Tonda Eckert assume responsabilidade pelo "Spygate", Southampton garante que não o vai despedir

Tonda Eckert, treinador do Southampton
Tonda Eckert, treinador do SouthamptonMICHAEL STEELE / GETTY IMAGES EUROPE / GETTY IMAGES VIA AFP

O treinador do Southampton, Tonda Eckert, pediu desculpa por ter orquestrado o escândalo do "spygate", que levou à expulsão do clube dos play-offs do Championship, enquanto o proprietário do clube inglês, Dragan Solak, garantiu que não iria despedir o alemão.

O Southampton foi excluído da final do play-off do mês passado depois de admitir que observou um treino realizado pelos seus adversários das meias-finais, o Middlesbrough, assim como outros dois incidentes semelhantes durante a época.

Receberam ainda uma dedução de quatro pontos, que será aplicada à tabela do Championship de 2026/27, enquanto a Federação Inglesa de Futebol abriu a sua própria investigação e poderá ainda acusar Tonda Eckert.

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Uma comissão disciplinar independente da English Football League (EFL) concluiu que existiu um "plano premeditado e determinado, vindo de cima, para obter vantagem competitiva" através de missões de espionagem.

Referiu que Tonda Eckert autorizou as táticas, destacando o uso "particularmente deplorável" de membros juniores do staff para realizar operações clandestinas.

O Southampton venceu o Middlesbrough por 2-1 no conjunto das duas mãos das meias-finais do play-off, mas o Boro foi reintegrado, acabando por perder na final frente ao Hull City, que subiu à Premier League.

Tonda Eckert, que foi nomeado treinador principal em dezembro, publicou esta terça-feira um vídeo de oito minutos sobre o escândalo nas redes sociais do Southampton.

"Por tudo o que aconteceu quero pedir desculpa e assumo a responsabilidade porque, como treinador principal, sou responsável por tudo o que se passou neste clube de futebol", afirmou.

O técnico de 33 anos acrescentou: "Estou devastado porque, depois de seis meses a reconstruir essa relação (com os adeptos), a época terminou, terminou de uma forma que não nos podia ter deixado numa situação pior do que aquela em que estamos agora."

Referiu que observar outras equipas é uma prática comum noutros países, embora tenha admitido que isso não serve de desculpa para as suas ações na segunda divisão inglesa.

"Quando trabalhei em Itália durante mais de quatro anos, todos os onzes iniciais que escolhemos para os jogos já estavam divulgados nos meios de comunicação antes dos encontros", disse.

"E a razão é que os nossos treinos, especialmente os que antecedem os jogos, eram sempre observados pela comunicação social e também por equipas adversárias com quem íamos jogar. (Pep) Guardiola falou sobre isto quando esteve no Bayern Munique, dizendo que era prática comum na Alemanha observar treinos, sabendo que as outras equipas fariam o mesmo", acrescentou.

Eckert era amplamente apontado à saída após a expulsão do Southampton dos play-offs, o que custou ao clube a oportunidade de regressar de imediato à Premier League e um encaixe financeiro de cerca de 230 milhões de euros.

No entanto, o presidente do Southampton, Solak, manifestou um forte apoio a Eckert numa publicação própria nos canais do clube esta terça-feira.

"O período do Tonda como nosso treinador principal tem sido um sucesso até agora. O nosso desempenho em 2026 tem sido notável e acreditamos que é o homem certo para nos conduzir em frente", afirmou Solak.

"Enquanto direção estamos totalmente com ele e juntos só temos um objetivo – queremos a promoção de regresso à Premier League", acrescentou o dirigente.

Solak disse à BBC, em separado, que Tonda tinha sido alvo de uma caça às bruxas nos meios de comunicação, afirmando acreditar que o clube foi "excessivamente penalizado".

O sérvio, cuja empresa de comunicação adquiriu a maioria do capital do clube do sul em 2022, afirmou: "Acredito no Tonda quando diz que não sabia que estava a infringir a regra. A minha opinião pessoal, e a opinião da direção, é que é um treinador que merece o nosso apoio e o nosso respaldo."

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