"Falei com as pessoas do Atlético de Madrid e penso que o melhor para todos é uma transferência. Quero concretizar o meu sonho." As palavras de Julián Álvarez caíram como uma bomba em pleno Mundial-2026. Após o segundo jogo da Argentina (contra a Áustria), e numa altura em que já circulavam muitos rumores mediáticos sobre a vontade do avançado de se juntar ao Barcelona.
Quase dois meses depois, o jogador continua no Atlético de Madrid e não será transferido para a Catalunha. Mas, afinal, será isto bom ou mau para o clube colchonero?
Uma onda mediática rápida
A dimensão de Julián Álvarez gerou uma onda mediática forte e imediata logo no final de maio. Em resposta ao interesse blaugrana pelo seu jogador, o Atlético de Madrid mostrou-se igualmente decidido: não seria vendido ao Barça.
De facto, uma série de publicações no X a ridicularizar o clube catalão não tardou. O clube publicou primeiro uma falsa chegada de Lamine Yamal, depois de Pedri e Raphinha. O objetivo era claro: gozar com a situação e, assim, com os rumores sobre o desejo do argentino de sair. Mas isso só veio adensar ainda mais a polémica.
O avançado fez a sua declaração perante os meios de comunicação e a engrenagem seguiu.
No entanto, estando sob contrato até 2030 e com uma cláusula de rescisão de 500 milhões de euros, a transferência já parecia impossível. Tornou-se ainda mais inviável quando o Atlético de Madrid colocou imediatamente o seu veto e recusou negociar qualquer saída para o clube rival.
Situações difíceis e bloqueadas
Durante todo o verão, o Barça não conseguiu discutir a situação com os colchoneros. Miguel Ángel Gil Marín, presidente do Atlético de Madrid, manteve-se inflexível: a estrela ofensiva da equipa não seria vendida aos catalães. E isto independentemente da sua vontade, bem como do desejo manifestado no regresso das férias.
Há dois dias, os colchoneros comunicaram de forma categórica após as declarações de Joan Laporta, insistindo no interesse por Julián Álvarez. "Os membros do conselho de administração do Atlético de Madrid expressaram unanimemente o seu total apoio à decisão do clube de não negociar a transferência de Julián Alvarez para o FC Barcelona", informou o clube.
A razão para estas recusas repetidas? A convicção de não querer reforçar um rival, mas também, segundo o lado da capital, mostrar força após aquilo que classificam como "uma alegada violação das regras deontológicas." O Atlético de Madrid apresentou mesmo queixa contra o Barça em julho passado, junto da Federação Espanhola de Futebol, acusando os catalães de contactos irregulares com o jogador sem passar antes pela instituição.
O braço de ferro manteve-se, com o jogador obrigado a cumprir as diretivas do seu contrato e a treinar-se com a equipa desde o regresso das férias. Algo que fez até esta semana.
Saúde em risco e algumas alternativas
Notícias nos meios de comunicação espanhóis deram conta do mau estado mental do jogador. Alguns garantiram que ele "chorou" ao reiterar o seu desejo de ser transferido para o Barça, enquanto a Cope anunciou esta sexta-feira que estava "em depressão".
A imagem do Atlético de Madrid como clube rígido ficou assim reforçada, e o estado de espírito de Julián Álvarez não pareceu o ideal para começar a época.
Por isso, o clube tentou negociar com outras equipas durante este mês de agosto. Foram estabelecidos contactos com o Arsenal. No entanto, apesar do interesse dos Gunners, Julián Álvarez voltou a afirmar que só queria o Barça.
O próprio Gil Marín abordou a saúde da Aranha: "É uma pessoa fantástica, um grande profissional e um excelente futebolista, que está completamente desorientado e atravessa atualmente um período muito, muito difícil, tanto a nível pessoal como profissional".
Uma ausência importante?
No final de contas, depois de todas estas semanas de luta, a questão é fundamental. Num Atlético de Madrid que na época passada girava em torno dos seus dois avançados de referência (Antoine Griezmann e Julián Álvarez), será fundamental ver o argentino reassumir totalmente o protagonismo?
Durante a pré-época e neste início de temporada, a sua ausência não foi necessariamente prejudicial para os Rojiblancos. É certo que o clube sentiu muita falta de eficácia ofensiva na 1.ª parte frente ao Málaga. No entanto, conseguiu resolver mais tarde (2-0). E se os golos também não apareceram frente ao Villarreal, a equipa acabou por empatar (2-2).
Além disso, o empenho de Ademola Lookman, a resiliência de Álex Baena, a garra de Giuliano Simeone e a motivação da equipa permitem ao Atlético de Madrid manter as suas ambições. A ausência de Julián Álvarez já foi notada, e reconhecida por todo o plantel desde meados de agosto, mas tem sido sobretudo colmatada pelos jogadores em campo.
Uma situação lamentável, pois o treinador argentino não deixou de recordar à imprensa que quer "construir uma equipa à volta dele, já que é (o seu) melhor jogador no ataque". Mas a hostilidade adquirida pelos adeptos colchoneros em relação ao avançado é evidente. A sua época antevê-se ainda mais difícil e comprometida.
Aliás, Julián Álvarez não estará ainda disponível para o jogo contra o Sevilha, este sábado. O Atlético de Madrid vai desenrascar-se sem ele. O seu contributo continua a ser desejado e facilitaria muito as coisas nas próximas jornadas. Mas, caso permaneça no clube e num espírito de oposição, a época será sobretudo longa para ele.
