Cronologia
• A 10 de agosto, a AFC, a CONCACAF e a UEFA escreveram uma carta conjunta a condenar Infantino e a apelar a uma reforma transformadora na FIFA: "A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter - ou exigir - que o poder seja mantido. Quando a confiança é quebrada através do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, esse dever foi abandonado", escreveram as confederações.
• Em julho, os membros da UEFA votaram a favor do boicote a todas as competições da FIFA enquanto a FIFA Forward Enterprise continuasse em cima da mesa, mas o boicote foi provisoriamente suspenso quando a FIFA abandonou a proposta.
• A 6 de setembro, Gianni Infantino confirmou que se recandidataria em 2027. A AFC, a CONCACAF e a UEFA estão a trabalhar em conjunto para substituir Infantino e apresentar um candidato contra o presidente. Até 18 de setembro, nenhum candidato tinha avançado.
• Entre os potenciais candidatos contra Gianni Infantino estão: Victor Montagliani (presidente da CONCACAF), Dariusz Mioduski (proprietário do Legia Varsóvia), Salman bin Ibrahim Al Khalifa (presidente da AFC) e Mattias Grafstrom (secretário-geral da FIFA).
• A Federação Neerlandesa de Futebol (KNVB) pretende organizar uma cimeira mundial sobre a reforma da FIFA, para a qual foram convidadas as 211 associações-membro, mas Infantino não é bem-vindo.
• As seguintes confederações e federações de futebol retiraram oficialmente o seu apoio a Gianni Infantino: UEFA (Europa), AFC (Ásia), CONCACAF (América do Norte e Central), Inglaterra, Escócia, País de Gales, Dinamarca, Países Baixos, Bélgica, Itália, Grécia, Alemanha, República da Irlanda, França, Finlândia, Sérvia, Suécia, Croácia, Albânia, Nova Zelândia, Noruega, Roménia, Irlanda do Norte, Jordânia, Serra Leoa, Canadá, Estados Unidos, Guiana, Suíça.
• As seguintes confederações e federações de futebol manifestaram o seu apoio a Gianni Infantino: CAF (África), CONMEBOL (América do Sul), Argentina, México, Granada, São Cristóvão e Neves, Paraguai, Catar, Marrocos, Sri Lanka, Kuwait, Líbano, Indonésia, Filipinas, Mongólia, Butão, Egito, Mauritânia, Níger, Sudão, RD Congo, Nigéria, Comores, Malawi, Uganda, Gâmbia, Djibuti, África do Sul, Bahrein, Iraque, Jordânia, Omã, Palestina, Arábia Saudita, Síria, Emirados Árabes Unidos, Iémen, Argélia, Líbia, Somália, Tunísia, Letónia.
As datas principais
18 de novembro de 2026: Todos os candidatos à presidência da FIFA terão de apresentar a sua candidatura até às 23:59 para poderem concorrer contra Gianni Infantino nas próximas eleições presidenciais da FIFA.
18 de março de 2027: As eleições presidenciais da FIFA terão lugar no 77.º Congresso da FIFA, em Rabat, Marrocos.

O contexto
Gianni Infantino assumiu a presidência da FIFA em 2016, depois de o desacreditado Sepp Blatter se ter demitido. Blatter deixou o cargo após uma investigação de corrupção em larga escala que levou à acusação de 18 pessoas, incluindo nove dirigentes da FIFA.
Desde os primeiros dias no cargo, Infantino procurou recuperar a imagem da FIFA, convidando alguns dos melhores jogadores de sempre para o acompanharem como as chamadas "Lendas da FIFA", embaixadores mundiais do futebol. Infantino apresentou um plano de 90 dias para erradicar a corrupção e recuperar a reputação manchada da FIFA. Disse que era "agora ou nunca" para mudar a governação da FIFA e recusou criticar Blatter.

Em pouco tempo, surgiram dúvidas sobre as prioridades de Infantino, e o dirigente suíço foi investigado várias vezes. Pouco depois da sua eleição, o comité de ética da FIFA investigou Infantino por ter aceitado dois voos em jatos privados. Um ano mais tarde, foi investigado e interrogado sobre a possibilidade de ter facilitado a saída repentina de dois presidentes e de todos os membros do comité de ética, com exceção de dois. Os procuradores suíços acusaram Infantino de tomar uma decisão "política", alegando que não existia um organismo independente a investigar as acusações de corrupção dirigidas à FIFA.
O procurador especial suíço voltou a investigar Infantino em 2020, afirmando que o presidente da FIFA tivera reuniões não divulgadas e não documentadas com o procurador-geral suíço Michael Lauber. Lauber deixou o cargo em 2020, depois de um tribunal ter decidido que encobrira as reuniões, enquanto os críticos afirmavam que Infantino atuava com a mesma falta de responsabilização do anterior regime da FIFA.
Em 2024, Infantino atribuiu à Arábia Saudita os direitos de organização do Mundial de 2034, felicitando o país com um ano de antecedência, apesar de a escolha ainda não ter sido submetida a votação. Infantino limitou o processo a candidaturas da Ásia e da Oceânia, enquanto o acordo de patrocínio da FIFA com a empresa petrolífera estatal saudita Aramco, no valor de 100 milhões de dólares anuais, alimentou a polémica.
Os escândalos
Nenhum país retirou o seu apoio a Infantino após as polémicas anteriormente mencionadas, mas a criação do Prémio da Paz da FIFA e a sua atribuição ao presidente dos EUA, Donald Trump, durante o sorteio do Mundial de 2026 voltou a lançar dúvidas sobre a ética de Infantino.
A pressão sobre a presidência de Infantino atingiu o ponto máximo durante o Mundial de 2026. O avançado dos EUA Folarin Balogun, melhor marcador da seleção, com 3 golos, viu um cartão vermelho no jogo a eliminar contra a Bósnia e Herzegovina, o que o impediu de disputar a partida dos oitavos de final frente à Bélgica, em Seattle. No entanto, após um telefonema de Donald Trump, a FIFA suspendeu o cartão vermelho, permitindo que Balogun defrontasse a Bélgica.

As federações nacionais criticaram a decisão, bem como a rejeição da FIFA ao pedido da Bélgica, a que a federação belga teve apenas algumas horas para responder, sem que a FIFA fornecesse qualquer informação.
Depois do Mundial, o mundo do futebol voltou-se em força contra a FIFA e Gianni Infantino, quando o organismo que rege o futebol mundial propôs vender participações no Mundial. Infantino tinha previsto angariar até 4,2 mil milhões de dólares através de uma subsidiária comercial chamada 'FIFA Forward Enterprise', avaliada em 20 mil milhões de dólares, para gerir os Mundiais masculino e feminino e o Mundial de Clubes.
As participações seriam vendidas a investidores individuais, entre os quais Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos EUA, Donald Trump.
Numa carta enviada às 211 associações-membro da FIFA, Infantino prometeu atribuir um incentivo único de 40 milhões de dólares às associações que aprovassem os planos, ao mesmo tempo que prometeu aumentar as verbas destinadas ao ciclo 2027-2030 de 8 milhões para 20 milhões de dólares.
O plano, que foi criticado até por Sepp Blatter, provocou uma onda de indignação no mundo do futebol. A UEFA, organismo dirigente do futebol europeu, classificou-o como um "acordo vergonhoso, de bastidores e opaco", enquanto os seus 55 membros votaram por unanimidade a favor do boicote a quaisquer futuros torneios da FIFA enquanto a proposta continuasse em cima da mesa. A AFC, organismo dirigente asiático, classificou a proposta como "totalmente inaceitável", enquanto a CONCACAF, a confederação da América do Norte e Central, afirmou estar "profundamente preocupada" com a falta de boa governação.
Até altos responsáveis da FIFA atacaram Infantino. O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, que viria a ser despedido, afirmou que os funcionários da FIFA tinham sido enganados por Infantino e que "chegou o momento de os líderes políticos do futebol fazerem a si próprios as perguntas certas e tomarem as decisões certas". O secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, lamentou a "triste e censurável sucessão de acontecimentos" e celebrou o fim da proposta da 'FFE'. Já o conselheiro sénior da FIFA, Carlos Cordeiro, demitiu-se depois de classificar a proposta como "um mau acordo para as associações-membro da FIFA, um mau acordo para o futebol e um mau acordo para o futuro do futebol a longo prazo."
Infantino e a FIFA abandonaram os planos de venda a 1 de agosto, afirmando que "o projeto criou divisões de tal natureza que, independentemente do nível de apoio, já não servem o objetivo inicialmente definido" e que o propósito da FIFA "sempre foi — e continuará a ser — unir e melhorar".
Segundo as notícias, Infantino enviou cartas de apoio pré-escritas às 211 associações-membro da FIFA. Muitas não as assinaram e algumas associações retiraram publicamente o seu apoio ao presidente da FIFA. Os membros da UEFA manifestaram-se em uníssono para declarar a perda de confiança em Infantino no mesmo dia em que os planos foram revogados.
A KNVB neerlandesa declarou uma "quebra fundamental de confiança", enquanto a FFF francesa afirmou que "a confiança depositada no presidente da FIFA foi traída" e a DFB alemã falou de uma "perda irreparável de confiança".
A AFC exigiu uma "avaliação abrangente" de Infantino, e a UEFA ameaçou avançar com uma ação judicial contra a FIFA, apelando a Infantino e ao organismo dirigente para "tomarem medidas imediatas para identificar, localizar e preservar todos os documentos e informações armazenadas eletronicamente descritos neste aviso que estejam na vossa posse, sob a vossa custódia ou sob o vosso controlo, ou na posse, sob a custódia ou sob o controlo da FIFA."
