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Exclusivo com Luhay Amido: "Queremos continuar a usar o Ceuta para que não se esqueçam de nós"

Luhay Amido a apresentar a renovação do acordo de filiação com o Sporting Atlético de Ceuta
Luhay Amido a apresentar a renovação do acordo de filiação com o Sporting Atlético de CeutaAgrupación Deportiva Ceuta

A Agrupación Deportiva Ceuta não é alheia à situação que atravessa a cidade autónoma e iniciou a época com cinco derrotas em cinco jogos. O seu presidente, Luhay Amido, falo em exclusivo a Jesús Toledano, do Flashscore.

- A primeira coisa que quero perguntar a Luhay Amido é como está o clube e a cidade. Como está a Agrupación Deportiva Ceuta a lidar com a competição e com toda a situação política que a cidade está a viver?

Não te posso dizer que haja normalidade, porque não há. Mas, evidentemente, estamos a tentar proteger os jogadores, isto a nível de equipa, para que possam continuar a trabalhar em perfeitas condições e com segurança.

Acreditamos que já estão a atingir o ponto ideal e vamos continuar a competir até ao fim. E, além disso, com garantias, estou convencido disso. A situação foi difícil de gerir, sim, teve impacto. Somos um clube muito familiar e foi complicado, foi uma pré-época diferente. Os jogadores tiveram de se habituar a uma normalidade que nos querem vender, mas que na realidade não existe.

Quanto à cidade, está a resistir, está unida. Somos um povo forte, solidário, um povo onde convivem quatro culturas e temos muita paciência, muita resistência, mas, evidentemente, tudo tem um limite.

Precisamos de respostas e precisamos de soluções. Respostas sobre porque é que isto aconteceu, porque é que não houve um plano de prevenção depois do que aconteceu em 2021. E penso que não estão a ser claros connosco. E, além disso, as soluções ou não chegam, ou chegam demasiado tarde. O que mais nos dói é a sensação de abandono que sentimos aqui na cidade, por parte, evidentemente, do Governo da nação e das autoridades competentes.

Penso que isto não é um problema só de Ceuta, é um problema de todo o país e, sobretudo, da Europa. E penso que a Europa tem de intervir e é preciso mudar coisas. E tudo passa por Ceuta passar a ser comunidade autónoma, por haver uma fronteira europeia em condições e por estarmos incluídos no tratado da NATO. A partir daí, continuaremos a resistir, mas, evidentemente, a situação não é fácil. Não queremos que nos mintam, queremos respostas e queremos soluções.

- Fala-me de proteger os jogadores numa pré-época que, evidentemente, foi diferente, num contexto complicado. E precisamente entendo que a direção desportiva trabalhou a todo o gás para tentar construir um plantel o mais competitivo possível. Mas reconheceu, creio que há alguns dias, que falharam até 15 contratações. Não sei como foi o planeamento, como trabalharam durante o verão, porque é verdade que chegaram jogadores de grande qualidade como Meléndez, Cedrick Teguía, Camacho, Jordi Escobar, Sadik, Petxarroman, Obinna. Mas certamente não conseguiram formar, devido à situação, o plantel que desejavam para este segundo ano na competição, pois não?

Pois, de facto, a direção desportiva trabalhou em conjunto com o treinador. É verdade que temos uma grande base de dados, que fizemos excelentes contratações, mas depois da avalanche do dia 31, evidentemente, havia jogadores que tínhamos muito bem encaminhados, mas era preciso esperar até ao fim para ver se decidiam ou não. Para saber qual era o limite salarial de que dispúnhamos para poder avançar com as operações.

Se tens primeira opção, segunda opção, terceira opção para o meio-campo, vês como vai caindo a primeira, a segunda, a terceira. Vais para um extremo direito e também cai a primeira, a segunda e a terceira. E assim até 14, 15 jogadores.

Mas temos uma base de dados muito ampla, temos uma direção desportiva e um treinador que percebem muito disto e, no fim, estão aqui os que querem estar e os que nós queremos que estejam. Convidámos alguns jogadores a virem conhecer a situação, a vivê-la em primeira mão. E assim foi, e assim conseguimos completar o plantel.

Foi um trabalho muito duro e muito complicado. Mas penso que, no fim, conseguimos montar um plantel de garantias e que vamos competir a um nível muito bom. Como te dizia antes, a pré-época foi diferente e estes cinco jogos de liga, nós somamos ao que foi a pré-época, que não se pôde fazer como gostaríamos, nem a nível físico, nem ao nível do que o treinador queria em termos táticos e também psicológicos.

E penso que agora sim, estamos a chegar a esse ponto em que o treinador está mais satisfeito e os jogadores estão mais confiantes. E bem, o exercício mental que lhes pedi esta semana foi que tentassem esquecer tudo o que aconteceu nestas cinco jornadas, que estávamos em pré-época e que a liga começa este domingo. Exercício mental para todos, para o treinador, equipa técnica, jogadores, para mim como presidente, para a direção desportiva, para todo o clube e para toda a massa adepta. Nisto temos de estar unidos, temos de estar juntos para ultrapassar isto e acreditamos que o vamos conseguir, mas sim, foi um mercado complicado.

Luhay Hamido no Alfonso Murube
Luhay Hamido no Alfonso MurubeAgrupación Deportiva Ceuta

- Evidentemente, isto é muito longo, a competição acaba de começar. É verdade que o início não foi o desejado. Cinco jogos, cinco derrotas. Mas também o ouvi, presidente, defender que o Ceuta é mais do que um clube, é um sentimento que une estas quatro culturas diferentes numa cidade com cerca de 18-20 quilómetros quadrados. Isso mudou, presidente, ou as pessoas, apesar da situação, continuam a ir ao Murube, continuam a apoiar a equipa? Como está a ver também esse apoio, esse respaldo da massa adepta à Agrupación Deportiva Ceuta?

Bem, começo pelo fim. O apoio da massa adepta é incrível, é incondicional. O Murube é a casa de todos os ceutenses. Lá juntamo-nos todos, independentemente da raça, cultura, ideologia política. Lá estamos todos sob a mesma bandeira, a de Ceuta e a de Espanha. E sentimos o carinho e sentimos que a massa adepta nos apoia e está connosco, como sempre esteve.

São 18 quilómetros quadrados onde convivem 80.000 pessoas de quatro culturas e penso que é um exemplo a nível mundial, que devia ser dado nas universidades, de como convivem quatro culturas em tão poucos quilómetros quadrados. E quanto às dinâmicas, penso que se viu muita melhoria no jogo contra o Burgos, penso que estivemos muito bem e que, como disseste, tivemos esse azar, provavelmente provocado pela inércia, porque a inércia tem de mudar e a dinâmica tem de mudar.

Mas também não somos de arranjar desculpas. Isto afeta muito, mas nós competimos. É futebol, ganha-se, empata-se ou perde-se e vamos continuar a trabalhar sem desculpas. Já falámos que isto afeta. Estamos a tentar superar a nível psicológico e competir com as melhores garantias. Mas da massa adepta só podemos ter palavras de agradecimento. E a verdade é que estamos todos unidos e muito contentes pelo apoio que a nossa massa adepta nos demonstra, sinceramente.

- Perguntava-lhe isto porque houve umas declarações suas que geraram alguma polémica. Disse: "Quem não se sente identificado porque o presidente é mouro, que dê um passo em frente". Não sei se em algum momento viu que as pessoas se afastaram em vez de ajudar. E não sei se em algum momento sentiu essa falta de compromisso, fruto da situação tão complicada que a cidade atravessa.

Conto-te, aqui sim, houve pessoas que tentaram quebrar essa convivência que temos por alguns interesses. E a mim, pessoalmente, chegaram-me vários prints. Sou uma pessoa bastante tranquila, normalmente não ligo a essas coisas, mas quando já tocam na família é diferente.

Quando te enviam um print, e vou dizer isto muito claramente, a dizer que a tua mãe é uma filha da .... pró-marroquina que deu à luz um bastardo, a tua mulher é outra p... que deu à luz outro bastardo, todos pró-marroquinos, e tu és outro filho da... pró-marroquino, aí tenho de me impor. Já está denunciado no tribunal, no departamento de cibersegurança da polícia. E bem, vão identificar os IPs e depois veremos. Mas podem dizer-me muitas coisas e eu posso responder ou não, tenho esse direito, mas se tocam na minha família, aí reajo com tudo.

E isto foi apenas um pequeno aviso, mas vou levar isto até ao fim. Mas, no geral, estou tranquilo, tenho o apoio da minha gente, da massa adepta. E esses que enviam esses prints, que foram vários, além de cobardes, porque o fazem com perfis falsos... Dói muito quando no meu BI diz nascido em Ceuta a 26 de setembro de 82. Os meus pais, nascidos em Ceuta, os meus avós enterrados aqui em Ceuta, o meu filho nascido aqui em Ceuta e em Ceuta diz BI Espanha.

Portanto, ter de aguentar essas coisas dói. Dói quando, a meu ver, dou tudo pela minha cidade e pelo meu clube. E vou continuar a fazê-lo, independentemente do que digam ou pensem. Mas isso não posso permitir nem vou permitir. E está denunciado. E vou levar isto até ao fim. À família não se toca.

Luhay Hamido com um dirigente
Luhay Hamido com um dirigenteAgrupación Deportiva Ceuta

-  A última que lhe faço, presidente, voltando a centrar-nos na vertente desportiva. No domingo, novo teste em casa frente ao Real Valladolid. O que espera desse jogo e o que diria à massa adepta, que acredito que vai ser muito importante para tentar alcançar essa primeira vitória da época no Murube, que sempre foi um autêntico fortim?

Estou com muita vontade que chegue o domingo, que a massa adepta nos apoie como sempre fez. Além disso, nas situações complicadas, a nossa massa adepta dá sempre um passo em frente e cresce, e isso faz com que a equipa também cresça, o que dá muita força à equipa.

Se competirmos como sabemos competir, no Murube vai ser muito difícil perdermos pontos. Por isso, com muita vontade que chegue o domingo, que chegue o jogo e dar uma enorme alegria à massa adepta. Que não nos larguem a mão, porque vamos continuar a dar tudo por este emblema, por esta cidade e continuar a usar o Ceuta como porta-voz para que não se esqueçam de nós. Quanto mais jogos ganharmos, mais se vai falar de nós. E essa é agora a nossa motivação. Não o fazemos só por nós, fazemos pela massa adepta, pelas nossas famílias e por Ceuta, e para que não se esqueçam de nós.