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Os selecionadores vão orientar Argentina e Inglaterra, num dos duelos com mais rivalidade do futebol, na meia-final de quarta-feira (20:00 horas), em Atlanta.
Scaloni: regresso às origens
Lionel Scaloni foi alvo de críticas e de gozo impiedoso quando foi nomeado selecionador da Albiceleste em 2018. Sem experiência como treinador profissional, assumiu inicialmente de forma interina o comando de uma equipa que não conquistava títulos desde 1993.
Mas, com o seu estilo conciliador e tranquilo, foi aos poucos silenciando os seus detratores, apoiado por uma equipa técnica composta por ex-internacionais argentinos como Pablo Aimar, Roberto Ayala e Walter Samuel.
O quarteto propôs-se a recuperar a essência do futebol argentino: bom trato de bola e promoção da criatividade em campo. Ao contrário de grande parte das outras seleções, a Argentina reforçou o seu meio-campo com jogadores de boa técnica e abdicou dos extremos.
"Cada país tem a sua cultura, a sua forma de entender o futebol e que o levou ao sucesso, é preciso respeitá-la", afirmou Scaloni, de 48 anos, em pleno Mundial da América do Norte.
A aposta, à qual juntou a estratégia de fazer a equipa funcionar em torno de Lionel Messi, deu frutos: pôs fim a uma seca de 28 anos sem títulos ao vencer o Brasil, no próprio Maracanã, na final da Copa América 2021.
Depois seguiram-se as conquistas da Finalíssima 2022 frente à Itália e do Mundial desse mesmo ano contra a França, o primeiro dos argentinos desde a consagração de Diego Maradona em 1986. E ainda outra Copa América, a de 2024, diante da Colômbia.
Companheiro de Messi no Mundial de 2006, o antigo lateral manteve sempre um tom conciliador e sereno, distante das atitudes muitas vezes provocatórias de alguns dos seus jogadores.
E um dos seus traços pessoais, além de quase sempre estar vestido com roupa desportiva junto à linha lateral, é ser de lágrima fácil: emociona-se até às lágrimas com uma vitória ou um elogio.
Tuchel: impacto imediato
Thomas Tuchel foi contratado em outubro de 2024 com o único objetivo de bordar a segunda estrela mundial da Inglaterra, depois da conquistada em 1966.
O seu cartão de visita foi ter conquistado um vasto palmarés ao comando de equipas europeias de elite como Chelsea, Paris Saint-Germain, Bayern Munique e Borussia Dortmund.
Mas também a sua aposta no futebol ofensivo (média de 2,2 golos marcados por jogo a nível de clubes), a sua flexibilidade tática e a capacidade de obter resultados imediatos.
Na sua primeira época com os Blues (2020-21), por exemplo, venceu a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes.
É o terceiro estrangeiro a orientar a Inglaterra, depois do sueco Sven-Goran Eriksson e do italiano Fabio Capello, o alemão pretende que os Três Leões deem um passo em frente após a era de Gareth Southgate.
Southgate remodelou a seleção inglesa, mas nunca conseguiu dar o golpe final: caiu nas meias-finais e nos quartos de final nos Mundiais de 2018 e 2022 e perdeu duas vezes na final do Europeu (2021 e 2024).
À América do Norte 2026 a sua equipa chegou como uma das favoritas, mas o seu futebol esteve longe de encantar. No entanto, os golos de Harry Kane e Jude Bellingham foram suficientes para estar a um jogo da final de domingo.
No seu primeiro Mundial como selecionador surpreendeu ao deixar fora da convocatória jogadores reconhecidos como o lateral Trent Alexander-Arnold e os médios ofensivos Cole Palmer e Phil Foden.
Também mostrou diferentes facetas: o temperamental que grita com caretas estridentes a partir da zona técnica, o carismático que se diverte com os seus jogadores e o desbocado. Esta última característica provocou um momento de tensão com Bellingham, autor do bis que eliminou a Noruega nos quartos de final e com quem mantém uma relação tensa.
"Hoje complicámos muito a nossa vida", disse Tuchel, de 52 anos, após eliminar os Vikings.
O futebolista do Real Madrid usou o mesmo estilo direto do selecionador para responder: "Talvez não saiba o que é jogar, nestas condições, contra Erling Haaland, Odegaard, Nusa, Sorloth...".
Mundial-2026
O Campeonato do Mundo de 2026 tem lugar de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. O torneio conta com 48 seleções nacionais e é disputado em 16 estádios modernos.
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