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Análise: O ponto fraco que a República Checa quer resolver antes de enfrentar a Espanha

Santi Denia abraça o suplente Lukáš Červ no jogo com a Croácia
Santi Denia abraça o suplente Lukáš Červ no jogo com a CroáciaČTK / Michal Kamaryt

A seleção da República Checa teve uma estreia relativamente difícil sob comando de Santi Denia. A ansiedade condicionou a estreia frente à Croácia, enquanto a segunda partida, diante da Inglaterra, ficou marcada por um cartão vermelho madrugador. Pela frente, espera-a agora o jogo mais difícil que se pode imaginar: no terreno dos campeões do mundo, a Espanha. O treinador Santi Denia tem, no entanto, de continuar a trabalhar intensamente. Que outra tarefa tem pela frente, juntamente com a sua equipa técnica?

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A construção desde trás, com o guarda-redes e os centrais, é assegurada de forma razoável pela equipa. Porém, quando tenta avançar alguns metros, encontra dificuldades. Parece precisar de preencher a posição de médio-defensivo com um jogador mais criativo do que era habitual no futebol checo. Até agora, essa posição foi ocupada sobretudo por jogadores trabalhadores, verdadeiras abelhas operárias, que se destacam na recuperação de bolas e na interrupção dos ataques adversários, enquanto a distribuição na construção ficava a cargo de outros.

Esta solução não é benéfica, nem sequer possível, para o sistema que o treinador Santi Denia pretende aplicar. Pelo contrário, seguindo o modelo espanhol, gostaria que os ataques começassem no centro, a partir de trás. O exemplo ideal para esta função, na forma como é concebida, é Andrés Iniesta. Foi precisamente graças a ele — e ao seu companheiro do meio-campo, Xavi — que nasceu a era dourada do Barcelona e também da seleção espanhola.

Os atuais jogadores para esta zona, Michal Sadílek e Lukáš Červ, são jogadores de outro perfil. Destacam-se pela excelente condição física, cobrem uma área extensa e são implacáveis nos duelos individuais. No que diz respeito à contribuição ofensiva, o cenário já não é tão brilhante.

"É claro que gostaríamos de ter ali um Rodri ou um Fabián Ruiz… Mas temos de trabalhar nesta posição-chave com aquilo que temos. De momento, não me vem à cabeça ninguém que pudesse elevar claramente esta posição para um nível superior. Os miúdos vão adaptar-se de alguma forma e, esperemos, também melhorar", observa o especialista do Flashscore, e antigo internacional checo, Jan Morávek.

Tanto Červ como Sadílek ficaram negativamente associados, nos dois últimos jogos, a um passe importante falhado. Um erro naquela zona significa uma oportunidade de golo para o adversário ou até mesmo a bola dentro da baliza checa. "Neste sistema, o seis tem de ser infalível e tomar as decisões certas. Por vezes, tem até de conduzir a bola para tirar a equipa da pressão", observou na televisão pública checa o comentador Zdeněk Zlámal.

Král como solução?

E isso não aconteceu em nenhum dos dois jogos sob o comando de Santi Denia. No sábado, frente à Croácia, a seleção checa ainda foi salva pelo excelente Lukáš Horníček, ex-SC Braga, depois de Sadílek ter oferecido a bola ao adversário na sua própria grande área. Na terça-feira, os checos pagaram o preço do erro de Červ na construção, sofrendo o primeiro golo. Nenhum dos dois faz a equipa avançar muito através dos passes ou das conduções com bola. Nesse aspeto, Alex Král destaca-se, pelo contrário: entrou como suplente nos dois jogos e, em ambos, trouxe uma clara melhoria à equipa. Roman Macek também surge como opção.

Dos dois jogadores acima mencionados, Červ parece ter o lugar no onze mais ameaçado. A sua equipa não tem conseguido bons resultados no campeonato nem nas competições europeias, e isso tem tido um impacto negativo no seu desempenho. Para Santi Denia, porém, o jogador do Plzeň é importante. Depois do jogo com a Inglaterra, o treinador saiu em sua defesa e elogiou a sua versatilidade e capacidade de adaptação.

"Vi-o em alguns jogos pelo Plzeň nas últimas semanas. E surpreendeu-me que tivesse tido tanto espaço na seleção, porque não estava propriamente em boa forma. Ainda assim, no geral, esteve razoavelmente bem em campo", avalia Morávek.

Percebe o enorme potencial que a posição de médio-defensivo encerra. Na construção com o guarda-redes e os dois centrais, o seis recua para o nível deles, posicionando-se ao centro, e deve ser ele a iniciar os movimentos.

"Por isso, é preciso ter ali alguém que dê essa segurança à equipa e faça a bola circular, que não entre em pânico sob pressão e consiga sair a jogar a partir dessa posição. Gostei muito de Sadílek. E Alex Král também entrou bem no jogo", destacou o antigo internacional, que em tempos ocupou regularmente essa posição na seleção checa.

Em termos estatísticos, Král quase iguala os seus concorrentes, apesar de ter jogado apenas um terço dos minutos que eles disputaram. Destaca-se sobretudo no momento ofensivo. Frente à Inglaterra, impressionou com uma condução de mais de 11 metros, durante a qual ainda teve tempo para fintar um adversário. Jogou uma época no Espanyol, na liga do próximo adversário, pelo que a sua utilização faria sentido. Que decisão tomará o treinador?

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