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LaLiga: Com o Espí(rito) da fé, o Real Madrid salva-se de descalabro e de Anselmi em Elche (2-3)

Mbappé, queixoso após marcar o seu golo em Elche
Mbappé, queixoso após marcar o seu golo em ElcheReuters

O Real Madrid, de José Mourinho, tinha o jogo controlado com os golos de Güler e Mbappé na primeira parte, mas complicou a vida a si próprio numa segunda metade marcada por uma tremenda falta de atitude, em que o Elche, orientado pelo ex-FC Porto Martín Anselmi, castigou os merengues com golos de Osorio e Fer Niño. Teve de ser novamente Carlos Espí a salvar os blancos com o golo do triunfo ao minuto 90, numa partida em que Bernardo Silva não saiu do banco de suplentes.

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O Real Madrid ganhou um mau hábito. E isso pode custar-lhe a LaLiga mais cedo do que se pensa. Depois de cumprir na primeira parte, insistir e insistir até derrubar o muro adversário, deixa-se adormecer na segunda metade e depois acontece o que tem de acontecer. Se a atitude não for a melhor, será castigado da pior forma possível.

Pontuações dos jogadores
Pontuações dos jogadoresFlashscore

Assim se explica o filme dos primeiros 45 minutos. Vini teve logo no início do jogo a oportunidade de inaugurar o marcador. O seu remate não foi remate, apenas um toque suave e mal direcionado. O brasileiro voltaria a falhar perante Dituro, desta vez de biqueira. Pelo meio, o guarda-redes argentino agarrou com sangue-frio, junto ao poste, um cabeceamento de Huijsen.

Ainda assim, havia satisfação no Elche porque estavam a bater-se de igual para igual com o adversário. Até se ouviu um "ui" vindo da bancada num remate cruzado de Tete Morente que não encontrou a baliza. Mas então apareceu Arda Güler para trazer magia com o seu pé esquerdo num livre direto que bateu no poste, roçou a mão de um Dituro mal posicionado e transformou-se no 0-1.

Pouco depois, já ultrapassada a meia hora de jogo, Mbappé não falhou o encontro com o golo. Arriscou o físico, mas antes de o joelho do guarda-redes embater na sua coxa, conseguiu melhorar o já bom passe de Diomandé, transformando-o no 0-2.

Os da casa deram facilidades e demasiado espaço aos galgos do Madrid. A Mbappé foi anulado um golo por fora de jogo, por uma diferença de um joelho. Vini Jr. voltou a falhar num remate após um contra-ataque que Güler não conseguiu finalizar depois da defesa do guarda-redes. E assim se chegou ao intervalo, em que, pelo menos, o Elche saiu com o consolo de uma meia volta de Osorio e de um remate de pé direito de Tete que obrigou Courtois a aplicar-se. Perdiam, mas ainda não estava tudo perdido.

À exceção de Diomandé, que mostrou capacidade de desequilíbrio e generosidade defensiva, e de alguns pormenores de Güler, a segunda parte dos blancos foi penosa. Sem ritmo, com excesso de relaxamento, trocaram-se os papéis e foram os franjiverdes a assumir a posse de bola e a instalar-se na área de Courtois. Existia o risco dos contra-ataques, que ainda aconteceram, mas Vini voltou a estar desastroso na finalização. E isso deu ainda mais ânimo aos pupilos de Martín Anselmi que, de tanto insistirem, conseguiram o primeiro prémio. Foi Osorio quem cabeceou para o golo após um cruzamento de Cepeda, a quem a defesa abriu caminho para facilitar-lhe a vida. 1-2 e ainda faltavam 20 minutos.

Nessa altura, Mourinho já tinha lançado jogadores frescos, Bellingham e Brahim, mas nem assim se evitou o inevitável desse golo que já se adivinhava desde Buenos Aires. E não seria o único. Porque, apesar desse golo sofrido, a atitude madridista não mudou nem um pouco. E voltou a ser castigada. Foi Fer Niño, com classe, a colocar a bola longe de Courtois e a fazer o 2-2. O Martínez Valero veio abaixo.

Foi então que Mou olhou para o banco e chamou Endrick e Espí. Desta vez sim, o Real Madrid mudou por completo. Lançou-se ao ataque, com Brahim a lateral direito, e numa arrancada de Mbappé, este atraiu todas as atenções enquanto Espí esperava para empurrar para a baliza deserta. E assim foi, com o jovem a voltar a salvar in extremis o Special One, penalizando em demasia a valentia ilicitana que acreditou no triunfo.