Recorde as incidências do encontro
Numa atmosfera de euforia contida, no La Cartuja disputavam-se dois jogos: o que colocava frente a frente o Betis e o Elche, e o dos Balaídos, o Celta-Levante, que tinha começado uma hora antes. Em ambos estava em causa a Liga dos Campeões e a permanência.

Sem se deixarem contagiar pelos adeptos nem se exaltarem, os comandados de Pellegrini entraram tranquilos, permitindo ao Elche dominar e ficar com a bola. Uma armadilha para os de Eder Sarabia. Assim que os verdiblancos conseguiram sair em transição, já estava o 1-0 no marcador, assinado por Cucho Hernández.
A jogada saiu tão bem que quase foi repetida, desta vez com Abde como protagonista após outra transição perigosa. Os ilicitanos, contudo, mantiveram-se fiéis à sua ideia e continuaram a atacar, usando a posse como fio condutor até Álvaro Valles, que teve de intervir para negar o golo a André Silva. Mas, tirando essa aproximação do português, o domínio era estéril. E os béticos estavam descontraídos... até que um remate feliz de Héctor Fort descreveu uma parábola que acabou por beijar as redes.

Com esse inesperado 1-1, os adeptos sevilhanos mostraram o seu desagrado com o desempenho da equipa. Tentaram então assumir o controlo, mas não só não o conseguiram como começaram a deixar espaços na defesa. Chegaram mesmo a ver o Elche marcar o segundo golo... anulado por mão de André Silva. A bola bateu-lhe e beneficiou disso. Nada que evitasse a indignação dos visitantes com o árbitro nem a irritação dos adeptos locais com os seus jogadores ao intervalo.
Antes do regresso ao relvado, já se sabia que o Celta tinha perdido em casa por 2-3 frente ao Levante. O Betis podia garantir a Liga dos Campeões com uma vitória e o Elche precisava de ganhar para continuar três pontos acima da zona de descida, com menos uma jornada por disputar. Muito em jogo e uma necessidade que assentou melhor aos anfitriões, até porque Petrot fez uma entrada tão mal medida que acabou expulso aos quatro minutos da segunda parte.
A partir daí começou outro jogo, naturalmente, com um assédio bético cada vez mais intenso para garantir a cobiçada quinta posição. O golo que faltava esteve quase a ser marcado por Chust, que ao tentar aliviar acertou na trave. Para dar mais poder ofensivo à equipa, Isco entrou para o lugar de Lo Celso. A ovação foi monumental para receber o mago do Arroyo de la Miel. Mas ainda maior foi o aplauso quando Pablo Fornals disparou de pé direito e a bola entrou quase junto ao ângulo de Dituro. Um golaço de Liga dos Campeões.
A tranquilidade definitiva podia ter chegado logo a seguir, não fosse Dituro travar Abde. Mas, apesar de o campo já estar inclinado para a área do Elche, Álvaro Rodríguez, um dia depois da morte do pai, esteve perto de poder dedicar-lhe um golo. Foi um aviso de que os visitantes não baixavam os braços.
No entanto, apesar dos esforços, o Betis não deixou fugir o seu tesouro. Até Cucho desperdiçou o terceiro já nos descontos. Não precisou de o marcar para garantir um triunfo que vale um acesso direto à próxima edição da Liga dos Campeões.

