nas seis primeiras jornadas. Não restavam alternativas. Uma troca de comando técnico era necessária. 

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Gustavo Alfaro precisou de pouco tempo à frente da seleção paraguaia para comandar uma reviravolta. Primeiro, segurou um empate com o Uruguai em Montevidéu; logo depois, bateu a seleção brasileira em Assunção. O caminho estava aberto e, com o novo formato do Mundial, o sonho que parecia distante concretizou-se como realidade.

Sob o comando de Gustavo Alfaro, o Paraguai exibiu uma regularidade impressionante, sofrendo apenas uma derrota nos 12 jogos sob a sua gestão nas Eliminatórias. O único revés aconteceu diante do Brasil, em 11 de junho de 2025, na Neo Química Arena. Naquela ocasião, a derrota por 1-0 não apenas quebrou a invencibilidade de Alfaro, mas também garantiu matematicamente a vaga brasileira no Mundial-2026.

O Paraguai garantiu a sua vaga no Mundial ao encerrar as Eliminatórias Sul-Americanas na 6.ª posição. Esta será a 9.ª participação da Albirroja em Mundiais. Na sua última aparição, em 2010, os paraguaios alcançaram os quartos de final e foram eliminados pela campeã Espanha com um golo de David Villa na reta final da partida. Aquela foi a melhor participação paraguaia em Mundiais. 

O desempenho do Paraguai em Mundiais
O desempenho do Paraguai em MundiaisFlashscore

Agora, com um plantel talentoso e um sistema defensivo equilibrado, a Albirroja sonha em ir mais além. O Mundial na América do Norte não deve ser apenas um doce regresso, mas a prova definitiva de que o Paraguai recuperou o seu lugar entre os protagonistas do continente.

Para entender melhor esse contexto e conhecer mais sobre a seleção paraguaia, o Flashscore conversou com o guarda-redes brasileiro Táles Wastowski. O guardião defende as cores do Rubio Ñú na primeira divisão local e traz na bagagem a conquista histórica da Taça do Paraguai 2025 pelo General Caballero JLM — título garantido após a vitória por 0-1 sobre o 2 de Mayo.

Como joga a seleção do Paraguai? 

Após confirmar a qualificação para o Mundial deste ano, o Paraguai disputou seis particulares e só obteve duas vitórias — contra o México (1-2) e Grécia (0-1). Os comandados de Alfaro registaram ainda três derrotas e um empate no último período. No último jogo da Data FIFA passada, perderam com Marrocos por 2-1

Paraguai terminou as Eliminatórias na 6.ª posição e qualificou-se para o Mundial
Paraguai terminou as Eliminatórias na 6.ª posição e qualificou-se para o MundialFlashscore

Para Táles Wastowski, o sucesso recente do Paraguai não é por acaso. O guarda-redes, que vive a rotina do futebol local, traça um paralelo direto entre o estilo praticado no país e o futebol gaúcho, onde a força física e a entrega são inegociáveis.

"O futebol paraguaio assemelha-se muito ao futebol gaúcho; é um futebol de muita força, resistência física e vontade", explica.

"Se fizer uma análise do GPS dos atletas aqui, verá que todos têm uma quilometragem muito alta por partida", acrescenta.

Além do vigor físico, Táles destaca a componente emocional que envolve este regresso ao Mundial após 16 anos.

"O Mundial para a seleção do Paraguai é algo que parou o país, porque há muito tempo que eles não se qualificavam. Lembro-me de que, no dia em que a qualificação foi confirmada, houve festa no país inteiro", conta o guarda-redes.

Os resultados dos últimos jogos da seleção paraguaia
Os resultados dos últimos jogos da seleção paraguaiaFlashscore

Para o jogador do Rubio Ñú, o Paraguai chega ao Mundial-2026 com uma fórmula perigosa para os favoritos: o equilíbrio entre a vivência dos veteranos e a ambição de uma nova geração faminta por conquistas.

"Talvez o Paraguai não seja visto como uma grande seleção ou uma candidata ao título, mas é uma seleção que vai incomodar bastante, pois tem uma mescla de jogadores experientes com jovens que têm muita vontade de vencer e conquistar coisas grandes", projeta Táles.

Quem é a principal estrela e quem pode surpreender? 

O coletivo é uma das grandes forças do Paraguai. Mais do que depender de uma única estrela, a equipa comandada por Alfaro é recheada de jogadores talentosos que podem fazer a diferença no Mundial.

O guarda-redes Táles fez uma análise conjunta de dois desses talentos, detalhando as suas funções complementares. Para o guarda-redes do Rubio Ñú, o médio Julio Enciso, do Estrasburgo, de França, é o craque e o cérebro da seleção paraguaia.

Aos 22 anos, Julio Enciso vive o seu melhor momento no futebol europeu: entrou em campo 39 vezes pelo clube francês esta temporada, somando 11 golos e cinco assistências. A veia artilheira ficou evidente na Taça de França, torneio no qual balançou as redes em seis oportunidades.

O desempenho de Julio Enciso na Ligue 1
O desempenho de Julio Enciso na Ligue 1Opta by Stats Perform

Táles também ressaltou a importância de Gustavo Gómez, um jogador que pode surpreender neste Mundial. O defesa chega para atrair a atenção dos espectadores e confirmar a fase excecional que atravessa no Palmeiras, onde mantém a regularidade ao mais alto nível por múltiplas temporadas.

"O grande jogador do Paraguai é o Julio Enciso. Ele é a grande joia do país, mas eu vejo com muitos bons olhos o Gustavo Gómez", opina o guarda-redes.

"Obviamente, são posições diferentes. O Julio é um 10 e o Gustavo Gómez é um defesa, mas ele é um tipo muito vitorioso no Brasil. É indiscutível a qualidade de um jogador que é o mais vitorioso da história do Palmeiras. Creio que é um jogador que vai surpreender no Mundial", aposta Táles. 

"Eu coloco minhas fichas no Gustavo Gómez, muito pela liderança e também pela experiência que ele tem durante todos estes anos no Brasil", garante o guarda-redes. 

Gustavo Gómez, o patrão do Palmeiras
Gustavo Gómez, o patrão do PalmeirasOpta by Stats Perform

Olho em Almirón

Miguel Almirón é outro candidato a craque paraguaio no Mundial. Pode estar longe dos holofotes da Premier League, onde se destacou pelo Newcastle, mas ainda é um jogador perigoso. Na sua segunda passagem pelo Atlanta United, da MLS, Almirón já soma 41 jogos, com seis golos e seis assistências. 

Na seleção paraguaia, é a definição de versatilidade: transita com eficiência entre o meio-campo e o ataque, atuando como o motor criativo da Albirroja. Sob o comando de Alfaro, Almirón tornou-se o ponto de partida de quase todas as ações ofensivas, mas o seu impacto vai muito além da posse de bola. A entrega defensiva é notável, pressionando a saída de jogo adversária com uma maestria que dita o ritmo de intensidade da equipa.

Os números de Miguel Almirón
Os números de Miguel AlmirónFlashscore

Naturalização de Maurício 

Um tema que gerou debate no Paraguai foi a naturalização do médio Maurício, do Palmeiras. A sua chegada na reta final do ciclo trouxe críticas, especialmente por não possuir uma trajetória ligada ao futebol local.

É preciso destacar, contudo, que a iniciativa partiu do próprio jogador. Nascido em São Paulo, em 2001, Maurício tem ascendência paraguaia por parte do pai, o que facilitou o processo de abraçar as raízes familiares.

Apesar da resistência de parte dos adeptos e da imprensa, Táles Wastowski vê o movimento com bons olhos.

"O Maurício é um grande jogador, um atleta de muita qualidade e que vai somar bastante para a seleção do Paraguai. Nos últimos particulares, conseguiu destacar-se", analisa o guarda-redes.

Táles Wastowski reconhece que o ceticismo inicial era esperado: "No início, isso gerou dúvidas e críticas de parte da população porque ele era um jogador que, até então, não estava a ser convocado; é um jogador brasileiro. Então, sempre havia aquela questão: 'Agora que nos qualificámos para o Mundial, ele quer jogar pelo país'. Mas nós sabemos que o Maurício é um jogador que vai agregar muito".

Maurício em sua estreia pela seleção paraguaia
Maurício em sua estreia pela seleção paraguaiaMILOS BICANSKI / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

O guarda-redes do Rubio Ñú, inclusive, admitiu o desejo de trilhar o mesmo caminho caso surja a oportunidade no futuro.

"Com certeza eu penso nisso. Eu não tenho familiares paraguaios, mas, se não me engano, podemos naturalizar-nos depois de um tempo no país. Já estou a caminho do meu quarto ano agora e estou muito feliz aqui. Não tenho a menor dúvida de que essa é uma ideia que passa pela minha cabeça para, quem sabe, defender a seleção paraguaia", revela Táles.

Como é vivido o futebol no Paraguai? 

Viver o futebol no Paraguai vai muito além das quatro linhas. É também um exercício de resistência e adaptação. Para Táles, a jornada entre as balizas paraguaias tem sido, antes de tudo, uma conquista de território e identidade.

"Quando és estrangeiro num país, principalmente eu, que cheguei sem o estatuto de muita fama, sempre gera dúvidas e uma cobrança diferente", recorda o guarda-redes. "Mas quando apresentas o teu trabalho e adquires o respeito deles, é muito bom", acrescenta.

Táles, o primeiro jogador brasileiro campeão da Taça do Paraguai
Táles, o primeiro jogador brasileiro campeão da Taça do ParaguaiReprodução

Essa conexão com a bancada revela a face mais calorosa de uma nação apaixonada. O ambiente nos estádios, com o clássico pulsar sul-americano de bandas e instrumentos, ultrapassa a bancada e chega também ao dia a dia.

"O povo aqui é muito recetivo. No estádio, vês as crianças a querer estar perto de ti; os adultos querem falar contigo no mercado ou em qualquer lugar", conta Táles.

Apesar das dificuldades iniciais com o idioma e a insegurança, o guarda-redes hoje sente-se em casa.

"Depois de me conseguir adaptar, aprender a língua e ganhar esse respeito, hoje eu não me vejo a sair do Paraguai", assume.

Táles está no seu quarto ano de futebol paraguaio
Táles está no seu quarto ano de futebol paraguaioReprodução

À procura do seu espaço no Rubio Ñú depois de recuperar de uma pubalgia, o brasileiro não esconde que o próximo passo pode ser ainda mais ambicioso. Após bater na trave numa transferência para um gigante local no último ano, aguarda a janela de julho com otimismo.

"Jogar contra Olimpia, Cerro e Libertad é sempre prazeroso. É um sonho poder atuar numa dessas grandes equipas. Vamos ver o que acontece agora", diz.

Entre o sonho de vestir a camisola de um grande e o desejo de defender a Albirroja, Táles personifica o que o Paraguai oferece a quem se entrega ao seu futebol: a hipótese de transformar a desconfiança inicial num sólido sentimento de pertença.

Táles esteve perto de transferência para um dos grandes do futebol paraguaio
Táles esteve perto de transferência para um dos grandes do futebol paraguaioReprodução

Agenda do Paraguai no Mundial-2026:

13/6 (sábado)

02:00 - Estados Unidos x Paraguai (SoFi Stadium - Los Angeles) 

20/6 (sábado)

04:00 - Turquia x Paraguai (Levi's Stadium - Santa Clara) 

26/6 (sexta-feira) 

03:00 - Paraguai x Austrália (Levi's Stadium - Santa Clara)

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