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Quando há uma sensação clara de superioridade, vantagem no marcador, um calendário apertado e ninguém para ver nas bancadas, nem sempre é fácil dar espetáculo. O SC Braga vinha de um empate com o Moreirense e levou uma margem curta para a Bulgária, mas sabia que, sem cometer erros graves, dificilmente ia colocar a eliminatória em risco.

Formalidade em solo búlgaro
O conjunto de Carlos Vicens, que operou cinco mudanças no onze em relação à estreia na Liga Portugal, é superior à própria competição e tem vindo a encarar as pré-eliminatórias como um exercício mais sério de pré-época. Sem encantar, apesar da diferença em relação aos adversários, o SC Braga vai superando eliminatórias, à semelhança do que aconteceu na época passada na Liga Europa, com o sucesso que conhecemos.
Se o estádio e a própria transmissão televisiva não davam grande motivação, a qualidade de jogo também não ajudou ninguém a ficar preso ao ecrã. O SC Braga teve uma primeira parte irreconhecível e acumulou erros no passe pouco habituais, que só não foram aproveitados pela falta de qualidade do adversário e pela leitura de jogo superior de João Moutinho, bombeiro eficaz no momento de recuperação.
O único remate à baliza do primeiro tempo surgiu apenas no período de descontos, por Víctor Gómez (45+4'), na sequência de um livre. Shimakovich defendeu o desvio do defesa espanhol e manteve o Dinamo Minsk agarrado à diferença de apenas um golo na ida para os balneários.

Para evitar dissabores surpreendentes, e que podem marcar uma época, o SC Braga entrou num ritmo alto e quase abriu o marcador aos 47 minutos, num remate de Ricardo Horta ao poste, em jogada iniciada por Pau Víctor, mas sentiu-se algum desconforto pela demora em fechar a eliminatória. Um penálti assinalado aos 58 minutos ainda deu esperança de novo golo a partir da marca dos 11 metros, mas, com recurso ao VAR, a decisão foi bem invertida e a situação manteve-se em aberto.
Apesar das dificuldades para criar perigo, Vicens manteve a confiança no controlo da eliminatória e não mudou o perfil da equipa com as alterações. Leonard Gweth (66'), na melhor oportunidade da formação bielorrussa, obrigou Bernardo Fontes a mostrar serviço e deu um sinal de alerta à formação arsenalista, na sequência de um erro de Vítor Carvalho.

Na reta final, e mesmo com uma nova ocasião para o Dínamo, Tiknaz (72') e Fran Navarro (90') ainda tiveram nos pés a vitória do conjunto português. Não aconteceu, e a exibição em solo búlgaro esteve bem longe de convencer, voltando a deixar motivos de preocupação. No entanto, o objetivo mínimo foi cumprido e resta agora apenas um obstáculo para chegar à fase regular da Liga Conferência: Austria Viena ou Beitar Jerusalém serão, certamente, testes mais exigentes, pelo que a óbvia superioridade bracarense terá de ser acompanhada por um nível de jogo superior.
Homem do jogo Flashscore: João Moutinho (SC Braga)
