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Análise: Aula de Mourinho e lição Mbappé acabam com série do Barça e dão ao Real uma vitória de afirmação

Kylian Mbappé, do Real Madrid, celebra o golo da vitória contra o Barcelona
Kylian Mbappé, do Real Madrid, celebra o golo da vitória contra o BarcelonaReuters / Albert Gea

Quando o Barcelona e o Real Madrid se defrontam no El Clásico, todo o planeta do futebol para para assistir e admirar.

Recorde as incidências da partida

Raramente, se é que alguma vez, há um jogo entre estes dois gigantes espanhóis que não dê origem a um ou dois temas de conversa. Com José Mourinho, antagonista de muitos Clásicos do passado, de regresso ao conjunto merengue, havia razões para acreditar que esta edição não seria diferente.

Barça procurava recorde na LaLiga

O Real Madrid certamente esperaria que o "Special One" contrariasse as probabilidades, dado que não tinha perdido nenhum dos seus últimos cinco jogos contra o Barça quando treinava o eterno rival (V3, D2).

No entanto, sob o comando de Hansi Flick, os catalães têm sido uma equipa diferente e procuravam a 10.ª vitória consecutiva no campeonato desde o início da época. Se o conseguissem, estabeleceriam um novo recorde.

Resultados anteriores dos duelos diretos
Resultados anteriores dos duelos diretosFlashscore

O momento de forma favorecia claramente os Blaugrana, tal como o facto de terem vencido seis dos últimos sete Clásicos oficiais e de terem triunfado em todos os últimos 23 jogos da LaLiga em casa, marcando pelo menos dois golos em cada um dos quatro encontros disputados no Camp Nou em 2026/27.

Os visitantes ainda não tinham mantido a baliza inviolada fora do Santiago Bernabéu esta época e tinham perdido dois dos últimos três jogos fora de casa para o campeonato (V1). Ainda assim, marcaram quatro vezes em cada um dos últimos três jogos oficiais (V3), e o registo dos últimos 13 Clásicos era-lhes favorável (V8, D5, E0).

Pressão incessante desde o início

O Real precisou de quase dois minutos para ter algum tipo de posse de bola e, mesmo quando a conseguiu, voltou a perdê-la rapidamente. Os visitantes perderam a posse por seis vezes nos primeiros cinco minutos, com Yan Diomande responsável por três perdas.

Apesar disso e da pressão incessante do Barça, o Real Madrid teve a primeira tentativa, por intermédio de Arda Güler.

Aos 10 minutos, 15 jogadores no total continuavam com 100% de eficácia no passe, o que evidenciava a qualidade das duas equipas.

Kylian Mbappé era um dos poucos jogadores do Real que conseguiam ultrapassar de forma consistente a linha defensiva subida do Barça. Güler e Diomande já tinham tocado duas vezes na bola dentro da área dos anfitriões no primeiro quarto de hora.

Mourinho acertou em cheio na estratégia

À boa maneira de José Mourinho, uma linha de cinco defesas por vezes anulava qualquer criatividade da móvel linha da frente do Barcelona. Marc Cucurella e Lamine Yamal renovaram a rivalidade do duelo da Liga dos Campeões da época passada, quando o primeiro representava o Chelsea. Era um duelo a que valia a pena estar atento.

Na verdade, nessa fase inicial, o jogador do Madrid levou a melhor nesses duelos. Lamine não tinha feito qualquer remate, somava apenas um toque na bola dentro da área do Real e tinha perdido dois dos três duelos individuais nos primeiros 20 minutos.

Como seria de esperar, o Barça teve dois terços da posse de bola na primeira meia hora. Também superou ligeiramente o adversário na eficácia do passe (88,8% contra 87,5%), nos duelos individuais pelo chão (52,9% contra 47,1%) e nos duelos aéreos (75% contra 25%).

A saída precoce de Xavi Espart obrigou o Barça a reorganizar a defesa e permitiu o regresso de Alejandro Balde ao onze inicial pela primeira vez em algum tempo.

Gerard Martin ofereceu o primeiro golo a Mbappé

O problema dos anfitriões estava na forma excelente como o Real Madrid lhes negava espaço e os obrigava a procurar outra maneira de jogar.

Para perceber o quão combativos foram os visitantes na primeira parte, Diomande, Cucurella, Güler, Bernardo Silva e Aurélien Tchouaméni tinham participado em pelo menos cinco duelos individuais. Coletivamente, a equipa também recuperou a posse em 16 ocasiões distintas.

Os três remates de Raphinha antes do intervalo levaram perigo, mas saíram todos ao lado, sintoma do mal-estar mais amplo do Barça.

Um corte deficiente de um Gerard Martin abaixo do seu nível, mesmo antes do intervalo, deixou a bola precisamente nos pés de Mbappé. O esférico limitou-se a embater no francês antes de entrar.

Lamine sem brilho

Foi apenas um dos dois remates do Real enquadrados, mas era o mínimo que os merengues mereciam depois de uma primeira parte muito mais positiva para eles do que para os anfitriões.

As apenas duas interceções do Barça nos primeiros 45 minutos contavam a sua própria história, embora a equipa tenha regressado do intervalo com uma atitude muito mais determinada.

Estatísticas da partida
Estatísticas da partidaFlashscore

Lamine Yamal continuava sem brilho, contudo, e a sua eficácia no passe, de apenas 81,3%, era a segunda pior do jogo na primeira hora.

Com o seu talismã longe do seu melhor, a responsabilidade recaiu sobre os colegas, mas, quando foi preciso, continuaram a ficar aquém. Pedri, por exemplo, tinha ganho apenas um dos seus duelos.

Raphinha devolveu a esperança ao Barcelona

O golo do empate de Raphinha foi o seu primeiro remate enquadrado em seis tentativas. Embora não tenha surgido necessariamente contra a corrente do jogo, apareceu do nada.

Deu novo ímpeto aos anfitriões, mas houve elementos surpreendentes em vários aspetos do jogo do Barça.

Por exemplo, Rodri, normalmente tão fiável no meio-campo, perdeu a posse em 10 ocasiões, o que significou uma perda constante de controlo do Barça nessas zonas.

O outro problema para Hansi Flick terá sido perceber por que razão a sua equipa não esteve tão por cima, tendo em conta os dados coletivos da posse de bola (61,9% contra 38,1%) e o número de remates, que favoreceu o clube catalão por 17-8.

Golpe decisivo de Mbappé

Já muito perto do fim, a arrancada impressionante de Eduardo Camavinga pelo campo e o passe perfeito para Mbappé desferiram um golpe decisivo que deixou os anfitriões sem reação.

Mourinho tomou as decisões certas no momento certo e, desta vez, não se pode dizer o mesmo de Flick.

O Barça simplesmente não teve respostas e, quando jogadores como Rodri e Pedri estão longe do seu melhor, percebe-se que não será a sua noite.

Pouco importará que os catalães tenham sido superiores em quase todos os indicadores. O único que interessa ao Real é aquele que significa que regressa a Madrid com os três pontos.

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