Alajbegovič vestiu a camisola amarela e azul da Bósnia e Herzegovina apenas a nível internacional, mas foi o futebol alemão que o formou. Nasceu em setembro de 2007 em Colónia e foi no clube local que deu os primeiros passos no futebol. Ainda em idade de formação, mudou-se para o outro lado do Reno, para o rival Leverkusen.
Em janeiro do ano passado assinou o primeiro contrato profissional com o Die Werkself, mas jogava apenas na equipa júnior do Bayer. Apesar de marcar golos, com 1,85 metros não correspondia ao perfil típico de extremo. Além disso, o Leverkusen raramente utilizava extremos puros, preferindo laterais ofensivos na equipa principal. Por isso, no verão passado, Alajbegovič transferiu-se para o Salzburgo por dois milhões de euros.
Também na Áustria teve de lutar por um lugar no onze inicial e chegou a especular-se que poderia ser emprestado ao Liefering, clube associado da segunda divisão. No entanto, Alajbegovič rapidamente mostrou qualidade e conquistou um lugar de destaque no onze do Red Bull, com quem está a disputar o título. Ficou provado que a sua estatura não o impede de ser dinâmico na ala.
Parâmetros físicos
À primeira vista, não é o protótipo de extremo. Parece demasiado alto para a posição, mas quando acelera as longas pernas, todas as dúvidas desaparecem. Nos duelos em velocidade, não se intimida perante adversários fortes e, nesta edição da Liga Europa, laterais como Lamare Bogarde, do Aston Villa, ou Pablo Rosario, do FC Porto, já sentiram bem as suas qualidades.
Apesar da velocidade e da movimentação intensa em campo, Alajbegovič sabe tirar partido da sua estatura. Tanto nas competições europeias como na principal liga austríaca, vence mais de metade dos duelos. Contudo, à medida que o tempo de jogo avança, a sua intensidade diminui, pelo que terá de trabalhar a resistência nos próximos anos. Este défice é, no entanto, compreensível tendo em conta a sua juventude.
Depois de praticamente uma época completa no futebol sénior, ainda não evoluiu numa vertente que os futuros treinadores certamente lhe vão exigir – o jogo aéreo. Pela sua altura, tem potencial para jogar como ponta-de-lança, mas o desempenho de cabeça é ainda muito fraco. Mesmo contra laterais mais baixos, a sua eficácia ronda apenas os 30 por cento.
Parâmetros técnicos
O que mais o distingue? Para clubes de toda a Europa, o seu principal atrativo é o que consegue fazer com a bola. Quando alia a velocidade ao controlo e condução precisa, e ainda um primeiro toque maduro para a idade, qualquer defesa tem de estar alerta.
Partindo da esquerda, consegue rapidamente conduzir a bola para o centro do relvado, para o seu pé direito mais forte, e, graças ao remate perigoso, cria logo perigo para a baliza adversária. Domina esta táctica também a partir do lado direito, pois, após anos a jogar na esquerda, aprendeu a usar o pé esquerdo com competência. Nas equipas jovens do Leverkusen, era ainda responsável pela marcação da maioria das bolas paradas.
Os dados confirmam a qualidade técnica de Alajbegovič. Na Bundesliga austríaca, tem quase 50 por cento de sucesso nos dribles e os adversários são obrigados a recorrer à falta para o travar. Esta época, foi parado em falta quase 50 vezes. Apresentou o mesmo futebol a nível internacional, o que lhe valeu a atenção de grandes clubes.
Do ponto de vista técnico, há pouco a apontar-lhe. Ainda assim, há um aspeto em que os números são negativos – os cruzamentos. A eficácia nos passes longos é inferior a 20 por cento. No entanto, raramente arrisca neste tipo de lance. Isso deve-se à sua posição na ala, onde joga muitas vezes em diagonal, e ao excelente controlo de bola, que normalmente o coloca em situações de remate ou passe final rasteiro. Ainda assim, conseguiu um cruzamento decisivo – assistência para golo de canto para Edin Džeko no play-off no País de Gales.
Personalidade
Alajbegovič já provou que sabe lidar com momentos de pressão. Em dois desempates consecutivos por penáltis para o apuramento ao Mundial, mostrou nervos de aço e, com apenas 18 anos, levou a sua seleção ao maior torneio do mundo. A responsabilidade que assumiu nas camadas jovens foi transportada com sucesso para o futebol sénior.
Nos jogos que se decidem até ao último minuto, está sempre presente, ativo e constantemente perigoso para a defesa adversária. Infelizmente, a sua intensidade desaparece quando o resultado já está decidido. Pode ser por menor resistência física, ou talvez simplesmente não queira dar tudo em partidas resolvidas.
Por outro lado, a sua abordagem ponderada ao jogo impede-o de cometer faltas desnecessárias ou perder a cabeça em campo. Até agora, não protagonizou qualquer momento polémico, raramente viu cartões amarelos e não é daqueles que provocam adversários com simulações.
Possíveis destinos
À primeira vista, o percurso do jovem bósnio parece traçado. O Leverkusen ativou a cláusula de recompra de oito milhões de euros e Alajbegovič deverá tornar-se colega de Patrik Schick no final da época. Resta saber se não sairá logo da Alemanha por um valor muito superior para outro clube europeu.
Muito dependerá também da forma como se apresentar no Mundial, já que é praticamente certo que integrará a convocatória da Bósnia. "É um jovem talento com um potencial enorme. É sempre um bom sinal quando grandes clubes demonstram interesse. No entanto, considero que o mais importante para ele é o ambiente certo, tempo de jogo regular e crescer passo a passo," comentou o selecionador da Bósnia e Herzegovina, Sergej Barbarez.
De que grandes clubes se fala? O maior interesse parece vir de Itália. Entre os potenciais compradores estão o AC Milan, a Roma e o Nápoles. Depois do sucesso no play-off, falou-se até dos dois clubes de Manchester, do Chelsea e do Aston Villa. No entanto, se a transferência acontecer, será provavelmente apenas após o Mundial.
O futuro do futebol bósnio pode assim apoiar-se em mais um talento de destaque a nível mundial. Alajbegovič é uma das estrelas mais promissoras da nova geração e, logo na primeira época entre os seniores, revela o potencial que possui.
Raramente joga os 90 minutos completos, o que levanta a dúvida se conseguirá manter o nível elevado numa liga mais exigente. Mas não há tempo a perder. O Leverkusen readquiriu o jovem e tem o seu futuro nas mãos. Se conseguir transportar a forma do Salzburgo e da seleção para o próximo desafio, a sua carreira merece toda a atenção.

