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Da pressão às bolas paradas: treinador português explica os perigos da Dinamarca

Dinamarca é o próximo adversário de Portugal
Dinamarca é o próximo adversário de PortugalKRISTIAN TUXEN LADEGAARD BERG / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP

A viver de perto a realidade do futebol dinamarquês, Martim Perestrelo traça ao Flashscore o perfil da seleção nórdica e antevê o duelo com Portugal, em Copenhaga, destacando as bolas paradas, a intensidade e os espaços que a equipa das quinas poderá explorar.

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Martim Perestrelo, treinador português de 28 anos, mudou-se recentemente para a Dinamarca para integrar o Kolding e rapidamente começou a perceber as particularidades de uma cultura futebolística marcada pela intensidade, organização e importância dada aos detalhes do jogo.

Antes do duelo entre Dinamarca e Portugal, em Copenhaga, o jovem técnico fez ao Flashscore uma análise detalhada da seleção nórdica, identificando os principais pontos fortes e algumas fragilidades que a equipa portuguesa poderá procurar explorar.

Da dinâmica ofensiva às bolas paradas, passando pela reação à perda, pela qualidade individual dos dinamarqueses e pela discussão em torno da escolha entre Gonçalo Ramos e Cristiano Ronaldo, Martim Perestrelo antevê um encontro exigente para a equipa das quinas.

Martim Perestrelo trabalha no Kolding IF
Martim Perestrelo trabalha no Kolding IFArquivo Pessoal

Atenção às bolas paradas

- A trabalhar na Dinamarca e conhecendo bem a realidade do futebol do país, que seleção dinamarquesa espera encontrar diante de Portugal e quais são, neste momento, os seus principais pontos fortes?

Desde que cheguei à Dinamarca, em julho, tem sido possível perceber a forte cultura desportiva que o país possui em torno do futebol, sendo possível estabelecer uma relação entre a identidade da seleção nacional e aquilo que se vive diariamente nos clubes.

A seleção dinamarquesa tem-se apresentado num 4-2-3-1 dinâmico, procurando explorar o espaço entre linhas para ultrapassar a pressão adversária, através da dinâmica do terceiro homem ou de movimentos in-out que permitem acelerar o jogo e criar situações de ataque rápido, envolvendo um elevado número de jogadores.

Esta é uma das principais características ofensivas da Dinamarca, mas a equipa revela também muita criatividade e perigo nas situações de bola parada.

Primeiro golo frente a Gales surgiu na sequência de uma bola parada
Primeiro golo frente a Gales surgiu na sequência de uma bola paradaD.R.

No último jogo, frente ao País de Gales, a Dinamarca chegou a marcar na sequência de um ataque rápido, mas o golo foi anulado por fora de jogo. Acabou depois por vencer a partida com dois golos marcados através de esquemas táticos.

Para se perceber a importância destes momentos na realidade futebolística do país, na 2.ª divisão dinamarquesa, onde trabalho, cerca de 50% dos golos são marcados através de esquemas táticos e contra-ataques.

A importância dos lances de bola parada para a Dinamarca
A importância dos lances de bola parada para a DinamarcaD.R.

- Que tipo de dificuldades pode Portugal encontrar em Copenhaga, não só pela qualidade da Dinamarca, mas também pelo ambiente e pela forma como os dinamarqueses vivem estes jogos em casa?

O futebol internacional é vivido com muito entusiasmo na Dinamarca e, depois da conquista do Euro 1992, ganhou ainda maior importância na cultura desportiva do país. É habitual encontrar os estádios cheios quando a seleção joga em casa e Portugal pode esperar exatamente esse ambiente neste encontro.

Acredito que os adeptos dinamarqueses se vão fazer ouvir desde o apito inicial, procurando colocar pressão sobre a seleção portuguesa. Trata-se de um jogo importante para as contas do grupo, mas existe também a memória do encontro do ano passado, quando Portugal perdeu por 1-0 precisamente neste estádio. A seleção nacional acabaria por dar a volta à eliminatória na segunda mão e, posteriormente, conquistar a Liga das Nações de 2025.

Acredito, por isso, que a seleção portuguesa se recorde bem das dificuldades sentidas em Copenhaga. Nesse encontro, Diogo Costa foi fundamental para manter Portugal na eliminatória, ao defender um penálti de Eriksen e ao realizar outras intervenções importantes.

Ouça o relato no site ou na app
Ouça o relato no site ou na appFlashscore

"Portugal terá de ser agressivo e muito rigoroso na reação à perda"

- Do ponto de vista tático, onde considera que Portugal pode causar mais problemas à Dinamarca? Há alguma zona ou característica da equipa dinamarquesa que possa ser explorada pela seleção portuguesa?

Acredito que Portugal terá de ser paciente em alguns momentos do jogo, mas também apresentar uma estrutura organizada e móvel, capaz de acompanhar as movimentações dos jogadores dinamarqueses.

O momento de pressão poderá ser determinante para a seleção nacional, tal como aconteceu no jogo frente à Noruega. Portugal deverá procurar condicionar a construção da Dinamarca e, depois, explorar os espaços deixados livres, criando situações de contra-ataque nas quais acredito que os jogadores portugueses podem levar vantagem sobre os defesas dinamarqueses.

Será igualmente importante controlar os ataques organizados pelo corredor direito e as situações de um contra um e dois contra dois que possam surgir no lado esquerdo do ataque dinamarquês, onde existem jogadores móveis, fortes no desequilíbrio e com capacidade para criar perigo através de ações individuais.

Com bola, Portugal irá enfrentar uma equipa organizada, intensa e compacta, o que poderá dificultar bastante a primeira fase de construção. No entanto, se conseguir ultrapassar a primeira e a segunda linhas de pressão, poderá encontrar boas condições para criar perigo. Os defesas-centrais dinamarqueses têm capacidade para pressionar os jogadores que aparecem entre linhas, mas não são particularmente rápidos, pelo que Portugal poderá procurar desequilibrar a linha defensiva e atacar o espaço nas costas.

Dinamarca em organização defensiva
Dinamarca em organização defensivaD.R.

Outra situação que poderá ser explorada são os cruzamentos para o segundo poste. Os centrais e o lateral do lado contrário tendem a concentrar-se muito na proteção da zona central da área, o que pode abrir espaço para a chegada de jogadores portugueses ao segundo poste.

Acredito, contudo, que um dos momentos fundamentais deste jogo será a reação à perda. Portugal terá de ser agressivo e muito rigoroso nesse momento, porque a Dinamarca procura acelerar imediatamente após recuperar a posse, através de contra-ataques que podem criar perigo ou permitir à equipa conquistar bolas paradas em zonas avançadas.

Dinamarca em organização ofensiva
Dinamarca em organização ofensivaD.R.

- Portugal tem muita qualidade individual e várias soluções, enquanto a Dinamarca é tradicionalmente uma equipa muito organizada e intensa. Que duelo espera e o que poderá ser decisivo para desequilibrar o encontro?

Acredito que a força da seleção dinamarquesa não está apenas no coletivo, mas também na qualidade individual que tem acrescentado nos últimos anos. Grande parte dos jogadores compete nas principais ligas europeias e nomes como Morten Hjulmand e Victor Froholdt, muito conhecidos do público português, são bons exemplos da qualidade existente nesta equipa.

Além destes, Portugal terá de estar atento a jogadores como Rasmus Hojlund, Mikkel Damsgaard, Gustav Isaksen e Pierre-Emile Hojbjerg, além de Patrick Dorgu, que poderá ser uma baixa importante para este encontro, e Mika Biereth, entre outros. São jogadores com características diferentes, mas que demonstram bem a qualidade individual e a profundidade do plantel dinamarquês.

Dinamarca tem muita qualidade do ponto de vista individual
Dinamarca tem muita qualidade do ponto de vista individualD.R.

Acredito que, se Portugal conseguir apresentar um nível próximo daquele que mostrou frente à Noruega, terá condições para alcançar um resultado positivo. Será fundamental acompanhar as movimentações e igualar a intensidade da Dinamarca para conseguir superar uma noite que se prevê exigente e fria em Copenhaga.

Cristiano Ronaldo ou Gonçalo Ramos?

- Olhando para o ataque de Portugal, que características poderão ser mais importantes neste jogo: a mobilidade e capacidade de pressão de Gonçalo Ramos ou a presença na área e experiência de Cristiano Ronaldo? Que opção faria mais sentido perante esta Dinamarca?

Acredito que esta tenha sido uma das questões mais debatidas pelos portugueses na última semana. No entanto, conhecendo e analisando a seleção dinamarquesa, considero que as características deste jogo justificam a continuidade de Gonçalo Ramos.

Ronaldo frente ao País de Gales
Ronaldo frente ao País de GalesFlashscore

A sua mobilidade pode ser importante para desorganizar a linha defensiva da Dinamarca, através de movimentos constantes, enquanto a capacidade de pressão poderá obrigar os jogadores dinamarqueses a cometer erros, tal como aconteceu no golo que marcou frente à Noruega. Além disso, o seu trabalho sem bola pode ser importante para fechar alguns dos espaços que a Dinamarca procura explorar.

Leia também - Um jogo para cada: como foi e por onde andaram Ronaldo e Gonçalo Ramos?

Na minha perspetiva, Cristiano Ronaldo poderá ser uma solução importante a partir do banco. Numa fase em que a intensidade do jogo seja mais baixa, o seu posicionamento e a qualidade dos movimentos dentro da área poderão dar a Portugal outras soluções, sobretudo se a equipa precisar de maior presença em zonas de finalização.

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