A irregularidade marcou o Mónaco na época passada, em que Sébastien Pocognoli substituiu Adi Hütter em outubro.
Após um início muito complicado, o jovem técnico belga conseguiu endireitar o rumo da equipa depois de uma pesada derrota libertadora no Santiago Bernabéu para a Liga dos Campeões (6-1).
No início da 29.ª jornada, o Mónaco estava a um ponto do Lille, então no pódio e que teria de visitar o Principado na 33.ª jornada.
A partir daí, surgiu uma quebra inexplicável. O Mónaco afundou-se. E Pocognoli com ele.
O multimilionário russo Dmitry Rybolovlev não gostou nada. E, para lá das restrições orçamentais, o diretor-geral do clube, Thiago Scuro, pressionado, recebeu ordens para revolucionar tudo e criar uma nova dinâmica.
Filipe Luís, ex-internacional brasileiro (44 internacionalizações), que ainda estava no ativo há pouco mais de dois anos no Flamengo depois de ter brilhado no Atlético de Madrid e no Chelsea, tem como missão conduzir esta transição a bom porto.
Se o conseguir, tanto ele como o Mónaco sairão beneficiados. Mas esperam-no grandes desafios. O antigo lateral já demonstrou personalidade, enfrentando o seu presidente no Flamengo.
Acabou por ser despedido em março, quando acabara de conquistar títulos na Taça do Brasil 2024, Supertaça 2025, Campeonato Carioca 2025, Campeonato do Brasil 2025 e, sobretudo, a Taça Libertadores 2025, após a qual disputou, e perdeu nos penáltis, a final da Taça Intercontinental frente ao PSG.
Agora terá de lidar com um plantel menos forte do que o da época passada.
"Não vivo em autoilusão"
Não poderá contar com Akliouche, Bamba, Henrique e Ouattara, sabendo ainda que Folarin Balogun deverá sair em breve e que Aleksandr Golovin e Lamine Camara também estão a ser seguidos.
Apesar de o perfil definitivo do seu plantel continuar incerto, Filipe Luís, que chegou com três adjuntos e que também terá de coordenar-se com um departamento de rendimento interno igualmente novo, definiu claramente o seu sistema de jogo: 4-4-2 com um duplo pivô sólido no centro do terreno.
O seu principal objetivo é trazer ordem a um sistema defensivo muito frágil na época passada (15.ª defesa da Ligue 1, com 54 golos sofridos).
De facto, após a vitória frente ao Getafe (1-0), a 6 de agosto, mostrou-se bastante satisfeito com a evolução coletiva.
"A equipa fez aquilo que eu procurava em termos dos meus objetivos tácticos, sobretudo a defender", explicou.
"Talvez seja uma mudança importante para alguns jogadores que estavam habituados a outra coisa", acrescentou.
Com o técnico brasileiro no banco, o Mónaco terá de saber correr riscos, com especial atenção à recuperação da bola, sobretudo em zonas adiantadas.
Mas a equipa do Principado também terá de saber atacar com qualidade.
Neste contexto, Matthis Abline e Mika Biereth, que formam o duo ofensivo neste início de época, terão de elevar rapidamente o seu nível.
Durante a sua apresentação após a assinatura, Filipe Luís proclamou as suas "grandes ambições".
Desde então, o relvado devolveu-o à realidade. Mas ele insiste e reafirma-se.
"Continuo a ter grandes ambições", assume: "Claro que conheço a realidade do clube. Não vivo em autoilusão. Mas sempre que disputo um jogo, entro para o ganhar".
