Ramón Vega, ex-internacional suíço, preocupado com a arbitragem frente à Argentina

A Suíça defronta a Argentina nos quartos de final do Mundial
A Suíça defronta a Argentina nos quartos de final do MundialKumala/NurPhoto / Shutterstock Editorial / Profimedia

Há quem tenha Messi, quem conte com Ronaldo e quem não disponha de grandes superestrelas em quem se apoiar, mas pode confiar numa arma que, num torneio como o Mundial, costuma ser decisiva, até mais do que um jogador de topo: a experiência. É assim que Ramón Vega, o ex-defesa suíço conhecido pelas passagens por Cagliari, Tottenham e Celtic, nos convida a analisar o duelo entre Suíça e Argentina nos quartos de final do Mundial nesta entrevista exclusiva.

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Vega leva o Flashscore ao interior da dinâmica de uma equipa que passou de surpresa a tornar-se uma certeza crescente no panorama internacional, e vai defrontar a Albiceleste com essa confiança. Mas com uma preocupação latente...

- A Suíça está nos quartos de final. Esperava que chegasse tão longe e alcançasse este resultado?

- Na verdade, sim. Antes do torneio, esperava que chegasse até aqui, até mais longe, sinceramente. Via uma seleção suíça com muita experiência em Mundiais e Europeus.

Nos últimos 10 anos ou mais, qualificámo-nos para quase todos os grandes torneios. Sempre que jogaram contra equipas grandes como França ou Espanha — os campeões do mundo — deixaram sempre boas sensações, mesmo que a Suíça não seja vista como favorita nem como uma equipa especialmente atrativa de ver.

Granit Xhaka dá indicações a Michel Aebischer
Granit Xhaka dá indicações a Michel AebischerFREDERIC J. BROWN / AFP

A organização e a experiência são evidentes. Esta equipa tem mais experiência em torneios do que a maioria das outras nesta competição. Temos jogadores como o capitão (Granit Xhaka) e (Ricardo) Rodríguez, que até já venceram um Mundial sub-17. Essa experiência é fundamental.

Hoje, a Suíça tem aquilo que Itália tinha nos anos 90: um sistema onde os jogadores crescem nas camadas jovens, conquistam campeonatos e depois trazem essa experiência para a equipa principal. Fala-se muito das grandes estrelas como Lionel Messi, Cristiano Ronaldo, Harry Kane, mas a Suíça é a equipa surpresa.

- Portanto, não é realmente uma surpresa, tendo em conta a dificuldade que é jogar contra eles?

- Exatamente. São uma equipa muito bem organizada taticamente. Ao contrário do meu tempo nos anos 90, quando 80% jogávamos na Suíça, agora mais de 90% do plantel joga no estrangeiro, em grandes ligas como a Premier League, a Bundesliga ou a Serie A (Manchester City, Inter de Milão, Arsenal).

Não têm a profundidade de banco da França ou da Inglaterra, mas o que apresentam no relvado é experiência.

- Que tipo de jogo espera frente à Argentina?

- Vi a Argentina duas vezes e é possível vencê-la. Veja o jogo contra o Egito, deixando de lado os problemas de arbitragem.

Este Mundial, comparado com aqueles que conheci, é diferente... e não para melhor no que toca ao futuro do futebol. É preocupante para os jovens verem que podem fazer o que quiserem em campo e que o árbitro já não conta. Está-se a perder o respeito pela autoridade do árbitro. Sem que o árbitro seja a figura mais importante em campo, o futebol perde-se.

- Acha que a Suíça pode ser prejudicada por ter menos peso ou influência do que a Argentina?

- Esse é o problema. Defronta-se um gigante como a Argentina e Messi, mas entra-se no jogo a pensar que não haverá jogo limpo. Tem-se receio de que a primeira falta seja logo amarelo ou vermelho, ou que seja assinalado um penálti contra si.

Tenho a certeza de que o treinador, Murat Yakin, está a dizer aos jogadores: "Aqui não somos favoritos, atenção a cada falta porque tudo irá contra nós". É preciso preparar-se mais mentalmente do que taticamente quando se sente que o sistema pode estar contra si.

- Mas, no relvado, a Suíça pode competir com a Argentina?

- Sim, porque vi a Argentina sofrer frente ao Egito. Perdiam 0-2 e tiveram uma segunda oportunidade para vencer por 3-2. Claro que não se pode deixar Messi sozinho nem dois minutos porque faz magia, mas a Suíça tem uma hipótese real de os vencer. Já o fez antes contra a Espanha e a França.

Mundial-2026

O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.

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