Recorde aqui as incidências do encontro
Lamine Yamal estava irreverente. Via-se-lhe na cara, nos gestos com a bola, na energia e capacidade de desequilíbrio. Foi ele, juntamente com Raphinha, claro, quem liderou no início do jogo a ofensiva blaugrana perante um Rayo fechado porque não tinha outra opção, mas que saía rapidamente, como o próprio nome indica, para os domínios de Joan García. E depois de várias ocasiões dos culés, a ideia deu frutos aos de Vallecas.

Em grande parte porque Koundé justificou o motivo pelo qual Flick já não confia nele como antes. Deixou-se bater nas costas, Álvaro García escapou-se e Camello apareceu antes de Christensen para fazer o 0-1.
Longe de se deixar abalar, o Barça continuou como um martelo. As arrancadas de Álvaro não eram indiferentes, mas eram pouco frequentes. O que se repetia vezes sem conta eram as tentativas de desequilíbrio, sobretudo pela direita. No entanto, o empate dos catalães surgiu pelo centro, com uma triangulação vertiginosa ao primeiro toque entre Pedri, Xavi Espart e Raphinha. Pim, pam, pum, o brasileiro partiu a cintura a Pathé Ciss com uma simulação fulgurante e enganou Cárdenas na saída. Golaço.
O que faltava na festa
Apenas dois minutos depois, pouco antes do meio da primeira parte, Lamine Yamal embelezou ainda mais a reviravolta. Agarrou a bola no canto da área, ajeitou-a como tantas vezes e como todos sabem e disparou um remate de pé esquerdo à gaveta que se transformou no belíssimo 2-1. Que maneira de matar aranhas.
O Rayo, apesar dos dois golpes seguidos, não perdeu a atitude no jogo. Lutou para continuar a defender-se com unhas e dentes sem abdicar dos contra-ataques. Gnangoro Bouaré foi quem testou as luvas de um Joan García que teve de travar em dois tempos a ousadia do Rayo.
Tal como o VAR travou Koundé, que aproveitou um ressalto de Cárdenas no enésimo remate de Gordon para marcar. Estava claramente em fora de jogo, embora o árbitro tenha tido de esperar pela correção, pois a sua decisão inicial tinha sido validar o golo. Fica a dúvida para que servem afinal os árbitros em campo...
Um Rayo corajoso
Na segunda e com a ideia reforçada de pressionar alto sempre que possível para não ser encurralado, os de Beñat voltaram a ser castigados numa incursão de Gordon. O inglês tentou servir Raphinha para o golo, mas Lejeune antecipou-se para evitar... com tanto azar que acabou por marcar na própria baliza. O Barça celebrou, pois era o 3-1, enquanto os adeptos entoavam o apelido de Gordon.
O que acontece é que os de Vallecas estão habituados a dificuldades e não se deixam abater por mais um contratempo. Mantiveram-se fiéis à sua ideia e o futebol recompensou-os. Num erro ao tentar dominar com o peito, Christensen ofereceu um canto. E para finalizar apareceu novamente Camello, desta vez de cabeça, para fazer o 3-2.
Logo a seguir, como a querer imitar o que o adversário fizera na primeira parte, o Rayo teve o 3-3. Joan García afastou mal uma bola de Fran Pérez e o ressalto foi apanhado por Camello, mas Cubarsí interpôs-se. O jogo estava aberto, os jogadores do Rayo continuavam a ameaçar no contra-ataque e Flick lançou Rodri e Fermín para recuperar o controlo.
Pouco depois, ao minuto 70, os catalães voltaram a festejar golo graças a um passe longo de Koundé, a um toque de calcanhar de Gordon e a um remate rasteiro e cruzado de um Raphinha que é como o rei Midas: transforma tudo em ouro.
Era estranho o marcador não voltar a mexer, tanto numa baliza como noutra, com tantas aproximações às duas áreas. Cárdenas teve culpa num remate de Adeyemi, acabado de entrar. E Nteka foi o responsável por o Rayo não marcar o terceiro golo, com um remate fácil que colocou exatamente onde o guarda-redes blaugrana esperava. Mas então apareceu Lamine Yamal, que parecia ter desaparecido, para sacar um remate em arco junto ao poste e marcar o quinto do Barça.
Nessa altura, já Hamza Abdelkarim se tinha estreado na LaLiga. E Joan teve de brilhar para desviar um remate de Alemao. Não houve tempo para mais. O Barça é uma máquina de fazer golos e, com Gabriel Jesus na bancada à espera da oficialização da sua contratação, Raphinha e Lamine Yamal mostraram que não precisam realmente de um 9.

